Alguém disse Cultura POP?

Imagem: The Inclusion Solution/Reprodução

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Inusitado. Talvez seja quase que um Editorial mais simples de se escrever. Afinal, algo que vem no fim de semana da CCXP não poderia se desviar da Cultura POP e de sua importância. Contudo, acompanhando a edição desse ano e seu crescimento, e vendo alguns painéis como – e em especial – o painel de Fernanda Montenegro, o desafio dessas próximas palavras se multiplica exponencialmente.

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Afinal, já passamos por essa estrada algumas vezes, e embora chegue a ser redundante, não podemos deixar de lembrar o quanto a Cultura POP e suas muitas ramificações e influências geraram e tocam diretamente no cerne não só das séries – e outras produções – que nos juntam aqui e em incontáveis outras mídias para discutir, trocar ideias e dividir a incomparável experiência de consumo dessa fatia em particular da Cultura.

Mesmo assim, e talvez essa seja a coisa que mais me surpreende e que mais me alegra em fazer parte dessa complexidade maravilhosa, é o quanto a Cultura POP consegue se renovar, consegue continuar encontrando, mesmo frente a todos os questionamentos do Ser e os outros (muitos) problemas da contemporaneidade, novas formas de em si, renovar-se e trazer até nós novas possibilidades.

Quando consideramos a cena nacional então… quando tomamos o Brasil, com toda a sua brasilidade, ver o quanto essa Cultura consegue mover, consegue crescer, se desenvolver e influenciar é algo que dá certa esperança entre tantas coisas. Não podemos esquecer que, com todas as dificuldades – algumas (mas não todas) causadas pelas questões nacionais – as edições da CCXP têm sido marcas registradas do alcance dessa cultura.

Congregando nesta edição em particular um público estimado de 220 mil pessoas distribuídas por 115m², trazendo 180 marcas – com produtos numa faixa de preço que varia de R$ 3,60 a R$ 12.990 – para o cenário de comércio POP/Geek, algumas delas que estão entrando nesse cenário nos últimos tempos justamente por esse universo de possibilidades. Não podemos esquecer dos elencos completos e de atrações nacionais e internacionais que deixam o evento ainda mais brilhante.

Então, como não perguntar, como não notar, como não reconhecer essa importância?

Não só – mas esse é um fator determinante para essas linhas – por ser um fã dela que é a grande dama da TV e Cinema nacional, o painel de Fernanda Montenegro entregou todas as respostas e ofereceu toda uma renovação que, convenhamos, esse ano absurdo precisa. Alguém cuja carreira é tão significativa, com 70 anos de uma história que nem me atrevo a tentar explicar, alguém que carrega a tradição, mas mesmo assim não deixa de acreditar no valor da Arte, no valor da Cultura e no quanto essas coisas significam e ressignificam a sociedade.

Ser lembrado por alguém tão importante que a Arte é tão ligada, tão inerente a condição humana, que ela é feita do contato e da presença com o outro, que ela figura nas linhas mais deliciosamente duvidosas de Nelson Rodrigues ao texto mais classicamente feito para novelas, e que até mesmo essa Arte tornou-se algo para a consciência humano, algo para o moderno e pós-moderno questionar e fragmentar-se ao tentar abordar/entender.

Há tanto e mais um pouco para ser dito, e talvez nunca realmente consigamos dizer tudo. E que bom! Significa dizer que a discussão sempre será viva, que sempre haverá espaço para crescimento, para problematização, para que, por mais difícil que possa parecer, algo realmente novo possa surgir. A Cultura POP continua a mobilizar, a reinventar, a transformar e agregar de maneiras incontáveis, e mais do que nunca precisamos disso. Precisamos da possibilidade. Precisamos que essa cultura que continua a se alimentar, que continua a crescer, possa continuar nos levando a novos lugares, nos fazendo desbravar.

Até porque, e por mais inacreditável que isso possa parecer, chegamos até aqui. E continuamos querendo mais. A Cultura precisa avançar porque a sociedade precisa avançar – e não vamos nos embrenhar por essa relação ou essas deixarão de ser linhas finais – e a Cultura POP, mais do que nunca, tem deixado claro que seu potencial é singular. Ela está sendo vista e entendida como nunca antes. Então, celebremos essa cultura, ela pode nos trazer muito mais do que tudo o que já vimos até aqui – e com todos os pormenores, o significado disso é assustadoramente maravilhoso.

Tags Editorial
Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Professor de Língua e Literatura, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em café, bons livros, boas animações e ocasionais guilty pleasures (além de conversas sem começo, meio nem fim). De gosto extremamente duvidoso, um Reviewer ocasional aqui no Mix de Séries e Colunista no Mix de Filmes.

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