Emmy Awards 2015: O bom, o mau e o feio

Emmy 2015

Continua após publicidade

[spacer size=”20″]

Continua após a publicidade

Mais uma edição do Emmy Awards aconteceu e mais uma vez as opiniões ficaram divididas. Em uma cerimônia monótona comandada por um apresentador apagado (o que é irônico, já que Andy Samberg se destacava quando volta e meia aparecia em alguma premiação), o Primetime Emmy merece repreensão, mas também muitos elogios. Em um ano fortíssimo para a televisão, a premiação não tinha favoritos legítimos. Enquanto muitos acreditavam na primeira vitória do épico da HBO, outros viam Mad Men vencendo pela quinta vez. Ainda havia os esperançosos que sonhavam com uma vitória de House of Cards. E não podemos nos esquecer dos iludidos e frustrados, como eu, cuja série favorita – The Knick, no meu caso – sequer fora indicada.

Continua após publicidade

Satisfeitos ou não, devemos reconhecer: o Emmy, ao contrário do Oscar, mostrou-se diversificado. Sem preconceitos, a premiação não se importou com a cor da pele ou com o sexo. Em uma indústria puramente machista, três mulheres venceram em categorias dominadas por homens. Lisa Cholodenko e Jill Soloway levaram a melhor em Melhor Direção em Série Limitada e Comédia, respectivamente. Jane Aderson também se destacou por levar o Emmy de Melhor Roteiro em Série Limitada. São pequenas-grandes vitórias que legitimam a valiosa batalha da mulher por um espaço de respeito. Representando as mulheres, também, temos Viola Davis, primeira atriz negra a vencer como Melhor Atriz – Drama. Em seu discurso – o melhor da noite –, Davis foi incisiva ao falar sobre raça e gênero em poucas, mas importantes palavras.

[spacer size=”20″]

Continua após publicidade

A melhor coisa da noite:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=685jYZGcFh8[/youtube]

[spacer size=”20″]

A 67ª edição do Emmy também merece destaque e elogios por reconhecer, pela primeira vez, uma série de fantasia, gênero visto com olhos poucos amistosos no transcorrer dos anos. Game of Thrones, sucesso absoluto da HBO, acabou não só sendo eleita como o Melhor Drama como se tornou o programa com maior número de vitórias em uma só premiação do Emmy. Só na noite de domingo foram quatro importantes estatuetas: Série, Direção, Roteiro e Ator Coadjuvante. Uma vitória notável depois de passar quatro anos vendo as concorrentes levarem o ouro.

[spacer size=”20″]

Drama

emmy-drama-series-nominations-2015-images

[spacer size=”20″]

Vamos deixar uma coisa bem clara: em minha humilde opinião, The Knick é a melhor série do ano. Ou melhor, do período de elegibilidade do Emmy. Para uma série concorrer ao prêmio ela precisa ser transmitida no período de 1º de junho de um ano até 31 de maior do ano seguinte. É por isso que séries como Hannibal, Fargo e True Detective ficaram de fora da festa, já que não apresentaram temporadas inéditas durante o período. Dito isso, o drama médico protagonizado por Clive Owen é a melhor coisa que a TV produziu nos doze meses de avaliação. O grande problema disso tudo? The Knick sequer foi indicada na categoria principal, sendo lembrada apenas em algumas categorias técnicas e em Melhor Direção.

Sem várias ótimas séries no páreo (Masters of Sex, The Good Wife, The Affair, Bloodline, The Americans, e por aí vai), qual dentre as indicadas merecia o prêmio? De cara a resposta se divide entre Mad Men e House of Cards. A vencedora, porém, acabou conquistando os votantes justamente por uma de suas temporadas mais irregulares. Ainda que tenha entregado episódios sensacionais (Hardhome é um dos melhores de 2015), o quinto ano de Game of Thrones começou mal. Com sérios problemas de ritmo, a série retornou se arrastando com tramas e personagens aborrecidos. Custou para recuperar o fôlego e impactar. Ainda assim, com percalços pelo caminho, Game of Thrones ainda se mostrou uma potência visual e narrativa.

