Robert De Niro já fez papéis icônicos — de Taxi Driver a O Poderoso Chefão. Mas, de vez em quando, o lendário ator se joga em algo mais leve. Em Guerra com o Vovô (The War with Grandpa), é exatamente isso: uma comédia familiar que se propõe ao caos… mas que nem sempre acerta o alvo.
Apesar do elenco recheado de talentos — como Uma Thurman, Christopher Walken, Cheech Marin e Jane Seymour —, o filme aposta numa disputa nada madura entre avô e neto, transformando um simples conflito doméstico em uma verdadeira batalha de travessuras.
A história: quando dividir o espaço vira guerra
Em Em Guerra com o Vovô, tudo começa quando Ed (De Niro), viúvo e com dificuldades para se adaptar à tecnologia e ao dia a dia sozinho, é convidado pela filha (Uma Thurman) a morar com a família. Carinhoso e um pouco teimoso, ele aceita — mas a mudança tem um preço: ele fica com o quarto do neto Pete, obrigando o garoto a se mudar para o sótão.
Pete não lida nada bem com a troca. Incentivado pelos amigos, o menino decide declarar uma guerra silenciosa contra o avô, cheia de pegadinhas e planos mirabolantes para expulsá-lo do quarto — e da vida confortável dentro da casa.
Do outro lado, Ed, que inicialmente reluta, acaba revidando. E o que era para ser uma birra infantil se transforma em uma escalada absurda de sabotagens, com direito a:
- drones desgovernados
- escorregões por bolinhas de gude
- cobras na cama (!)
Tudo isso embalado por um clima “sub-Fockers” — sem a esperteza e o timing que tornaram Entrando numa Fria um sucesso.

Por trás das risadas: um conflito que perde o controle
A trama é inspirada no livro infantil de Robert Kimmel Smith, mas o filme trata o conflito com uma dose de crueldade inesperada, que pode deixar o público mais sensível desconfortável. Há momentos em que as brincadeiras deixam de ser engraçadas para se tornarem perigosas — e isso acaba gerando um contraste estranho com a proposta leve da comédia.
Mesmo com boas intenções, o roteiro transforma Pete em uma figura difícil de torcer: mimado, exagerado e incapaz de perceber os próprios privilégios. Em uma época em que famílias lutam por espaço e estabilidade, fica complicado ter paciência com o que parece ser uma grande implicância de primeiro mundo.
Um elenco gigante em uma história pequena
Apesar da proposta simples, o filme Em Guerra com o Vovô dispõe de um time pesado — e talvez até grande demais para o que a história oferece. Christopher Walken, Jane Seymour e Cheech Marin servem como apoio cômico, mas têm pouco tempo de tela para brilhar. Rob Riggle, como pai da família, vira alvo de piadas repetitivas e pouco inspiradas.
Já De Niro, sempre carismático, dá tudo de si… até quando o material não o acompanha. Seu Ed é tão gentil que chega a ser improvável vê-lo levar a guerra adiante.
No fim das contas…
Em Guerra com o Vovô é o tipo de comédia feita para tardes despretensiosas em família. Tem humor físico, trapalhadas e um elenco querido. Mas, quando tenta misturar caos e fofura, acaba ficando num meio-termo morno. A mensagem final fala de convivência, afeto e respeito entre gerações — ainda que a jornada até lá seja bem mais turbulenta do que precisava.
Se você busca uma diversão rápida com as crianças, o filme cumpre o papel. Mas se a expectativa é ver De Niro no auge do humor inteligente… talvez essa guerra não seja para você.