Especial Dia da Mulher – isso não é uma homenagem

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“Eu gosto de ser mulher“, como já diria Maria Bethânia!

Mesmo que seja tão difícil, mesmo que sejamos tão julgadas, mesmo que não exista mais “machismo” e essa “”reclamação”” toda que gritamos tanto nas redes sociais seja coisa de feminista “””cabeluda””” e “”””mal comida””””, like me, pelo jeito.

Muitas de nós assumiram, como uma consciência coletiva, a alegria de ver outras ~manas arrasando por aí. Isso já virou uma atitude comum, assim como a ideia de defender nosso espaço com unhas, dentes e e muitos hormônios, sim, por favor. A união desses dois movimentos criou a supracitada Primavera Feminista, que eclodiu em 2015 e transformou as brasileiras. Se antes (algumas de) nós baixávamos as cabeças para opressão, hoje levantamos e quebramos tudo sim, por que não?

Essa mesma revolução surgiu no mundo das séries há muito mais tempo. Mas não estou falando apenas de protagonistas femininas, estou falando daquelas que são completamente DONAS das suas histórias, e exemplos dessas poderosas não faltam mesmo.

AS PIONEIRAS

Muita gente vai chiar sim, azar, mas não tem como não apontarmos a grande revolução surgindo a partir de Sex and the City. É SIM, GENTE! “Ahhhh, mas elas só se preocupam com roupas e homens…” PÔ PARAR, HEIN! Você viu a série? Se não viu não sabe do que tá falando, e se viu, é melhor rever porque tá errado, miga! SATC trouxe uma protagonista feminina solteira, bem sucedida e balzaquiana. As coadjuvantes, assim como ela, também eram trintonas, solteiras e bem sucedidas. Claro que o sexo é muito importante na história, mas não dá para negar a grande revolução que Carrie e suas amigas trouxeram para a tv. Mostrando vidas glamourosas, quebrando tabus da solteirice, levando camisinhas nas bolsas e mostrando que o Príncipe Encantado não deve ser a sua prioridade de vida, tá!

Mas se a questão é revolução na TV, temos que voltar no tempo láááá para o início dos anos 80, com a incrível Malu Mulher. Escrita por Manoel Carlos (no seu auge) e protagonizada por Regina Duarte, a minissérie mostrava uma mulher recém divorciada retomando a vida. O clássico “cooomeçaar de nooovo…” embalava os capítulos, e mostrou Malu beijando outras bocas, descobrindo a pílula anticoncepcional, e chocando a família tradicional brasileira, lógico. Aliás, se o tema for dramaturgia brasileira, podemos citar várias Helenas, Porcinas, Tietas lacradoras e Babalus poderosas. Todas elas criadas por homens, vejam só, o que mostra um grande traço da época. A mulher era protagonista, mas não autora da sua história, estranho isso, né? Mas vamos seguindo!

Mas é claro que uma mudança verdadeira vemos mesmo quando é a mulher que encabeça todas as frentes, ocupando espaços que até então ela pouco ocupada. Lógico que estou falando de Shonda Rhimes, dona e proprietária do universo Shondaland, onde transitam mulheres incríveis e poderosas como Annelise Keating, Olívia Pope, Meredith Grey, Christina Yang, entre tantas outras. Algo em comum entre elas e a própria Shondanás? Todas são protagonistas de suas vidas, todas são rainhas, todas levam tombos mas levantam ainda mais poderosas.

Claro que no Brasil temos também as nossas próprias criadoras que sempre quebraram barreiras, algumas décadas antes de Shonda, como Janete Clair e Ivani Ribeiro, pioneiras da dramaturgia e rainhas da nossa história. Atualmente é impossível não lembrar de Glória Perez (“mãe” de Jade, Sol e Morena, as protagonistas que definiam seu destino sem esperar os homens bundões de suas vidas tomar alguma posição) e também Lícia Manzo, Martha Medeiros, e várias outras autoras que fariam esse texto ser gigantesco ao citá-las.

Só que, mesmo com muitas mulheres ocupando espaço que até então só os homens ocupavam, nem sempre o salário é equivalente, aliás, NUNCA é. Afinal, já é de conhecimento público que as mulheres ganham 30% menos que os homens. Cansadas disso, atrizes como Robin Wright de House of Cards e Kaley Cuoco de TBBT, exigiram salários equivalentes aos seus protagonistas e, vejam só, CONSEGUIRAM. Vitórias assim nos mostram que é possível ver mudanças, mesmo que na realidade de cada uma de nós isso pareça tão distante.