Pena que a série não merecia nenhum dos prêmios que venceu. Não me entenda mal, pois adoro GoT; o problema é que em todas as categorias que ganhou, o show tinha concorrentes muitos melhores. O melhor ator coadjuvante deste ano era Jonathan Banks, por Better Call Saul, ou Ben Mendelsohn, por Bloodline, ambos fantásticos em seus papéis. Peter Dinklage merecia o prêmio na edição passada, quando concorreu à estatueta pelo episódio em que era julgado pela morte de Joffrey, não nesta. A série também não merecia vencer como Melhor Roteiro, já que o texto de Person to Person, series finale de Mad Men é impecável e realmente merecedor de prêmios.

A maior injustiça, porém, está na categoria de Melhor Direção. O melhor trabalho foi o de Steven Soderbergh, que dirigiu não só o brilhante piloto, mas também todos os episódios da primeira temporada de The Knick. A impecável direção técnica e de atores de Soderbergh acabou perdendo para o trabalho burocrático de David Nutter no episódio final de Game of Thrones. Ao menos a justiça foi feita e Jon Hamm finalmente levou o Emmy de Melhor Ator por sua atuação como Don Draper. Estatueta mais do que merecida.

[spacer size=”20″]

Comédia

emmy-comedy-series-nominations-2015-images

[spacer size=”20″]

As categorias de comédia foram dominadas basicamente por duas séries: Veep, da HBO, e Transparent, da Amazon. Modern Family saiu de seu posto de vencedora dominante e se tornou uma perdedora retumbante, indo embora da festa de mãos vazias. Veep, por outro lado, levou quatro estatuetas: Melhor Série – Comédia, Melhor Atriz, Ator Coadjuvante e Roteiro. De todas estas vitórias, digamos que apenas uma é realmente merecida.

Veep é excelente. Com roteiro esperto e ágil, é um programa diferente, verborrágico, politizado. Ainda assim, Julia Louis-Dreyfus e Tony Hale não mereciam vencer novamente. Não concordo com vitórias consecutivas de uma mesma pessoa ou programa quando se tem tantos concorrentes merecedores. Assim, faço parte do grupo que acredita que a ampliação de votantes do Emmy acabou mudando o rumo das coisas. Até ano passado, um número limitado de pessoas votava em cada categoria. Em 2015 o número foi elevado consideravelmente. Muitos acreditam que essa mudança fez com que séries e artistas mais populares vencessem nesta edição. Além disso, com um número vasto de eleitores, os votos parecem ter se concentrado em poucos programas: Drama foi dominado por GoT, Comédia por Veep e Série Limitada por Olive Kitteridge, além de tudo ter sido dominado pela HBO, que voltou a ser uma potência no Emmy (o canal teve 43 vitórias enquanto a NBC, segunda colocada, teve 12).

De qualquer forma, Veep é uma comédia realmente interessante e merece reconhecimento, o que acaba justificando seu enorme destaque. Transparent, uma das melhores estreias do último ano, levou duas estatuetas mais do que merecidas: Ator,para Jeffrey Tambor, e Direção, para Jill Soloway. A lamentar apenas o fato de Louie ter sido completamente esquecida, sendo que esta é uma das melhores – se não a melhor – comédias da atualidade.

Pontos finais:

#Ainda que muitos não conheçam ou não tenham assistido, Olive Kitteridge é fantástica e mereceu cada Emmy conquistado. É uma produção impecável da HBO que merece ser vista por mais pessoas.

#Além do belíssimo discurso de Viola Davis, outros momentos que merecem menção honrosa são o discurso de Jeffrey Tambor, o breve momento de Tracy Morgan e a abertura musical protagonizada por Samberg, um dos poucos momentos relevantes do apresentador.

#Vergonhosos foram os discursos de Peter Dinklage e, principalmente, Frances McDormand, que parece estar sempre de mau humor ou contrariada.

#Não assisti a todas as indicadas na categoria de Documentário/Série de Não-Ficção, mas dificilmente alguma seria melhor que The Jinx, outra jóia da HBO.

#É simplesmente absurdo o fato de The Knick não ter sido indicada para Melhor Trilha Sonora. As composições de Cliff Martinez são impecáveis e não só mereciam a indicação como a vitória.

#Na categoria de Melhor Animação, preciso confessar que sou fã de Gravity Falls, mas Over the Garden Wall é linda.

#Ainda no campo das animações, não consigo entender como Hora de Aventura pode ganhar de Apenas um Show.

#Terrence Howard sempre causa constrangimento ao apresentar prêmios. Desta vez não foi diferente.