Feud – 1×08 – You Mean All This Time We Could Have Been Friends? [SEASON FINALE]

Imagem: Arquivo Pessoal

Continua após as recomendações

– Eu me arrependo de não ter sido sua amiga.
– Não é tarde demais, certo?

Feud termina sua primeira temporada da mesma forma que começou: linda, devastadora e emocionante!

Na review anterior, comentei o fato de que, às vezes, o nome “Feud” (que significa rixa/rivalidade) não tinha muita relação como que era mostrado em tela, a inimizade entre as duas existia, mas isso, graças aos deuses, nunca foi o principal ponto da série. E se nos outros episódios o nome não fazia muito sentido, nessa finale ele foi abandonado por completo. Feud se despede da mesma forma que chegou, tecendo críticas a respeito dessa indústria de sentimentos plastificados e que coloca prazo de “validade” nas pessoas e que quando esse prazo vence as devora completamente. A série nunca teve um ponto fora da curva, apresentando em todos os seus oito episódios a mesma inabalável qualidade. E no final de tudo, a única coisa que eu quero é poder ter uma máquina do tempo, para poder voltar nele e abraçar a Joan Crawford e a Bette Davis (Ah, e fazê-las se abraçarem também!).

Continua após a publicidade

Em textos anteriores, também abordei o fato de Joan, e consequentemente Jéssica, terem mais destaque e tempo de tela na série do que a Bette/Susan. Li alguns comentários de que isso era devido a grande paixão de Ryan, showrruner e criador da série, que sente pela Jessica Lange. Não concordei com esse ponto de vista. Ryan nunca seria antiprofissional dessa forma. Depois dessa finale e analisando a série como um todo, vejo que a decisão narrativa de contar essa história do ponto de vista da Joan foi das mais acertadas. Acontece que Feud deu “voz” a grande mulher e atriz que foi Joan Crawford. Antes apenas Bette era lembrada, Bette era a grande atriz, das duas apenas Bette foi indicada ao Oscar pelo filme O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, sempre Bette. E ela merece isso, ninguém pode duvidar a magnifica atriz que foi Bette Davis. Mas, Joan era tão boa quanto e também merece todos os aplausos.

Bette foi abordada em Feud, ela teve sua história, problemas, dificuldades e talento contados, mas do ponto de vista da Joan, e isso foi de extrema importância para toda essa qualidade que a série teve. Bette Davis não foi uma pessoa, ela foi um acontecimento, ela não foi uma atriz, ela foi “A” atriz. Indicada a 11 Oscar e ganhadora de dois por Perigosa e Jezebel, este último um dos melhores filmes da atriz. Ela foi a primeira, entre homens e mulheres, a ser indicada ao prêmio máximo do cinema por cinco anos seguidos. Quando a idade chegou e Hollywood não a quis mais, Bette voltou para a televisão, fazendo telefilmes e séries. Já com a idade avançada, Bette levou um duro golpe de sua filha Bárbara, a B.D da série, que escreveu uma biografia denunciando ela como uma péssima mãe. Tamanho foi o desgosto que Bette sofreu uma séries de AVC’s que paralisou um dos lados de sua face.

Mesmo assim, ela continuou trabalhando e nos entregou seu último filme, As Baleias de Agosto, em 1981. Filme esse que ela não viu a estreia, já que faleceu pouco tempo depois do término das filmagens. Mas seu legado não morreu com ela. Num mundo onde as pessoas colocam a beleza acima de tudo, Bette Davis se perpetuou como uma mulher incansável, que teve a coragem de colocar um anúncio no jornal oferecendo seus serviços como atriz e que, ao contrário da maioria das atrizes, não se escondeu em sua casa para não amostrar as suas rugas. Bette as mostrou em todos os lugares porque, como ela mesma disse, isso era o que menos importava. O que importou foi sua força, seu legado, sua arte!

