Feud – 1×07 – Abandoned!

Imagem: Arquivo Pessoal

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“Em um certo ponto, uma mulher se torna invisível. Você engorda ou envelhece. As pessoas nem te veem mais”

Feud nessa semana apresentou o seu capítulo mais tocante. Durante toda essa temporada, a série nunca havia apresentado um episódio com diálogos tão profundos. As mágoas e dores que ambas as atrizes sentiam uma pela a outra foram expostas  de uma forma incrível. Isso, alinhado a uma direção muito segura da Helen Hunt e com o talento das monstruosas Susan Saradon e Jessica Lange, formaram o melhor episódio de toda a série.

A palavra “Feud” em português traduz a ideia de “rixa” e/ou “rivalidade”. O que curioso é que o título da série nem sempre encaixa-se bem nela, o que acompanhamos em tela a cada episódio de Feud é muito mais do que uma rixa ou uma rivalidade, é a história de duas mulheres que de fato possuíam determinada inimizade, mas que muito disso (ou tudo disso) era fruto do contexto sócio-político da industria em que ambas estavam inseridas.  Algumas vezes leio alguns comentários a respeito do comportado de Joan, que sempre tenta seduzir os homens, tais comentários sempre veem acompanhados de dizeres como “atirada” ou “oferecida”. Penso de forma completamento diferente. A beleza sempre foi algo existente na vida da Joan, foi a sua porta de entrada e  tudo aquilo que ela conseguiu e conquistou, ela nunca atribuiu ao seu talento, mas sim a sua beleza. É inegável o talento ensurdecedor de Joan Crawford, sendo ela uma das maiores atrizes da história do cinema, mas em muitos lugares da história, ela é lembrada apenas como “sendo bonita”. Reduzir uma atriz da magnitude dela a um simples adjetivo de beleza é vergonhoso.

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Bette Davis, como mostrado nesse episódio, teve um caminho ainda mais complicado, num mundo completamente machista como aquele, sentir-se atraído pela mulher/atriz, era um requisito com peso maior que o talento. Davis, apesar de linda, não tinha a beleza que Crawford tinha, mesmo ao seus 22 anos de idade. Como dito pela atriz, após o seu primeiro teste de audição um dos seus avaliadores disse que ela não tinha nenhum sex appeal. Bom, com sex appeal ou não, Davis tinha algo que ninguém poderia negar ou tirar: seu talento. A atriz era uma gigante cenicamente, se tornando uma das maiores atrizes que a história do teatro e do cinema já conhecera. Em uma de suas declarações, Davis disse a seguinte frase: “Há muito tempo me conformei com a minha feiura, assim como me conformei com a beleza dos outros. Todos nós somos famintos de elogios”. 

Fiz uma vasta pesquisa, mas não encontrei indícios de que realmente Bette Davis tivesse tido controle criativo no filme “Hush… Hush, Sweet Charlotte” (aqui no Brasil absurdamente lançado como “Com a Maldade na Alma”). De todo modo, todas as cenas que mostram um boicote dela a sua rival, mostra que esse ressentimento não era apenas alimentado pela Crawford. A cena daquele diálogo onde Bette pergunta a Joan “Como você sentiu sendo a garota mais bonita do mundo?” simplesmente me deixou de coração partido, mas ainda quando Bette conta que naquele seu primeiro teste, ela ouviu seu avaliador questionando ela não ser tão sexy quanto Joan Crawford. Percebam, é quase perceptível a admiração que elas sentem uma pela outra e é extremamente lamentável que duas atrizes desse calibre nunca tenham se entendido, fico me perguntado o que teria acontecido de Joan tivesse feito aquele segundo filme com Bette, teria a vida delas melhorado? Gosto de pensar que sim.

Feud chega, no próximo domingo, ao seu último episódio e meu coração já se prepara para lamentar profundamente a sua ausência. Até a próxima 😉

Feud 1: Mais uma vez Jackie Hoffman, a Mamacita, deu um show de atuação e começa a figurar como uma provável indicada ao Emmy.
Feud 2: O diretor Robert Aldrich, realmente foi até a Suiça convencer a Olivia de Havilland a aceitar fazer o filme.
Feud 3: Falando na Srta. Havilland, aquela última cena em que ela comenta sobre ter destruído a carreira da Joan, apesar de curta, foi fantástica. Palmas para a Catherine Zeta-Jones.

Treta da Semana:

Imagem/Montagem: Arquivo Pessoal. A esquerda Faye e sua caracterização de Joan e a direita a verdadeira Joan Crawford.

Bom, a treta da semana não é uma treta e, sim, uma, digamos, curiosidade. Joan Crawford veio a falecer em 1977 e logo após a sua morte, a sua filha, Cristina Crawford publicou uma biografia na qual critica fortemente a sua falecida mãe. Esse livro chamado “Mamãezinha Querida” foi transformado em um filme do mesmo nome, que foi estrelado pela atriz Faye Dunaway. Faye, que é uma vencedora do Oscar de melhor atriz, tinha acabado de retornar para Hollywood por conta do nascimento de sua filha e, para seu retorno, ela escolheu justamente esse bendito projeto. A atriz entrou no filme após a recusa de Anne Bancroft, que era amiga da Joan. Anne recusou alegando que o roteiro do filme era muito agressivo em relação à atriz. Faye conta que quando percebeu que as cenas mais trabalhadas e que tinham mais prioridade no filme eram as de violência, ela viu o que o diretor planejava fazer um filme completamente diferente do que ela imaginava. Acostumada a se dedicar com afinco aos seus papéis, Faye contraiu os músculos do rosto para ficar mais parecida com a Joan, o que lhe causava sérias dores à noite. Ela também modificou sua voz de tal forma para ficar parecida com a de Joan, que danificou suas cordas vocais. Segundo relatos, Faye começou a ficar difícil de conviver e passou a ser agressiva com as pessoas da produção. Mamãezinha Querida foi indicado a 9 framboesas de ouro e ganhou 5, incluindo o de pior atriz para Faye. Ainda nos dias de hoje, Faye costuma dizer que esse filme destruiu a sua carreira de atriz principal.

Tags Feud

1 comment

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    Bruno D Rangel 24 abril, 2017 at 16:06 Responder

    A cena em que Bette e Joan discutem após deixarem Crawford abandonada é esplêndida e o diálogo maravilhoso. QUE ATRIZES!

    A relação de Bob e Bette não precisava ser explorada da forma que foi, principalmente após darem a ele algum sentimento de extrema tristeza com o final do casamento.

    Joan foi muito burra (pra falar a verdade) ao achar que um estúdio de televisão não a processaria. Mamacita cumpriu sua palavra e abandonou Joan. Queria saber se isso realmente aconteceu, mas não achei nada sobre o assunto.

    Ri muito da Joan tentando seduzir o médico hahaha

    Já vou preparando meus lenços pro episódio final que saiu ontem. Pra mim, essa é até agora a série de 2017. Pelo menos as que eu assisti.

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