Falta um bom Sci-Fi na TV atualmente?

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Depois de assistir A Chegada no cinema, um questionamento surgiu. O filme dirigido por Denis Villeneuve não só é a melhor ficção científica do ano como é um dos melhores longas de 2016. Calcado no desenvolvimento da trama, seus personagens e ideias, e não na ação ou nos efeitos visuais, A Chegada oferece um entretenimento adulto e denso, sendo mais profundo em alguns aspectos do que Interestelar, por exemplo. Assim, a fita protagonizada por Amy Adams vai na contramão, sendo um exemplar de um cinema pouco feito atualmente na grande indústria. Como sci-fi puro e poderoso, Arrival suscitou a pergunta: falta na TV, hoje, uma ficção realmente boa e relevante?

A verdade é que falta. Nós temos ótimas ficções na televisão, mas nenhuma delas se aprofunda em questões sociais, filosóficas, etc. Não há, portanto, um sci-fi cerebral como 2001 ou Solaris ou populares intimistas como Contato ou A Chegada. O grande problema é: isso venderia? Esse tipo de produto teria público? Difícil dizer. As probabilidades apontam que uma produção desse tipo provavelmente fracassaria depois de algumas semanas. Ficções complexas perdem cada vez mais espaço no cinema; na TV, um meio muito mais popular, o espaço é consideravelmente menor.

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Na literatura há muito mais espaço. Não é à toa que grandes filmes de ficção científica sejam baseados em romances ou contos. 2001 foi forjado por Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke, um dos grandes mestres do gênero. A Chegada também vem das páginas de um livro, e tudo isso prova que é cada vez mais difícil criar algo original totalmente do zero. Na TV já passaram – e ainda passam – programas de inteligência inquestionável, mas todos ainda deixam um pé na diversão. Fringe, a ficção favorita deste redator, é uma das coisas mais espertas e bem feitas da TV recente, mas mesmo ela não abria mão de um escapismo aqui e ali.

O que estou pedindo, afinal? Uma ficção de explodir cabeças, é claro. Falta, no momento, um programa totalmente mind-blowing, como Fringe foi até o fim, e Lost também, por um bom tempo. Falta, também, uma ficção pura que carregue uma das características mais fortes do gênero: falar do irreal ou do distante para debater nossa realidade. O que todas as grandes ficções têm em comum, e já comentei isso em outros editoriais, é o fator humano. No fim, a maioria fala sobre questões humanas, intrínsecas de nossa existência banal e ao mesmo tempo indecifrável.  Falta, enfim, essa coragem toda de meter o pé na porta e sacudir a audiência. Nada nem ninguém irá descobrir o sentido da vida, mas sempre vale a pena dissertar sobre.

Tags Editorial
Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

1 comment

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  1. Caroline Marques
    Caroline Marques 27 novembro, 2016 at 14:22 Responder

    Falta uma scifi de reputação como BSG e Stargate, na área das séries. Mas hoje em dia com tanto prato cheio de sucesso é uma época difícil para emplacar uma série de custo alto com temas além da imaginação, pois o cinema está fazendo isso e voltando-se cada vez mais para trazer franquias de sucesso como Star Wars, Marvel, Dc e afins que são considerados por muitos sub gêneros Scifi! A competição está forte.

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