Joan Crawford também era tida como difícil, chegou a perder papéis importantes em grandes filmes como Um Passo da Eternidade apenas porque não era quem ela queria que desenharia suas roupas. Indicada a três Oscar e ganhadora de um pelo maravilhoso filme Almas em Suplício, Joan era uma atriz tão completa e de tanto requinte que conseguiu transformar filmes pavorosos como Almas Mortas e Trog – O Homem das Cavernas em filmes toleráveis. Muitas vezes tida como a mulher que lutou e conseguiu tirar o Oscar da Bette Davis em 1963, a humanização que Feud trouxe, se é que ela precisava disso, a esse grande mulher foi incrível. Joan sabia ser doce, mas era um poço de emoção, de carência e de vaidade. Abusada aos 11 anos de idade pelo marido de sua mãe, ela chamou esse ato de amor somente porque o homem deu a atenção que ela tanto desejava. A série revelou todas as emoções de Joan, num belo destaque sendo a cena do jantar naquela finale.

Aquela cena foi um show a parte, mesmo ali, no sonho de Joan, no mundo perfeito dela, não existiria desculpas ou redenções. Como Jack Warner disse: “Se eu soubesse que dificultaria tanto as coisas para você, faria tudo de novo“. Joan sabia disso, ela sabia que em Hollywood não poderia ter sido diferente, que ela como mulher passaria por tudo que passou de qualquer maneira. Forte de tal forma, a cena serviu também para crivar de vez que ambas, Bette e Joan, realmente se admiravam. Jessica Lange soube conduzir de maneira assustadora o papel. Considero que ela tem muito mais chances de levar prêmios por sua atuação do que a Susan Saradon, que realmente arrasou na pele de Bette.

Apesar de ter concorrentes de peso como Legion e American Gods, Feud segue como a melhor estreia de 2017. Um presente que o FX nos deu e que eu estou inconsolável por ter acabado. Foi uma grande responsabilidade e uma enorme honra escrever sobre uma série tão importante. Eu, vocês, Charles e Diana nos vemos na segunda temporada. Até lá! 🙂

Feud 1: Mantendo sua promessa de levar igualdade à indústria, Ryan mais uma vez promoveu várias mulheres diretoras, mais da metade da temporada foi dirigida por elas. Palmas para isso!

Feud 2: Apesar da Jessica ter aparecido mais, a Susan também foi protagonista nessa série, se revezando com Jessica como o primeiro nome dos créditos de abertura, desde a premiere da série.

Tags Feud

2 comments

Add yours
  1. Avatar
    Bruno D Rangel 8 maio, 2017 at 10:05 Responder

    Demorei, mas assisti ao último episódio! QUE SÉRIE! QUE ATUAÇÕES!

    Me emocionei diversas vezes. Destaque para as cenas das duas com suas filhas: Bette com BD e Joan com Cathy.

    A cena do delírio também foi maravilhosa e a frase final me deu arrepio (a mesma do filme What Ever Happened to Baby Jane): “You mean, all this time, we could’ve been friends?”. Com certeza uma das melhores coisas que já assisti na vida. Espero realmente que venham muitos prêmios pela frente.

    Ao final do episódio, fiquei alguns minutos pensando em tudo o que aconteceu com as duas e chorei.

    Não conhecia as duas, mas após o início da série assisti aos filmes em que elas ganharam Oscar e What Ever Happened to Baby Jane. Já era fã da Jessica e agora sou da Susan. Acho inclusive que ela foi melhor que Jessica na série, mesmo com mais destaque para Joan. Me sinto como um verdadeiro fã de Bette Davis e Joan Crawford.

    SENSACIONAL!

    • Avatar
      Marcelo Henrique 12 maio, 2017 at 21:18 Responder

      São duas atrizes maravilhosas Bruno, vale a pena ver todos os filmes delas. Da Joan te super indico “Almas em Suplício”, pelo qual ela levou o Óscar de Melhor Atriz e da Bette te super indico As Baleias de Agosto, o último filme dela, mas veja todos que puder. Muito obrigado por ter acompanhado as reviews.

Post a new comment