O final da 2ª temporada de The OA explicado; Entenda o que aconteceu

Assim como a primeira temporada, a segunda parte de The OA coloca uma porção de pulgas atrás da orelha do público

O final de The OA, como não poderia deixar de ser, deixa a audiência de queixo caído por uma série de motivos: primeiro pelo gancho, que deixa em aberto diversas questões; segundo pela coragem, já que nenhuma série na memória recente arriscou tanto ao finalizar uma temporada.

Neste post, tentaremos explicar o final, além de levantar algumas questões e responder outras. Aqui, debateremos apenas o final, fazendo pequenos resgates de cenas e diálogos de capítulos anteriores apenas para contextualizar o que acontece na hora final. Em breve, em um post especial, revelaremos nossas teorias, perguntas e respostas sobre toda a temporada, desvendando o complexo universo de The OA, assim como fizemos no primeiro ano.

Não é preciso dizer que o texto está repleto de spoilers, certo?

Então, vamos lá:

O que aconteceu no final da segunda temporada de The OA?

Você deve estar lendo este texto porque já assistiu a toda temporada de The OA, certo? Sendo assim, é possível que comecemos a traçar nossas ideias a partir dos momentos finais, correto? Então, vamos dividir a explicação em três, pois são três núcleos que acompanhamos no capítulos final: o de OA/Hap/Homer, o de Karim na casa e o de BBA e companhia.

OA/Hap/Homer

Prairie/OA começa o episódio basicamente como “outra” pessoa: Nina, a sua versão na Dimensão 2 (a dimensão que Karim habita e que acompanhamos neste temporada). Isto porque Prairie foi aconselhada a deixar que Nina aparecesse. Quando ocorre um “salto” e uma pessoa viaja para outra dimensão, ela habita o corpo de sua versão alternativa, neste caso Prairie “pulou” e habitou o corpo de Nina. Quando alguém habita o corpo de outro, não é como se o habitante original desaparecesse por completo: o novo habitante pode acessar lembranças e segredos do original. Prairie então mergulha na banheira para simular o afogamento que sofreu enquanto criança, pois este é o momento em que a história dela e de Nina se separam. Com isso, ela liberta tudo o que há de Nina dentro de si.

Ela então chega ao prédio onde Hap trabalha como Prairie, mas com o lado “Nina” liberto. Com isso, Prairie decide enganar Hap, se passando por Nina. Por que ela faz isso? Nina, na dimensão 2, investiga a questão do multiverso e, por isso, acaba patrocinando estudos que ajudem na compreensão do multiverso. Hap, na dimensão 2, toca um importante estudo sobre o caso, estudo este que é patrocinado por Nina. Isso é algo que Prairie não poderia saber sem ter deixado as lembranças de Nina virem à tona. Hap sabe disso e, assim, passa a revelar os segredos de seu estudo para Prairie/Nina.

O que ele revela é o seguinte:

as pessoas que jogam o jogo online (também patrocinado por Nina e seu parceiro) e entram na casa misteriosa (onde Karim está), avançando no labirinto da residência, têm algo despertado em suas mentes. A casa é um gatilho para despertar a “semente”, mas é muito mais que isso (como veremos a seguir). Hap (com a ajuda de Rachel) está pegando os corpos adormecidos daqueles que entram na casa e “enlouquecem”, pois estes tiveram as “sementes” despertas. Quando a tal “semente” é disparada, um pequeno ramo sai do ouvido das vítimas.

Este ramo, que pode crescer e render folhas e flores, trazem revelações sobre o multiverso e as inúmeras dimensões paralelas. É através destas informações, que surgem nestes ramos, que Hap tenta montar um mapa do multiverso, para tornar mais fáceis os “saltos” entre dimensões. Só que para manter o surgimento destas informações, Hap mantém as pessoas presas em uma piscina, num estado vegetativo enquanto as plantas que saem de seus ouvidos possam crescem e fornecer novas informações. Na piscina encontram-se, entre outros, Steve, French e demais rostos conhecidos.

A sequência final

Neste momento, Prairie fica chocada e esquece o disfarce, deixando transparecer sua real identidade. Hap, que parece ter descoberto a jogada desde o início, continua falando com Prairie, pois, segundo ele, ela tem papel fundamental no descobrimento das dimensões, algo que já havia sido proposto por Elodie anteriormente: Prairie, Hap e Homer possuem laços fortíssimos, que permanecerão indeléveis independente dos “saltos” e das dimensões.

