Drácula: As faces do clássico de Bram Stoker

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Clássico. Obra ou autor que é de estilo impecável e constitui modelo digno de imitação. A literatura é cheia deles. “Drácula”, o romance de Bram Stoker, é um dos maiores clássicos da literatura gótica. Antes dele já haviam sido lançadas obras-primas como “Frankenstein”, de Mary Shelley, e o mundo já tinha conhecimento de Edgar Allan Poe. Contudo, o livro do autor irlandês influenciou quase tudo o que seguiu na ficção de terror, principalmente no que diz respeito a vampiros.

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O enredo acompanha a perspectiva de vários personagens, já que é contado por meio de cartas e diários. A dinâmica concede um teor estiloso ao livro e permite que o leitor conheça bem Jonathan Harker, Mina Murray e até mesmo o Dr. Abraham Van Helsing. Não permite, portanto, que o personagem título seja visto da mesma forma por quem lê, já que o vampiro não é um dos narradores da história. A trama que acompanha Harker, que acaba virando prisioneiro no castelo sinistro do Conde, explora a história em diferentes maneiras, formando um mosaico de perspectivas que ajuda a contar os acontecimentos da forma mais completa possível.

Inspirado nas histórias populares da Transilvânia sobre Vlad, o rei empalador (que por sinal, existiu), Bram Stoker escreveu sobre o conde que dormia durante o dia e saía à noite para se alimentar de sangue. O personagem não era “apenas” vampiro, mas tinha relação direta com morcegos e lobisomens, além das famosas noivas, que também se alimentavam de sangue humano. Os personagens que contam a história têm motivos suficientes para se lançarem à destruição do vilão.

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Drácula livro
Imagem do filme de 1931 estampa edição de bolso do livro.

As adaptações, versões e contos inspirados no romance de Stoker são as mais diversas. No cinema começaram cedo. Antes mesmo dos filmes seguirem a obra do autor de forma declarada, o diretor alemão F. W. Murnau dirigiu “Nosferatu” (1922), uma versão com nomes de lugares alterados, pois não tinha permissão para levar a obra do autor às telonas.

Nove anos depois, a Universal Studios adaptou o clássico, que desta vez levou o nome da obra original. A versão dirigida por Tod Browning tinha Béla Lugosi como protagonista, sobreviveu ao tempo e hoje é uma das mais cultuadas pelos fãs do gênero. Pudera, a produção surgiu na época em que o estúdio apostava em monstros do horror como “Frankenstein” e “O Fantasma da Ópera”, que também se consagraram e ganharam diferentes versões ao longo das décadas.

Nos anos 50 foi a vez do estúdio inglês Hammer desenvolver uma série de filmes baseados no morcego. Os longas dirigidos por Terence Fisher e protagonizados por Christopher Lee foram uma verdadeira sensação no chamado Cinema B, que produz filmes de baixo orçamento, e hoje são objetos de colecionador. Em 1992, Francis Ford Coppola dirigiu a versão definitiva e mais fiel do clássico com Gary Oldman dando vida ao Conde Drácula de forma genial. Obra-prima, essencial aos fãs do gênero.

Na TV, o vampiro nunca foi muito presente, mas viu sua influência percorrer por várias produções norte-americanas. A mais óbvia é The Vampire Diaries, na qual seus personagens escrevem diários, assim como na obra de Stoker. Outra semelhança é a presença de sósias. Assim como Elena Gilbert é idêntica ao antigo amor de Stefan Salvatore, Mina Murray lembra muito fisicamente a esposa que o Conde pensou ter perdido, no filme de Coppola. A relação indireta mais recente veio em Penny Dreadful, produção que estreou este ano no canal Showtime. O pai de Mina, Malcolm Murray, é um dos protagonistas da série. A noiva de Jonathan também aparece, mas com participação reduzida.

Drácula, de Bram Stocker (1992)
Drácula, de Bram Stoker (1992)

A adaptação da obra para a tevê ficou a cargo da NBC, que estreou Dracula na fall season 2013-14. Na série, o Conde foi interpretado por Jonathan Rhys Meyers (The Tudors), que deu vida a um empresário de origem norte-americana que tinha como objetivo trazer a ciência moderna à Londres vitoriana. O real motivo da mudança era outro: o cara buscava vingança.

O seriado tem algumas semelhanças com o original, como o fato de Mina ser uma cópia da amada de Drácula e a relação dela com Lucy. Mas no geral, a série tomou muitas liberdades criativas. Desde a escolha do ator, assumindo uma juventude não vista antes até a relação do personagem principal com Jonathan Harker, estritamente profissional. Uma coisa, porém, podemos concordar. O Drácula de Rhys conseguiu passar a humanidade, ou boa parte dela, que o vampiro tinha por trás do aspecto monstruoso. Afinal, o romance de Bram Stoker não é apenas uma batalha entre o bem e o mal, mas a história do vampiro mais humano da literatura.

A verdade é que Drácula é parte do domínio público, e hoje qualquer um pode criar sua versão livre da história. Para quem assistiu a série do canal NBC, fica a dica de leitura de um dos grandes clássicos da literatura. É uma surpresa ler a obra pela primeira vez e descobrir esse estilo tão próprio de Bram Stoker. Para quem gosta de cinema, assistir aos filmes citados aqui é dever de qualquer cinéfilo. Por mais que as adaptações variem de acordo com a época, cada uma representa bem a importância do romance para a história do cinema de horror. E para quem já assistiu, vale assistir novamente. Assim como os mortos-vivos, clássicos não envelhecem.