Euphoria | O que acontece com Jules no final da série?

A 3ª temporada de Euphoria trouxe decisões criativas que dividiram o público, mas nenhuma gerou tanta frustração quanto o final de Jules.

A terceira temporada de Euphoria trouxe decisões criativas que dividiram o público, mas nenhuma gerou tanta frustração quanto o tratamento dado a Jules. Considerada uma das personagens mais importantes da série desde o início, sua presença nesta fase levanta uma questão inevitável: ela ainda fazia parte da história ou foi simplesmente deixada de lado?

Para muitos fãs, Jules sempre foi essencial. Mais do que apenas um interesse amoroso, ela funcionava como o ponto de equilíbrio emocional de Rue, alguém que representava esperança, identidade e possibilidade de mudança.

Jules sempre foi o coração emocional de Euphoria

Desde a primeira temporada de Euphoria, a dinâmica entre Rue e Jules foi um dos principais motores da narrativa. Enquanto Lexi desempenhava o papel de amiga racional, Jules era quem realmente inspirava Rue a querer ser alguém melhor.

Rue não apenas gostava de Jules. Ela a admirava profundamente, enxergando nela uma versão de si mesma que gostaria de alcançar. Essa conexão sempre foi central para o desenvolvimento da protagonista.

Por isso, a forma como Jules aparece na terceira temporada causa estranhamento. Sua participação é mínima e, no momento mais importante, ela sequer tem falas.

Ausência de desenvolvimento prejudica o impacto da história

Um dos pontos mais criticados é a falta de arco narrativo para Jules. Em uma temporada que se propõe mais madura e realista, sua trajetória simplesmente não evolui.

Isso se torna ainda mais problemático quando consideramos que metade do público acompanha a série justamente pela relação entre Rue e Jules. A ausência de um fechamento adequado entre as duas enfraquece o impacto emocional da história.

A decisão de reduzir Jules a uma figura quase decorativa no final transmite a sensação de que sua importância foi ignorada.

Decisões da personagem entram em conflito com sua essência

Outro aspecto que chama atenção é o caminho escolhido para Jules. Ao longo de Euphoria, ela sempre foi retratada como alguém impulsiva, corajosa e disposta a correr riscos para viver de forma autêntica.



No entanto, nesta temporada, ela parece presa a uma vida confortável que não combina com sua essência. A escolha de depender financeiramente de Ellis, abrindo mão de seus sonhos artísticos, soa contraditória.

Jules sempre quis ser artista. Esse desejo era claro desde o início de Euphoria. Abandonar esse objetivo sem um desenvolvimento convincente enfraquece sua construção como personagem.

A relação com Ellis simboliza uma prisão disfarçada

Euphoria review do final da serie
Imagem: HBO.

A relação de Jules com Ellis adiciona outra camada ao problema. Embora ofereça conforto e estabilidade, essa dinâmica também limita sua liberdade.

Ela passa a viver em um ambiente luxuoso, mas controlado, onde suas escolhas são restritas. A metáfora é evidente. Jules parece presa em uma gaiola invisível, cercada por privilégios que, na prática, a afastam de quem ela realmente é.

Essa mudança reforça a ideia de estagnação. Mesmo com uma vida aparentemente melhor, Jules não evolui emocionalmente.

Falta de conexão com o restante da trama

Outro ponto que pesa contra a temporada 3 de Euphoria é o isolamento da personagem. Jules se distancia de todos ao seu redor, incluindo aqueles que antes eram fundamentais em sua vida.

Sem Rue e sem uma rede de apoio, ela se torna cada vez mais solitária. Essa desconexão torna sua trajetória menos relevante dentro do conjunto da narrativa.

Final deixa mais perguntas do que respostas

No encerramento da temporada, Jules permanece ao lado de Ellis, sem qualquer indicação clara de mudança. O momento em que ela finaliza uma pintura de Rue sugere algum tipo de avanço emocional, mas isso não é desenvolvido.

A cena levanta interpretações, mas não oferece respostas concretas. Isso reforça a sensação de que sua história ficou incompleta.

Euphoria realmente amadureceu seus personagens?

Um dos argumentos de quem defende a temporada é que Euphoria passou a retratar uma realidade mais adulta. No entanto, ao observar Jules, essa ideia perde força.

Apesar do cenário diferente, seus conflitos continuam os mesmos. A diferença é que agora ela enfrenta tudo sozinha, sem o apoio que tinha antes.

Isso levanta um questionamento importante. Os personagens realmente evoluíram ou apenas mudaram de ambiente mantendo os mesmos padrões?

O futuro de Jules ainda é incerto

Mesmo com todos os problemas, ainda existe potencial para desenvolvimento além da série. A pintura de Rue pode representar um ponto de virada, indicando que Jules talvez volte a buscar seu caminho artístico.

No entanto, a falta de construção ao longo da temporada dificulta essa possibilidade. Sem um arco consistente, qualquer mudança futura corre o risco de parecer desconectada.

A terceira temporada de Euphoria falha ao não dar a Jules o espaço que ela merece. Ao reduzir uma personagem tão importante a um papel secundário, a série compromete parte de sua própria identidade.

Jules sempre foi mais do que uma coadjuvante. Ela era o reflexo das emoções de Rue e um dos elementos mais humanos da história.

Ignorar isso não apenas enfraquece a personagem, mas também diminui o impacto geral da narrativa. Para muitos fãs, essa é uma oportunidade perdida que dificilmente será ignorada.



Euphoria | O que acontece com Jules no final da série?
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.