Isso nos leva à sequência final, onde Hap e OA estão do lado de fora do prédio. Cinco máquinas começam a executar os movimentos que abrem os portais para outras dimensões. OA se recusa a ajudar Hap, dizendo que não iria participar do insano projeto, e que levaria ambos para uma dimensão onde os dois estariam mortos. Hap, então, come a pétala de uma flor, retirada da piscina, e ao ingeri-la, recebe informações de outra dimensão. Não fica claro, mas talvez seja esta informação que ajuda na viagem para a Dimensão 3, permitindo que Hap tenha mais controla sobre o salto.

Antes do salto se concretizar, Homer surge e dá um soco em Hap. Hap dá um tiro em Homer, que cai nos braços de OA e mostra que se lembra de tudo. Bem como, que irá procurá-la em qualquer dimensão possível. É então que as coisas ficam mais insanas. OA, com maior domínio sobre os saltos e comprovando ser o Anjo Original (Original Angel), passa a flutuar. Uma luz (que remete a uma auréola) brilha atrás de sua cabeça enquanto ela sobe aos céus. Neste momento, ela parece ter total controle sobre o multiverso. Sendo assim, se conecta a Karim, que abriu a janela da casa misteriosa e espiou para o que possivelmente seria uma fraqueza no tecido entre as dimensões.

OA, contudo, é desequilibrada por uma pomba branca e cai, encerrando o que quer fosse o processo de levitação e finalizando o salto. Com isso, OA e Hap viajam para outra dimensão, que iremos chamar de Dimensão 3.

Mas antes, vamos ver o que está acontecendo com o detetive Karim, na casa misteriosa:

Aqui, valem apontar duas coisas que são interessantes e, por mais que pareçam bobas, refletem o desfecho. Primeiro é que o mosaico de cerâmicas montado no chão, para “abrir” o labirinto, forma um imenso tronco de árvore. É possível ver os anéis do caule (um indicativo da idade da árvore) e o formato. Esse detalhe conecta toda a ideia envolvendo árvores e raízes. Ao cair nas raízes de uma árvore simbólica, Prairie fica sabendo que quando uma árvore está doente, as demais ao seu redor se juntam para ajudá-la, numa conexão profunda e complexa de raízes. É isso que OA deve fazer, montar uma “tribo” para impedir que o “mal” prejudique OA, seus aliados e o multiverso.

Ao montar o mosaico, Karim entra na casa, e a melhor coisa que ele vê, antes de chegar na janela final, é um verso de T.S. Eliot, que diz:

We shall not cease from exploration
And the end of all our exploring
Will be to arrive where we started
And know the place for the first time.

Não entendeu? Então veja a tradução:

Não cessaremos nunca de explorar
E o fim de toda nossa exploração
Será chegar ao ponto de partida
E o lugar reconhecer ainda

E o fim de toda nossa exploração será chegar ao ponto de partida. 

É um prenúncio do que acontecerá nos momentos derradeiros da segunda temporada. Sendo assim, ao chegar ao fim da história, voltaremos ao início. Onde tudo começou, na Dimensão 3, que também pode ser vista como a nossa dimensão. A origem de The OA. 

Karim continua sua odisseia e chega à janela. Ao abri-la, ele tem uma visão privilegiada do que acontece no multiverso. Supomos que a janela revele momentos em que o multiverso entra em colapso e ocorre um salto. Ao espiar, ele acompanha o que está acontecendo com Hap e OA do lado de fora do prédio de Hap e também vê o salto e para onde eles foram, na Dimensão 3.

Enquanto isso, na Dimensão 1, BBA, Steve, French, Buck e Angie procuram por rastros de OA na outra dimensão. Isto porque BBA pode sentir outras dimensões. Ela sente a presença de OA e junto ao grupo, segue o trajeto da moça pelo prédio de Hap. Ao encontrarem o lugar onde o salto será dado, o grupo também começa a executar os movimentos. Tudo ocorre ao mesmo tempo em que Prairie e Hap conversam e saltam na Dimensão 2, e os saltos ocorrem ao mesmo tempo, fazendo com que OA, Hap e provavelmente todos os outros viagem para a Dimensão 3.

