Feud – 1×05 – And the Winner Is… (The Oscars of 1963)

Imagem: Arquivo pessoal

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“Ela precisa disso, e além disso, Hollywood deveria ser forçada a ver o que fizeram com ela”.

Nesse quinto episódio de Feud, chegamos ao ápice da rivalidade de Bette Davis e Joan Crawford e também ao melhor episódio da série até agora.

Depois de ter visto que apenas sua rival havia sido indicada ao prêmio máximo da indústria do cinema, o Oscar, Joan decidiu que aquilo não ficaria barato e junto com a sempre fabulosa Hedda Hopper fez de tudo que estava ao seu alcance para que Bette Davis não ganhasse seu terceiro careca de ouro, o que seria um recorde para a época. Esse foi o primeiro episódio que eu senti, digamos, “ares de vilã” em Joan Crawford. Sim, entendo os atos da atriz. De fato, o filme O Que Terá Acontecido a Baby Jane? Só aconteceu por causa dela. Joan apostou nesse projeto, ela viu naquele roteiro a oportunidade perfeita para uma volta triunfal ao jogo e como ela sabia que iria precisar de todos os holofotes possíveis, decidiu chamar sua principal rival para dividir a cena. Ela não ter ganhado o destaque e reconhecimento que merecia, para ela, foi mais que frustrante, foi avassalador. E como já ficou explícito na série, Joan Crawford possuía uma áurea de carência muito grande, então para si, seus atos eram completamente plausíveis, apesar dela ter a consciência de que eles não eram corretos. De todo modo, Bette mereceu aquela indicação, e todas as manobras de Joan e Hedda para prejudicá-la foram desnecessárias.

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É importante destacar também que graças à Joan, O Que Terá Acontecido a Baby Jane? inaugurou um grande know-how de filmes desse mesmo subgênero do terror naquela época. Subgênero esse que ficou conhecido como psycho-biddy, ou hag horror. Nesses filmes, sempre uma atriz mais velha, passava por surtos, ou por situações de violência, ou de eminente perigo. Essa produções também ficaram conhecidas pelo seu baixo orçamento e por ser a oportunidade de grandes atrizes de outrora, tais como Joan Crawford e Bette Davis, de retomar suas carreiras e encontrar novamente grandes papeis. Desses filmes, destaco e indico para vocês Almas Mortas que tem a Joan no elenco e A Dama Enjaulada com Olivia de Havilland. O curioso é que nesse episódio a Srta. Olivia aparece jogando o roteiro de A Dama Enjaulada no lixo, dizendo que esse filme seria horrível. Filme horrível esse que ela gravaria naquele mesmo ano. Parece que o jogo virou, não é mesmo?

Por falar na Olivia de Havilland, logo quando saiu a noticia de que a mesma iria aparecer em Feud, sendo interpretada pela Catherine Zeta-Jones, contestei veementemente essa escalação. Não via semelhança nela suficiente para retratar a Olivia, mas depois de ver a delicadeza e o requinte com qual Zeta-Jones a interpreta, não consigo ver outra atriz no papel. O curioso é que já que Feud trata rixas e rivalidades famosas, a Olivia é uma ótima protagonista para uma futura temporada. É lendária a sua rivalidade com a também atriz Joan Fontaine, sua própria irmã. Rivalidade essa que fica evidente no pouco que ela fala da irmã durante aquele depoimento.

Outro ponto importante que merece ser abordado aqui é a qualidade técnica da série, sobretudo neste episódio. Recriar um grande evento como Oscar não é uma tarefa fácil, mas Feud conseguiu realizar esse feito magistralmente. Se vocês pegarem vídeos reais daquela cerimônia de 1963, irão ver que as semelhanças com aquilo que foi amostrado em Feud são assustadoras. Tudo foi recriado com pouquíssimas alterações e a riqueza de detalhes é absurda.

Enalteço também, como sempre, as atuações da série que possui um elenco de estrelas, onde nenhum interprete está fora do lugar. Jessica Lange, por conta de Joan ter a maioria das cenas, tem roubado para si os holofotes e mostrado porque é uma das maiores atrizes em atividade. A cena em que ela recebe o Oscar por Anne Bancroft foi sublime e o momento em que Joan chega em casa com o prêmio e mesmo assim demonstra um semblante triste, me deixou no chão. Susan Saradon, mesmo não tendo o mesmo destaque é uma monstra na pele de Bette Davis. Às vezes chego a pensar que ela, de alguma forma, encarna literalmente a atriz, tamanha a semelhança entre elas. Susan, conseguiu passar a magnitude do golpe que a Bette sentiu, ao perder o Oscar, de uma forma arrasadora. Isso tudo somente usando as suas impressões, sem dizer uma palavra.

É por essas e tantas outras que em todas as reviews, sempre derramo elogios a esse presente que o FX nos deu chamado Feud. A série segue a cinco episódios de forma inabalável na sua narrativa, sem apresentar nenhum capítulo como um ponto fora da curva.  No próximo domingo, será exibido o seu antepenúltimo episódio e estou chorando desde já. Até a próxima! 😉

Feud: Indico para vocês também o filme O Milagre de Anne Sullivan, filme que deu o Oscar de melhor atriz à maravilhosa Anne Bancroft.

Feud 2: Um dos amores da minha vida, Sarah Paulson, apareceu nesse episódio na pele da atriz Geraldine Page. Maravilhosa como sempre!

Treta da Semana: 

A treta dessa semana, como não poderia deixar de ser, é o Oscar de Anne Bancroft, que a Joan recebeu. De fato, como mostrado na série, a atriz ligou para as indicadas se oferecendo para pegar o prêmio, caso elas não pudessem comparecer. E assim foi feito! Por conta de estar numa peça de teatro naquela noite, Anne não compareceu a cerimônia e seu prêmio foi recebido pela Joan. As más linguás dizem, que enquanto ia pegar o prêmio, Joan passou pela Bette e disse: “Licença, eu tenho um Oscar para receber“. Deixo aqui embaixo o registro dessa afronta histórica.

 

Tags Feud

2 comments

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    Bruno D Rangel 11 abril, 2017 at 16:43 Responder

    EU sou um fã incondicional da Jessica Lange, mas Susan Sarandon está tão sensacional nesse papel que não há nada o que ponderar. Ela está idêntica à verdadeira Bette Davis!

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