Ed Gein matou Adeline em “Monstro”? Eis a verdade

“Monstro: A História de Ed Gein” — Ed matou Adeline? Entenda o desfecho polêmico da nova série da Netflix

A terceira temporada da antologia Monstros, criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, chegou à Netflix mergulhando na mente de um dos assassinos mais perturbadores da história: Ed Gein. Mas, diferente das histórias anteriores — sobre Dahmer e os irmãos Menendez —, Monstro: A História de Ed Gein aposta em uma narrativa mais psicológica e surreal, que mistura fatos reais, devaneios e ficção.

Um dos grandes mistérios da temporada envolve Adeline Watkins, personagem que se torna o centro emocional da trama e, por vezes, a linha tênue entre amor, loucura e morte. Afinal, Ed Gein matou Adeline?

A resposta é mais complexa do que parece.

Adeline não morre — mas sua relação com Ed Gein beira o abismo

Ao longo da série Monstro: A História de Ed Gein, a possibilidade de que Adeline seja morta por Ed é constantemente sugerida. As cenas são construídas com tensão e simbolismo, e o espectador é levado a acreditar que ela será mais uma das vítimas do “açougueiro de Plainfield”.

Mas Adeline não é assassinada.

Na verdade, ela é uma das poucas pessoas que chega a compreender e aceitar os impulsos macabros de Ed, ainda que de forma distorcida. Os dois formam um elo improvável: ela se fascina pela morte tanto quanto ele, e aos poucos passa de simples interesse romântico a cúmplice emocional — alguém que o encoraja a explorar seus instintos sombrios.

Em determinado ponto, Adeline descobre as atrocidades cometidas por Ed — o uso de corpos exumados e os objetos feitos de pele humana. Porém, em vez de se horrorizar, ela demonstra curiosidade mórbida. É esse traço que faz dela o espelho mais fiel da insanidade de Gein, e também o motivo de o público ficar dividido entre enxergá-la como vítima ou comparsa.

Ed Gein mata Adeline Netflix
Imagem: Netflix.

A cena que confundiu os fãs em Monstro: A História de Ed Gein

Um dos momentos mais comentados da temporada é uma sequência imaginada que recria a icônica cena do chuveiro de Psicose — filme inspirado, justamente, nas atrocidades de Ed Gein.

Nela, Adeline aparece sendo brutalmente assassinada, mas a cena é uma alucinação ou fantasia dentro da mente perturbada de Ed. É uma escolha deliberada da direção: brincar com a ideia da morte dela sem jamais concretizá-la, mantendo o público em constante dúvida.



A tensão atinge o ápice quando Adeline encontra o corpo mumificado que Ed mantinha no lugar de sua mãe, Augusta. Por um instante, parece que ele vai atacá-la — mas, em vez disso, confessa tudo. É um ponto de virada em que o roteiro humaniza momentaneamente o assassino, mostrando o quanto ele também é refém de sua própria loucura.

Um reencontro inesperado e a revelação final

Nos últimos episódios, Ed e Adeline se reencontram — ele já internado em um hospital psiquiátrico, diagnosticado com Transtorno de Personalidade Esquizoide. Ela, agora distante do mundo exterior, confessa estar lidando com transtornos mentais graves e revela a ele uma lista de pessoas que, em seus surtos, acredita precisar matar.

Em um dos diálogos mais fortes da série, Ed diz que ela não deve repetir seus erros, demonstrando uma espécie de remorso — ou iluminação tardia. Esse momento transforma Adeline de uma potencial vítima em uma igual, alguém capaz de compreender o abismo moral e psicológico em que ele caiu.

Adeline existiu mesmo?

A série ainda joga uma última dúvida no ar: será que Adeline realmente existiu?

Durante o tratamento, Ed começa a questionar se ela foi uma pessoa real ou apenas uma criação de sua mente fragmentada. As lembranças entre os dois são distorcidas, e a fronteira entre alucinação e realidade se desfaz.

Por isso, o reencontro final pode ser interpretado de duas formas:

  • Literalmente, como um acerto de contas real entre os dois.
  • Ou metaforicamente, como a reconciliação de Ed com sua própria consciência — Adeline sendo uma representação de seus desejos e culpa.

Reflexão sobre monstros e humanidade

Mais do que uma história de assassinatos, “Monster: The Ed Gein Story” propõe uma reflexão sobre a origem da monstruosidade humana. Adeline e Ed são duas faces de uma mesma moeda — vítimas de traumas, isolamento e da obsessão com a morte.

Ao não matá-la, o roteiro subverte as expectativas do público e transforma a série em algo além de uma simples biografia de horror. É uma análise sobre violência, mente e identidade, onde o verdadeiro terror não está nos crimes, mas na linha tênue que separa a realidade da loucura.



Ed Gein matou Adeline em “Monstro”? Eis a verdade
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.