E agora, Netflix é Cinema ou TV?

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Na última sexta-feira, 16, estreou mundialmente através da Netflix o filme Beasts of no Nation, de Cary Fukunaga, mesmo diretor da primeira temporada de True Detective. O projeto foi cercado de expectativa por ser o primeiro filme original da plataforma. Uma das primeiras dúvidas foi: “a Netflix está preparada para produzir seus próprios filmes?”. A resposta, após o lançamento, é clara: sim, além de ser uma excelente produtora de séries, a empresa também é capaz de produzir bons e relevantes filmes.

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A maior das dúvidas, porém, surge: com filmes originais, a Netflix está mais para TV ou para o Cinema? Muitos insistem em não categorizar a plataforma, afirmando que a mesma é única, ou seja, é um formato próprio de se produzir e consumir audiovisual. O pensamento é correto, mas como a indústria aceita estes projetos originais? Beasts é um filme feito para a TV ou para o telona? Como ele será reconhecido nos prêmios? Oscar ou Emmy?

O longa-metragem teve lançamento simultâneo online e em circuito limitado de cinemas americanos, o que pavimenta o caminho em duas partes. Há algumas semanas, desde que foi apresentado à imprensa e passou por festivais, Beasts of no Nation tem sido apontado como uma dos filmes do Oscar. Idris Elba, por exemplo, encontra-se na dianteira da corrida de Melhor Ator Coadjuvante, tendo sólidas chances de levar a estatueta. A produção ainda pode ser nomeada em Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição, entre outras categorias técnicas. A questão é se a Academia vai aceitar o projeto, já que foi produzido por uma plataforma de streaming.

Todos sabem que para um filme ser indicado ao Oscar ele precisa ser lançado comercialmente em um número mínimo de cinemas norte-americanos. Beasts está em cartaz, mas também pode ser assistido na tela de um computador, na televisão ou em dispositivos móveis, no conforto do lar ou na correria do metrô. Um preconceito pode surgir daí e os votantes podem dar atenção a obras “legitimamente” cinematográficas.

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Ainda é incerto, também, como o filme será aceito no mundo televisivo. Em um primeiro momento, nada impede que o longa concorra ao Emmy, já que todas as produções seriadas da plataforma podem concorrer ao prêmio. Algo semelhante aconteceu com o documentário Virunga, lançado nos cinemas e na Netflix e indicado ao Oscar e ao Emmy. Citzenfour é outro projeto que figurou nas duas premiações.

Beasts já encontrou problemas na própria distribuição em salas de cinema. Grandes redes como Cinemark realizam boicote ao filme. Para estas empresas, é um protesto contra concorrência desleal da Netflix. Na visão delas, e de muitas outras, é extremamente difícil lucrar quando a mesma obra em cartaz é disponibilizada online. A venda de ingressos é notadamente prejudicada e uma das alternativas apontadas é lançar os projetos das duas formas, mas em épocas diferentes. Nesse sentido, o longa chegaria primeiro às telas de cinema e semanas depois na Netflix. Assim, o filme ficou de fora do grande circuito e achou espaço apenas em festivais e salas independentes. Na indústria, o tempo mínimo entre o lançamento nos cinemas e nas demais mídias é de 90 dias.

Mas o filme é bom?

Na TV ou no cinema, Beasts of no Nation é um bom filme de qualquer forma. É verdade, porém, que poderia ser bem melhor. Ancorado na atuação soberba de Idris Elba e na revelação de Abraham Attah, o longa se sai bem ao acompanhar o intenso e triste arco dramático de Agu (Attah), garoto que perde a família e é encontrado por um grupo de guerrilheiros comandado pelo Comandante (Elba). O menino aos poucos perde a inocência e a esperança enquanto se torna um guerrilheiro mercenário.

Fora uma e outra sequência impactante e todas as cenas envolvendo o Comandante, Beasts of no Nation acaba sendo um grande anticlímax, perdendo o ritmo algumas vezes e subvertendo as expectativas a todo o momento. Ainda assim, é um ótimo e violento recorte de uma vida interrompida. É um bom drama, mas não tem fôlego para ficar entre os dez melhores do ano. De qualquer forma, tem uma boa história, com boas atuações, seja ela vista em telas pequenas ou grandes. O que importa, afinal, é a mensagem e a pessoa que assiste, não o tamanho da tela.

Assista ao trailer de Beasts of no Nation:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=2xb9Ty-1frw[/youtube]

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