Ferry 2: Filme na Netflix é ruim do início ao fim

Se o primeiro Ferry conseguiu trazer algo de interessante ao explorar o submundo do tráfico de drogas e as nuances do personagem-título, sua sequência, Ferry 2, é um exemplo de como não se fazer um filme.

Em vez de evoluir a história ou os personagens, a Netflix entrega uma continuação sem alma, com roteiro raso, personagens desinteressantes e uma trama que não leva a lugar algum. Vamos destrinchar os problemas por partes.

Ferry 2 Tem Uma Trama Que Não Sai do Lugar

A premissa de Ferry 2 é simples: após perder tudo, Ferry Bouman (Frank Lammers) tenta se afastar do crime, mas é rapidamente puxado de volta ao caos. Até aqui, nada de novo. O problema é que a execução não faz jus nem ao conceito básico.

O roteiro se apoia em situações previsíveis, sem reviravoltas interessantes ou momentos marcantes. O retorno de Jezebel (Elise Schaap), que poderia ser o fio condutor emocional, não gera impacto. Suas interações com Ferry são mornas e carentes de profundidade, tornando difícil para o público se importar com o destino do casal.

Personagens Caricatos e Mal-Aproveitados

Os coadjuvantes, que deveriam trazer alguma vida ao filme, acabam sendo um dos seus pontos mais fracos. A gangue de criminosos amadores, introduzida para gerar humor ou humanizar a narrativa, é um desastre. As tentativas de criar situações cômicas falham miseravelmente, com piadas forçadas e estereótipos que mais irritam do que entretêm.

Além disso, o vilão Lars, que tinha potencial para ser um antagonista memorável, é outro desperdício. Apesar de uma presença inicial promissora, ele é reduzido a um clichê ambulante. A tensão que ele deveria trazer à história é diluída por decisões narrativas preguiçosas, deixando o espectador indiferente ao confronto final.

Cenas de Ação Genéricas e Sem Adrenalina

Se há algo que poderia salvar um filme como Ferry 2, seria a ação. Infelizmente, nem isso funciona aqui. As cenas de tiroteios e perseguições, que deveriam ser o ponto alto, são genéricas e mal coreografadas.

Mesmo os momentos de adrenalina parecem desconectados do restante da trama, como se estivessem ali apenas para preencher tempo de tela. A falta de criatividade no design dessas sequências só reforça a impressão de que o filme é um esforço preguiçoso para justificar sua existência.

Um Final que Não Convence

O desfecho de Ferry 2 tenta dar uma carga emocional ao mostrar os custos das escolhas de Ferry, mas o impacto é nulo. Sem construção narrativa sólida, os momentos finais soam artificiais e incapazes de engajar o espectador. O filme quer ser mais profundo do que é, mas acaba se afogando na própria superficialidade.



Ferry 2, portanto, é uma sequência que ninguém pediu e que dificilmente deixará qualquer marca. Sem a tensão do original, sem personagens cativantes e sem cenas de ação memoráveis, o filme falha em todos os níveis. Para os fãs do primeiro longa, a experiência é decepcionante; para quem não conhece o personagem, é ainda pior.

Se você está procurando algo emocionante ou envolvente para assistir, Ferry 2 definitivamente não é a escolha. Fica o aviso: há opções muito melhores no catálogo da Netflix.



Ferry 2: Filme na Netflix é ruim do início ao fim
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.