Falas Negras: um especial importante para o público e para a própria Globo

Falas Negras Globo

“Só existe um lugar pior do que o porão dos navios negreiros… O lugar para onde todos os donos de escravo vão um dia”

No dia da Consciência Negra, a Rede Globo exibiu o especial “Falas Negras”. Dirigido por Lazaro Ramos, o projeto veio com a premissa de reproduzir com atores famosas falas de importantes personagens na luta negra ao longo dos anos. Com pesada divulgação nos comerciais da emissora, o especial criou uma expectativa em particular com a participação de Taís Araújo interpretando a vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro há quase três anos, ainda sem mandante conhecido.

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O programa de quarenta minutos contou com nomes de destaque na Globo, como: Babu Santana, Airton Graça, Taís Araújo, Silvio Guindane e muitos outros. A idealização da obra é de Manuela Dias, autora de Amor de Mãe. Ao longo dos minutos na tela do canal mais assistido do Brasil, “Falas Negras” transmite poderosos discursos que, infelizmente, ainda são atuais.

Começando do século 17 e terminando em 2020, o paralelo mostra pouco avanço nas relações sociais e apresenta ao grande público nomes que podem não ser reconhecidos de primeira, como o do renomado geógrafo Milton Santos e James Baldwin, peça central do documentário “I Am Not Your Negro”.

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Falas Negras Globo

Imagem: Divulgação.

Produção no mundo com COVID

As produção é limitada, visto que as filmagens aconteceram esse ano, durante a pandemia do COVID-19. Mesmo assim, o ambiente que absorve o público criado naquele cenário único ajuda à direcionar o foco para os fortes depoimentos. Porém, o texto é a parte mais forte do especial. E, além disso, não casualmente, é a parte real.

O proveitoso, inclusive, é aproveitar a chance e procurar muito do que foi falado ali em outras mídias como o já citado “I Am Not Your Negro” ou filmes como “Selma”, “Malcom X” e o documentário “What Happened, Miss Simone?”

Com isso, os momentos mais fortes da noite foram feridas recentes. Abordando os casos do menino João Pedro, do Rio, e de Miguel, no Recife, o programa fechou com um gosto amargo, mas necessário. Era a dose de realidade. Mesmo que tudo apresentado tenha vindo de fontes históricas e reais, assistir a dramatização – muito bem feita – de casos que recentemente estavam na mídia dá o último soco no estômago do público em casa. Ninguém disse que seria fácil.

A finalidade do projeto, além de tudo, deve ser dupla. Não só passa uma forte mensagem para seu público como reapresenta muitos nomes para a própria casa global. Como exemplo, a atriz Valdinéia Soriano. Ela que interpretou muito bem uma das protagonistas de “Café com Canela”, é mais conhecida do público global somente como um dos membros do elenco do humorístico “Ó, pai, ó”, de anos atrás. Também a atriz Tatiana Tiburcio, que dá um show à interpretar Mirtes, mãe do menino Miguel. Ela que nos proporciona a maior emoção da noite, no fim do especial, só faz pequenos papéis nas obras da emissora. Essa realidade precisa mudar.

Portanto, mesmo num ano difícil, não podemos nos esquecer da difícil de realidade de tantos milhões de brasileiros.

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Falas Negras, especial da Rede Globo10
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Guilherme Bezerra

Guilherme Bezerra

Pernambucano estudante de Jornalismo na Paraíba. 18 anos. Fã de séries antes mesmo de entender muita coisa que elas mostravam. Aprendi inglês com How I Met Your Mother e a amar viagens no tempo com Doctor Who.

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