Fargo: A Segunda Temporada

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Fargo chega ao fim de sua segunda temporada de forma irrepreensível. Quando lançada em 2014, o show foi muito associado a outra antologia: True Detective. As duas produções não eram ligadas por serem parecidas, dividirem temas ou atores, mas sim porque eram dois programas excelentes que oxigenavam a televisão com personagens originais e tramas complexas, pouco trabalhadas na TV. True Detective trazia a filosofia, Fargo vinha com o humor negro. O ano passou e ambas retornaram para suas segundas temporadas. O problema é que Detective decepcionou, mas Fargo confirmou o que já se suspeitava anteriormente: esta é, realmente, uma das melhores coisas dos últimos anos na televisão.

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A começar pela galeria de personagens. Poucas são as séries que conseguem apresentar tantas personalidades de destaque. Enquanto alguns shows se enredam com poucos nomes e tramas, Fargo mergulha em inúmeros personagens e acontecimentos paralelos. E o melhor de tudo é que tudo é compreensível. Você não precisa rever o episódio para entender algum detalhe, ou apelar à internet para absorver uma narrativa complexa. Fargo e seus roteiristas se viram, e muito bem, com o que têm em mãos, criando uma história sólida e interconectada. É tudo tão bem escrito e inserido no quadro geral, que ninguém reclama sobre o fato de discos voadores aparecerem aqui e ali, sem aviso prévio, como se fosse a coisa mais comum do mundo.

fargo-season-2-headerPara Peggy, interpretada por Kirsten Dunst, talvez seja realmente normal a aparição de OVNIS na região. No nono episódio, após um intenso tiroteio, uma imensa nave paira no céu. Enquanto seu marido, Ed, fica paralisado analisando o objeto voador, Peggy o pega pelo braço e solta uma frase que é representa exatamente aquilo ela é: “Vamos, é apenas um disco voador”. Essa reação anormal e essa apatia a grandes acontecimentos marcou Peggy como uma das personagens mais interessantes deste segundo ano. É ela que faz com que a roda comece a girar no início da temporada, atropelando Rye e fazendo com que tudo e todos convergissem no mesmo ponto.

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Mas não é só Dunst que brilha; todo o elenco merece elogios efusivos, já que cada ator e atriz parecem ter mergulhado de cabeça em seus personagens. Ed, marido de Peggy, interpretado por Jesse Plemons, é mais um grande personagem para a já impressionante carreira do ator. Patrick Wilson também se destaca com o personagem que nos conecta diretamente à primeira temporada. Lou parece ser o único sensato em toda a história, que é cheia de personagens duvidosos e no limiar da loucura. Há de se lamentar, porém, o fato de Nick Offerman aparecer tão pouco, já que toda vez que o ator aparece ele rouba cena.

Em termos técnicos, a segunda temporada é ainda superior à primeira. Desde o primeiro capítulo, o novo ano traz abordagens interessantes como dividir a tela para mostrar a mesma ação de diferentes ângulos ou para revelar ações concomitantes. O cuidado é tanto que até mesmo o áudio destas cenas é dividido em duas saídas: a voz do personagem ao lado direito sai pelo lado direito, a do esquerdo pelo esquerdo. É um detalhe que pode passar despercebido, mas que revela o cuidado da equipe para criar uma experiência completa. Além disso, os diretores dão um show tanto na direção dos atores quanto no domínio da câmera. Muitos dos enquadramentos vistos nesta temporada são tão belos, que poderiam virar quadros e serem pendurados na parede. Além disso, a edição esperta faz cortes que nos levam de um lugar a outro de forma orgânica e muitas vezes irônica. Além disso, os editores ainda merecem reconhecimento por montar uma enorme colcha de retalhos, com diversos personagens e tramas, deixando tudo claro, entendível. Um dos ápices da qualidade técnica, unindo direção, fotografia, edição e elenco, é o intenso tiroteio visto no penúltimo episódio.

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Assim, a segunda temporada consegue ser tão boa – ou melhor – quanto a primeira. Vale ressaltar, também, que Fargo, a série, consegue um feito raro: ser melhor que seu material de origem (o filme Fargo, neste caso). Em resumo, a criação de Noah Hawley é a prova de que as antologias, quando bem trabalhadas, são um formato ideal. Com início, meio e fim, o que permite a construção de arcos completos, as tramas não se alongam e o sentimento de conclusão e satisfação é maior. É por isso que Fargo e True Detective foram comparadas em seus primeiros anos e seguem alinhadas em uma mesma discussão: enquanto uma falhou, a outra provou que o futuro da TV moderna é promissor e as antologias podem crescer ainda mais.

Confira o trailer da segunda temporada:

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[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=qZoYmPjZu5g[/youtube]