O episódio 7 da 2ª temporada de Fallout, intitulado “The Handoff”, entrega um curioso contraste entre pequenos momentos de charme e uma narrativa cada vez mais engessada. É um capítulo que ilustra bem os problemas estruturais da temporada, ao mesmo tempo em que prova que a série ainda sabe, ocasionalmente, ser espirituosa.
Um raro momento de leveza entre Lucy e Hank
O destaque absoluto do episódio de Fallout está em uma cena simples, quase banal, envolvendo Lucy e Hank. Sentados em um carrinho de golfe, pai e filha compartilham um instante genuinamente afetuoso. Hank, com sua postura acolhedora e paternal, encoraja Lucy com frases como “você está indo muito bem”, criando uma situação que lembra um pai ensinando a filha a andar de bicicleta.
O charme da cena nasce justamente do conflito implícito: ambos possuem objetivos opostos, mas, por alguns minutos, isso é deixado de lado em nome de um vínculo familiar que ainda resiste. É um alívio cômico discreto e eficaz — algo raro neste episódio.
Uma narrativa que soa como manual de instruções

Fora esse momento, The Handoff segue um caminho previsível e burocrático. A trama se fragmenta em diversas frentes: a crise de água no Vault 33, a entrega da caixa de Hank a Overseer Steph, os jogos de manipulação de Lucy, o casamento estratégico de Chet e as movimentações de Maximus, Thaddeus e o Ghoul. Tudo acontece como se Fallout estivesse apenas cumprindo etapas rumo ao final da temporada, sem espaço para surpresa ou emoção real.
A sensação constante é a de estar assistindo a uma lista de tarefas sendo riscada. Cada cena de Fallout existe menos para entreter e mais para “informar”, como se o espectador precisasse memorizar dados importantes para provas futuras.
Distrações pontuais que não salvam o conjunto
Há tentativas de quebrar essa rigidez. O reencontro com os Deathclaws, o arco estranho da transformação de Thaddeus em ghoul e até ideias absurdas — como um sistema controlado pela cabeça decepada de uma congressista — poderiam render momentos memoráveis. No entanto, tudo é apresentado de forma tão funcional que mal há tempo para rir ou se surpreender.
Um sucesso apesar da apatia
Ironicamente, o episódio reforça uma verdade desconfortável: Fallout continua fazendo sucesso não pela força criativa de sua 2ª temporada, mas pelo peso de sua marca. Como um personagem afirma, “nunca subestime o valor do reconhecimento de marca”. O episódio 7 é a prova disso — eficiente, mas sem alma, avançando a trama sem jamais despertar verdadeiro entusiasmo.