AS PERSONAGENS

E para encerrar esse texto, eu resolvi fazer um pequeno mural com as personagens mais feministas, pioneiras, poderosas e prafrentex do mundo das séries, realitys e novelas também, por que não, né!

Tracy Gordon – Vocês já viram Chewing Gum? Se ainda não, corram para o Netflix para ver a série da jovem cristã que quer perder a virgindade e acaba descobrindo muito mais sobre quem ela realmente é. Engraçada, divertida e tocante. Vale muito a pena.

 

Tieta – Linda, passional e apaixonada pela vida, que lhe ensinou a controlar os instintos e combater qualquer preconceito. Essa era Tieta (que está voltando no Viva), que lá nos 80 quebrava paradigmas e mostrava a real para aquele povo atrasado. Saudades de novelas assim, aliás.

Stella Gibson – A protagonista da série The Fall também tem obrigação de estar nessa lista. Solteira e liberta, sexualmente falando, o tempo todo ela solta alguma pérola sobre o machismo que a cerca. Esse jeito de ser da personagem é um dos grandes atrativos da série.

Rae Earl – Claro que a linda Rae, protagonista de My Mad Fat Diary estaria aqui. Na série acompanhamos a adolescência dela, logo após a sua auto-mutilação. Vemos ela se odiar, e também vemos a sua descoberta do amor próprio. Série para quebrar a cara dos gordofóbicos.

Dona Picucha – Sou apaixonada por essa personagem criada pelo mago Jorge Furtado e interpretada pela diva Fernanda Montenegro. Idosa e cheia de vida, Dona Picucha interfere na vida de todos e ainda tem suas próprias histórias para contar. Que saudade dessa linda!

Maura Pfefferman – Sim, eu poderia ter escolhido a Nomi, protagonizada por uma atriz trans mesmo, mas se a ideia é citar personagens que quebram muitas barreiras, tenho sim que lembrar de Maura. Nós estamos acompanhando toda a transição da protagonista de Transparent, e essa história merece sua atenção.

Eleven – Lógico que a DONA de Stranger Things estaria nessa lista. Eleven é a verdadeira protagonista da série. Uma menina dos anos 70/80 que não cai em estereótipos, que não baixa a cabeça e que define seu próprio destino. Rainha!

Ana Paula Renault – Vocês achavam mesmo que a rainha do BBB não estaria aqui? HAHA! Exagerada, irreverente, inteligente, feminista SIM e poderosíssima, Ana Paula enfrentou um abusador, deu a cara a tapa, não baixou a cabeça e riu de quem a chamou de louca.

Addison Montigomery – Escolhi a ruiva poderosa do batomzão vermelho, a minha protagonista favorita do universo Shondaland, para representá-la nessa lista. Addison chegou partindo corações e pegando quem queria, depois ganhou sua própria série e continuou fazendo a mesma coisa. SDDS!

Por fim, realmente ser mulher não é fácil, e não, isso não é uma homenagem! E sei, assim como você, o quanto incomoda essa definição de homenagem em uma data que deveria ser de luta e reavaliação da sociedade.

O que nós queremos é um mundo mais justo, um mundo onde nosso salário é igual ao do coleguinha homem que faz o mesmo serviço, um mundo onde nosso útero (e a possibilidade de engravidar) não seja determinante na hora de uma promoção, um mundo onde usar uma saia curta (como as da saudosa Kalinda) não nos torne culpadas pelo possível abuso que sofreremos, um mundo onde nossos companheiros (ou ex companheiros) não se sintam donos dos nossos corpos ou nossas vidas, um mundo sem feminicídio, sem estupro, sem abusos a cada 8 minutos, um mundo melhor. É possível? Até é, mas depende de todxs nós.

Vamos nos inspirar nessas personagens e personalidades maravilhosas e mudar o mundo de todas nós? Dá sim, gente! Partiuu!!!

 

 

Letícia Bastos

Letícia Bastos

Publicitária, social media, mangaká e dançarina em protestos. Também sou apaixonada por séries e admito que novelas são meu Guilty Pleasure. Apaixonada por comédias cult/pop/nerd, ainda pretendo fundar uma seita para os Adoradores de Arrested Development. Aqui no Mix sou editora de Realitys Show e escrevo as reviews de todos os realitys do mundo, como Masterchef BR, The X Factor UK e BR, The Voice US, AUS e BR, BBB e RuPauls Drag Race.

2 comments

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  1. Eduardo Nogueira
    Eduardo Nogueira 8 março, 2017 at 14:08 Responder

    Preciso buscar meu queixo no chão, pq ele caiu diversas vezes. Como sempre, vc chega matando, com textos impressionantes e de se aplaudir de pé. Orgulho sempre e pra todo o sempre! <3

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