Depois de cinco temporadas, Emily em Paris já deixou claro qual é o seu jogo. A série criada por Darren Star nunca tentou ser prestígio, e talvez o maior mérito da 5ª temporada seja justamente assumir isso de vez. O problema é que, mesmo mudando de cenário e apostando em novas dinâmicas, a produção da Netflix segue insistindo nos mesmos vícios narrativos que acompanham Emily Cooper desde 2020.
A troca de Paris por Roma traz um frescor visual e simbólico importante, mas não resolve questões estruturais que continuam limitando o potencial da série.
Uma nova cidade, a mesma Emily
A 5ª temporada começa com Emily agora à frente da filial italiana da Agence Grateau. Em teoria, esse novo posto deveria representar amadurecimento profissional e emocional. Na prática, ela rapidamente se vê presa ao mesmo ciclo de ideias impulsivas, conflitos mal resolvidos e decisões que misturam vida pessoal e trabalho sem qualquer aprendizado real.
Mesmo mais consciente de suas falhas, Emily continua sendo apresentada como alguém que sempre cai de pé, independentemente do caos que gera ao redor. A série reconhece que ela pode ser exagerada, inconveniente e até tóxica em sua positividade, mas raramente permite que isso tenha consequências duradouras.

O romance muda, o padrão permanece
A relação com Marcello Muratori surge como um dos pontos altos da temporada. Pela primeira vez em um bom tempo, Emily parece ter química genuína com um par romântico. Ainda assim, o relacionamento segue superficial, sustentado mais pela fantasia do cenário italiano do que por conflitos bem desenvolvidos.
Ao mesmo tempo, a série volta a tropeçar ao não saber o que fazer com Gabriel. Mesmo após tantas idas e vindas, o personagem continua orbitando Emily sem um propósito claro, reforçando um desgaste que já vinha sendo apontado por fãs e pelo próprio ator.
Personagens secundários subaproveitados
Sylvie continua sendo o grande trunfo da série. A 5ª temporada acerta ao colocar a relação entre ela e Emily no centro da narrativa, transformando a antiga rivalidade em uma parceria mais madura e interessante. Esse arco é, de longe, o mais consistente do ano.
Em contrapartida, outros personagens seguem presos a funções rasas. Mindy, por exemplo, tem uma trajetória que volta a girar mais em torno de homens do que de sua carreira, o que representa um retrocesso. Luc e Julien seguem eficientes como alívio cômico, mas continuam subexplorados, especialmente Julien, reduzido a comentários espirituosos sem profundidade emocional.
Luxo, escapismo e repetição
Visualmente, Emily em Paris continua entregando tudo o que promete: paisagens, moda, gastronomia e montagens que transformam Roma em um cartão-postal em movimento. É confortável, bonito e ideal para maratonar sem compromisso.
O problema é que, por trás do charme, a série ainda evita aprofundar seus conflitos e personagens. A 5ª temporada melhora em tom, se torna mais autoconsciente e segura de sua identidade, mas não rompe com hábitos antigos.
No fim, Emily em Paris segue sendo exatamente o que sempre foi: um entretenimento leve, indulgente e descartável. Quem chegou até aqui provavelmente vai aproveitar a temporada. Quem esperava uma virada real, no entanto, vai perceber que, mesmo em Roma, Emily continua andando em círculos.