A nova temporada da franquia Monstro, criada por Ian Brennan e Ryan Murphy, mergulha na perturbadora trajetória de Ed Gein, mas não escapa das polêmicas. Assim como as produções anteriores, Monstro A História de Ed Gein foi acusada de sensacionalismo, principalmente por dramatizar fatos e misturar boatos que circularam na pequena cidade de Plainfield, Wisconsin, quando os crimes vieram à tona. A série reacende o debate sobre até que ponto uma obra de true crime deve se ater à realidade ou pode explorar o lado mais macabro das lendas urbanas.
A descoberta dos crimes
Em novembro de 1957, a polícia local foi investigar o desaparecimento de Bernice Worden. Ao entrar no galpão da fazenda de Gein, os oficiais se depararam com uma cena inimaginável: o corpo da vítima, sem cabeça, estava pendurado de cabeça para baixo. Dentro da casa, encontraram outras partes do corpo e objetos feitos de restos humanos.
O que o relatório da autópsia indicou, porém, difere de algumas versões mostradas na série. Segundo os documentos oficiais, a cabeça e as vísceras foram encontradas no mesmo local, enquanto o coração estava dentro de um saco plástico próximo ao fogão, e não fervendo em uma panela, como aparece na Netflix.
O peso dos rumores

A confusão sobre os fatos começou logo após a prisão de Ed Gein. Histórias exageradas circularam pela cidade, dando origem a versões ainda mais horripilantes. Moradores acreditavam que a geladeira de Gein estava repleta de órgãos humanos, enquanto outros juravam que ele entregava pacotes de carne para vizinhos, fazendo-os pensar que poderiam ter consumido carne humana.
Essas lendas foram alimentadas pelo próprio imaginário popular, mas nunca confirmadas pelas investigações. Na série, essas especulações voltam a aparecer em diálogos que insinuam práticas de canibalismo, embora nada tenha sido comprovado.
Entre realidade e ficção
Investigações oficiais concluíram que Ed Gein nunca chegou a consumir carne humana. Seus atos macabros estavam ligados a uma necessidade psicológica de manter uma conexão com a mãe falecida e a um fascínio por histórias de canibais e caçadores de cabeças que lia desde jovem. Ele colecionava partes de corpos, costurava peles e criava objetos a partir delas, mas os rumores de canibalismo não passaram de histórias que ganharam vida própria.
A monstruosidade de Ed Gein
A produção da Netflix expõe não apenas os crimes, mas também o impacto dos rumores que transformaram Gein em uma figura ainda mais assustadora. Entre verdades e invenções, o chamado “açougueiro de Plainfield” segue como um dos criminosos mais influentes da cultura do terror, inspirando personagens icônicos do cinema. Mais uma vez, a série levanta a questão: até onde o entretenimento pode ir sem distorcer a realidade de crimes que já foram, por si só, aterrorizantes?