E o que é a Nova Dimensão?

É a dimensão onde OA é a protagonista de um programa de TV, The OA. Vemos os personagens em um estúdio de gravação. OA caiu e bateu com a cabeça durante as gravações assim que o salto ocorreu. Prairie/OA agora é Brit. Brit é o nome da atriz da série, Brit Marling. Hap se chama Jason Isaacs, ator que lhe dá vida na série.

Isso quer dizer que tudo o que vimos na série não existiu? Sim, tudo existiu, mas em outras dimensões. Lembre-se: algumas pessoas possuem laços muito profundos, tão conectados que estas pessoas estão ligadas na maioria das dimensões. Hap e OA têm uma conexão muito forte. Entretanto, não quer dizer que seja uma conexão saudável, já que ela aprece o antídoto para a maldade de Hap (como a Árvore revela à Prairie). A conexão é tão forte que eles se conhecem todas as dimensões até agora. Sendo assim, em uma ele era cientista e ela uma rica investidora russa. Em outra, ele também pesquisa, mas de forma muito mais obscura, enquanto OA é uma moça cega adotada por uma família americana. Além disso, em outra, os dois também estão conectados, mas ambos são atores.

Eles são casados na Dimensão 3? Não confie nisso, pois é Hap quem nos dá essa informação, e ele pode estar apenas mentindo para poder ficar perto de OA e não perdê-la de vista.

E a nossa teoria?

Acreditamos que a versão de OA na Dimensão 3 é uma roteirista chamada Brit que é capaz de ver ou ao menos receber informações de outras dimensões. Ao ter essas visões ou memórias de outras versões suas, ela resolve criar uma série de TV que conta toda a história.

Em cada dimensão ela possui um irmão, uma pessoa que a ajuda na saga do multiverso. Na Dimensão 1 é o agente do FBI Elias (como ele mesmo revela), na Dimensão 2 é possível que seja Karim e na Dimensão 3? Apostamos que seja Zal Batmanglij, o co-criador de The OA, o cara que escreve os capítulos ao lado de Brit, produz e dirige os episódios, ajudando a visão de Brit/Prairie/Nina, o Anjo Original, chegar às telas.

Tudo é uma especulação, claro, mas o louco final da segunda temporada não aponta para um final derradeiro. A história deve continuar, se renovada, na Dimensão 3, flertando com a metalinguagem. É preciso entender que, apesar de insano e corajoso, o final não é complicado. Os personagens apenas saltaram para outra dimensão, assim como fizeram no final da primeira temporada.

Finalizando: como ficam as coisas daqui para frente?

OA: bateu a cabeça e está desacordada. É possível que ela não se lembre dos poderes que tem, e dos amigos que possui. Steve será fundamental neste cenário. Ela inclusive fala para Homer, antes dele morrer na Dimensão 2, que é possível que eles não se conheçam no lugar para onde estão indo.

Hap: deve seguir tentando conhecer e usar as benesses do multiverso. Ele é um perigo para o multiverso, um perigo que pode ser contido por OA. Como ela pode estar em perigo e ter esquecido de tudo, Hap estará um passo na frente. Sorte que Steve pulou para a mesma dimensão.

Steve: é quem vai ajudar OA. Ele pode ser um dos “irmãos” de OA, aquele que a ajuda na intrincada rede do multiverso.

Karim: o detetive permanece na Dimensão 2, mas agora tem conhecimento do multiverso e pode ajudar OA. Ele agora conhece a casa, e pode usar a casa para chegar até OA ou ajudá-la de longe. Por que a casa “chama” por Karim? A casa – ou o que há na casa ou embaixo dela – quer ajudar OA a preservar o multiverso. Karim é o “irmão” de OA, aquele que a ajuda. Assim, a casa quer Karim, pois é ele que pode ajudar OA.

BBA e os demais: não sabemos o que aconteceu, pois vimos apenas Steve desmaiando. Não sabemos se eles pularam para outra dimensão. Caso tenham pulado, para onde foram? O destino deles é incerto.

E o fim de toda nossa exploração
Será chegar ao ponto de partida

Assim como a primeira temporada, a segunda parte de The OA coloca uma porção de pulgas atrás da orelha do público.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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