Especial True Blood – O adeus a Bon Temps

PARTE 1 – Uma breve história e um agradecimento

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Quando True Blood estreou no sétimo dia do mês de setembro de um já longínquo 2008, eu tinha pouco contato com séries de TV. O único programa que costumava acompanhar efetivamente era Lost (sim, sempre fui fã e espero que respeitem), e meu maior interesse naquela época era o Cinema. A televisão, ainda que convidativa, não me despertava tanta curiosidade. Em 2010 entrei de vez no mundo televisivo. Foi nesse ano que comecei a assistir programas de qualidade em grande quantidade e meu amor pelo Cinema teve que se dividir com o amor pelas séries. De lá pra cá assisti inúmeros episódios e conheci grandes personagens. Poucos, porém, ganharam espaço de respeito no coração.

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A primeira vez que senti um aperto no peito e uma tristeza pelo fim de um programa foi justamente na polêmica series finale de Lost. Lembro de ter passado horas pensando no fato de que eu nunca mais assistiria um novo episódio daquela história cujos personagens e reviravoltas passei a admirar com o passar dos anos. Esse aperto aliado à tristeza ocorreu, no mínimo, outras duas vezes: nos últimos episódios de Breaking Bad e Six Feet Under (esta, aliás, possui a melhor series finale que já vi). A Sete Palmos, como é conhecida no Brasil, inclusive, é criação de Alan Ball, o criador de True Blood. O adeus a Bon Temps e seus habitantes é outro que promete ser doloroso.

Conheci True Blood, sua história e personagens em uma revista que trazia uma reportagem especial sobre a estreia da segunda temporada nos Estados Unidos. Lembro de ter gostado da ideia e ter achado tudo muito interessante. Ainda assim, fechei a revista e a série vampiresca ficou ali, adormecida. Páginas viradas.

Poucos meses depois, quando o segundo ano já havia chegado ao fim, resolvi dar uma chance para a série e comecei a assistir a primeira temporada. O que mais me motivou foi o fato do criador do programa ser Alan Ball, roteirista de um de meus filmes favoritos: Beleza Americana. Piloto assistido, vício criado. É aquela velha história: “por que não assisti isso antes?”. Devorei a primeira temporada em dois ou três dias e já parti para a segunda. Os dois primeiros anos de True Blood são os melhores; a segunda temporada, aliás, foi indicada ao Emmy de Melhor Série Dramática. Minha temporada preferida, porém, é a primeira. Todo o mistério envolvendo os assassinatos, a sensação de novidade e a bizarrice um tanto contida fazem do primeiro ano o mais sensato e mostram toda a capacidade que True Blood tem quando resolve fazer as coisas do jeito certo.

Nos dois primeiros anos, True Blood era um sucesso definitivo. Sucesso de público e crítica, uma das séries mais despudoradas da HBO era daqueles programas envolventes que conquistavam fãs a cada episódio e esperar uma semana para assistir um novo capítulo era um sacrifício. É bem verdade que a partir da quarta ou quinta temporada as coisas foram ficando feias e o caminho tortuoso, mas não estou aqui para criticar. Respeito muito True Blood e, como manda a regra, não se fala mal dos mortos. Depois que morre – ou enquanto está morrendo – tudo e todos viram santos.

Fico feliz, portanto, que depois de quase cinco anos acompanhando True Blood eu tenha agora este espaço para me despedir e agradecer, ainda que nenhum responsável pela série tenha acesso a estas palavras. Obrigado Alan Ball e toda a equipe. Anna Paquin, Stephen Moyer, Alexander Skarsgard e todo o elenco. Obrigado HBO. Obrigado por terem criado e levado ao ar por sete anos o melhor guilty pleasure que poderíamos ter; aquela série que o cérebro manda odiar, mas teimamos em pensar o contrário. É chegada à hora do fim. True Death. True End.

 

PARTE 2 – Alguns pontos curiosos e aleatórios

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Brooke Kerr como Tara?

True Blood poderia ter sido muito diferente de como a conhecemos. Tara Thornton, por exemplo, seria interpretada por Brook Kerr. A atriz chegou a filmar os dois primeiros episódios da primeira temporada, mas foi substituída pela Rutina Wesley, que refez todas as cenas. Será que a personagem seria menos odiada pelo público caso Kerr a interpretasse até o fim? E você já imaginou Alexander Skarsgard, o Eric, sendo Bill? Pois é. O sujeito fez testes para interpretar BillCompton, mas no final ficou como Eric. Outro personagem que teria um rosto diferente é Jason. O irmão da protagonista seria interpretado por Ian Somerhalder, o Damon Salvatore da The Vampire Diaries. Tente imaginar como seria caso tudo isso se concretizasse…

Os vampiros da HBO não só fizeram bonito com o público e crítica, como também se destacaram no Emmy. A primeira temporada foi indicada em três categorias, vencendo o prêmio de Melhor Elenco – Drama. A elogiada abertura – indicada como uma das melhores daquele ano – perdeu para a de United States of Tara. O segundo ano recebeu cinco nomeações; não levou nenhum prêmio, mas foi indicada como um dos melhores dramas de 2009/2010. A terceira temporada foi nomeada em quatro categorias. Depois disso, True Blood foi lembrada apenas outras duas vezes pela Direção de Arte do quinto e do sexto ano. Nos Globos de Ouro a série apareceu em dois anos: a primeira e segunda temporadas foram indicadas para Melhor Série e Melhor Atriz, para Anna Paquin, sendo que a intérprete de Sookie venceu no primeiro ano.

A abertura, embalada por Bad Things de Jace Everett, mostra cenas aleatórias envolvendo sexo, violência, religião, morte e inocência. Repare que a sequência começa pela manhã e termina à noite, com um batismo. Pois bem; a intenção dos produtores era mostrar o ponto de vista de um ser sobrenatural que observa a vida humana durante um dia, começando pela manhã, passando pela infância/inocência (as crianças vistas comendo frutas vermelhas que lembram sangue são filhos de um dos responsáveis pela abertura), pelo sexo (quanto mais se aproxima da noite, as coisas ficam mais explícitas), preconceito e terminando com a redenção representada no batismo que encerra a sequência. É um belo trabalho que você pode conhecer melhor AQUI, em nosso texto especial.

Com relação aos livros que inspiraram a série, são poucas as semelhanças. A primeira temporada é mais fiel ao material original; de resto, quase tudo muda. Tara, por exemplo, entra apenas no segundo livro e não é uma personagem muito importante. Na série, ela é a melhor amiga da protagonista e tem um bom espaço na trama. Bill não parece tão importante na versão literária como é na televisiva. Ah, e no fim – SPOILER! SPOILER! – Sookie não fica nem com Bill, nem Eric ou Alcide. Quem ganha o coração da moça definitivamente é Sam Merlotte, que praticamente já teve seu fim oficial na TV.

E True Blood chega ao seu fim. Foram sete temporadas cheias de altos e baixos, caminhando, como muitos costumam dizer, aos trancos e barrancos. Pra quem assistiu até aqui, porém, a jornada deve ter sido satisfatória. Ou minimamente interessante. Pratrue-blood-season-7-pays-tribute-to-fallen-characters mim foi uma grande experiência. Não me arrependo de ter perdido todo esse tempo assistindo e escrevendo sobre a série, pelo contrário, estou agradecido e satisfeito. Serei sempre grato por Alan Ball ter ido ao dentista numa bela tarde e no caminho ter passado em uma livraria, conhecendo assim os livros que deram origem à série. True Blood se vai e a saudade fica. Séries, diferente de vampiros, infelizmente, não são eternas.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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