E agora?

Imagem: Artistas Variados/Reprodução (detalhes no fim do post)

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Ok, desta vez nós realmente não estamos mais no Kansas.

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Ao longo das traquinagens que esses Editoriais têm sido, sempre imaginei que momento chegaria. Afinal, cada uma dessas linhas sempre consegue ser um desafio temático de divagações e absurdos, transcendendo vários níveis de absurdo tema após tema, texto após texto. Mas confesso que, mesmo temendo e esperando esse dia, não saber sobre o escrever.

Isso mesmo. Mesmo tendo – como a maioria deveria – uma estrutura básica para o texto, talvez a maior parcela de efeito do texto está ausente enquanto essas linhas são escritas. Não porque lhe falta tema ou motivação, mas por ser exatamente esta a saída.

Não me entendam mal, apesar do tom confessional misturado ao que parecem ser meias desculpas, o texto é pensado do começo ao fim, revisado com as mesmas minúcias e repleto dos mesmos absurdos. A única questão é que, em oposição ao usual empreendimento de uma cruzada temática ao redor de um único tema ou de uma seara de argumentos, estamos aqui para falar de tema nenhum.

Exatamente. Depois de tanto tempo, não podemos deixar essa oportunidade passar! Como podemos evitar nos reunir para discutir a própria natureza do nonsense, quando estamos imersos numa série de absurdos cotidianas? Nem precisamos olhar para a vida real e pública – também conhecida como a situação do país. Depois de uma longa fall season, uma midseason que não foi tão cruel assim e agora, de uma summer season que mal começou e já parece longa demais – mesmo tendo nos entregue MARAVILHOSAS temporadas de Orange is the New Black e House of Cards – é impossível não estar cansado de tudo isso.

Toda a expectativa construída em volta justamente da fall season, que inexoravelmente se aproxima de nós com todos os seus “grandes sucessos” já começa a preocupar os seriadores de plantão, cujas grades eternamente com atraso antecipam a chegada de mais trocentas produções para se preocupar. Mesmo assim, é exatamente nesse momento raro, o momento do antes que podemos nos dar ao luxo de não questionar, de não debater, de não assistir.

Eis aí a nossa questão crucial e o fim desse absurdo sobre absurdos. Todas as dúvidas, todas as questões, toda essa absurda carga de expectativa que nos prende nesse eterno ciclo do entretenimento através das temporadas é algo que no fim cobra um preço de todos os espectadores. Ou você se torna alguém cuja “crítica” é a repetição dos mesmos atributos técnicos – I’ve been there – que sim, têm seu mérito, mas planificam a experiência e processo criativo do que forma ou entretenimento. Ou ainda, e isso é ainda pior, você para de consumir – deixando de trilhar a inigualável aventura que é selecionar um piloto aleatório, sem a necessidade de grande pesquisa ou recomendação, simplesmente pelo prazer de assistir algo novo – e passa a estar preso as mesmas atrações de sempre, seguindo o mesmo gênero e para sempre sendo privado da aventura singular que se esconde em cada piloto.

Então, depois de passar 500 palavras dizendo absolutamente nada, eu aconselho você a fazer exatamente isso: nada. Aproveite esse tempo para fazer a mesma coisa que eu estou fazendo. Tire um tempo da TV enquanto corre essa contagem regressiva para a fall season. Esqueça dos aborrecimentos com os cancelamentos que fogem do nosso controle – after all, in the end it’s just business. Você vai perceber que, seja qual for a quantidade de tempo que você tire como o seu time out das séries, algumas das coisas que tem sido constante fonte de irritação para você nessa seara vão desaparecer. E mais: você vai entender que essa indústria ainda tem muitas surpresas, só esperando para que você arrisque-se a apertar o “play”.

P.S.: Cabe aqui o bom e velho disclaimer. As imagens da arte que encabeça o post são, respectivamente, da esquerda para a direita, de cima para baixo: Showtime/Reprodução (material de divulgação do revival); Netflix/Divulgação/Reprodução (material promocional de House of Cards); Den of Geek/Reprodução; Netflix/Divulgação/Reprodução (material promocional de Orange is the New Black); Starz/Divulgação/Reprodução (material promocional de American Gods).

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Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Professor de Língua e Literatura, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em café, bons livros, boas animações e ocasionais guilty pleasures (além de conversas sem começo, meio nem fim). De gosto extremamente duvidoso, um Reviewer ocasional aqui no Mix de Séries e Colunista no Mix de Filmes.

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