Frankenstein final explicado: a Criatura morre?

Guillermo del Toro finalmente realizou um sonho de infância ao dirigir Frankenstein, sua adaptação pessoal do clássico de Mary Shelley.

Guillermo del Toro finalmente realizou um sonho de infância ao dirigir Frankenstein, sua adaptação pessoal do clássico de Mary Shelley. O cineasta transforma a conhecida história de terror gótico em uma poderosa fábula sobre paternidade, rejeição e perdão.

Interpretado por Jacob Elordi, o monstro criado por Victor Frankenstein (vivido por Oscar Isaac) ganha novas camadas de humanidade, culminando em um final profundamente emocional e simbólico. Mais do que uma história de horror, o filme se torna uma reflexão sobre o que significa existir — e o que acontece quando até os monstros aprendem a perdoar.

A tragédia de Victor Frankenstein

Em Frankenstein, Victor é retratado como um homem obcecado em vencer a morte, após traumas familiares que marcaram sua infância. Filho de um pai abusivo e de uma mãe amorosa que morre cedo, ele canaliza a dor em sua ambição científica. O resultado é a criação da Criatura — um ser poderoso, ingênuo e de aparência incomum, que inicialmente desperta tanto fascínio quanto repulsa no próprio criador.

No início, Victor tenta tratar a Criatura como uma experiência científica, mas rapidamente demonstra desprezo por sua simplicidade e emoção. O que começa como uma relação de admiração se transforma em crueldade, com Victor o mantendo acorrentado e isolado. Essa relação espelha o próprio ciclo de abusos que Victor sofreu do pai, repetindo o mesmo padrão de rejeição e controle.

A tragédia em Frankenstein atinge o ápice quando, em meio à destruição do laboratório e à morte de Elizabeth, a mulher amada, Victor percebe que perdeu tudo — sua família, sua humanidade e a própria razão de existir. Consumido pela culpa e pela obsessão, ele parte em busca da Criatura pelos confins gelados do mundo, determinado a destruí-la, ainda que isso o leve à própria ruína.

A jornada solitária da Criatura

Frankenstein ator que faz a Criatura
Imagem: Netflix

Enquanto Victor mergulha em autodestruição, a Criatura inicia uma jornada de autodescoberta. Fugindo do incêndio da torre, ele vagueia por florestas e vilarejos, tentando compreender o mundo e a si mesmo. Em uma das partes mais emocionantes do filme, ele observa uma família em segredo e aprende com eles sobre linguagem, bondade e convivência. Porém, quando tenta se aproximar, é recebido com medo e violência — uma das cenas mais fiéis ao espírito do livro de Shelley.

A Criatura compreende, então, que o verdadeiro monstro não é aquele que tem cicatrizes no rosto, mas aquele que carrega o ódio no coração. Ferido e solitário, ele volta ao castelo de Frankenstein, buscando respostas e, talvez, um novo sentido. Lá, encontra apenas destruição e dor. O mundo o rejeitou, e seu criador também. Mesmo assim, ele decide enfrentar Victor uma última vez — não em busca de vingança, mas de compreensão.

Pai e filho frente ao perdão

O clímax de Frankenstein ocorre no gelo, onde Victor e a Criatura se reencontram. Exausto, doente e arrependido, Victor reconhece finalmente o erro que cometeu ao criar e abandonar seu “filho”. A Criatura, em vez de se vingar, oferece perdão. É nesse momento que o monstro mostra ser mais humano que o próprio homem.

Guillermo del Toro transforma essa cena em um espelho emocional: o criador e a criação, diante um do outro, compreendem que compartilham a mesma dor — a busca por aceitação e amor. Victor morre nos braços da Criatura, pedindo que ela diga seu nome uma última vez. “Victor”, sussurra o monstro, em um gesto de ternura e despedida.



O que acontece com a Criatura no final

Após a morte de Victor, o filme retorna ao navio Horisont, comandado pelo capitão Anderson. O monstro conta sua história e, ao final, é libertado. Em um gesto simbólico, ele ajuda a tripulação a se livrar do gelo que aprisiona o navio, abrindo o caminho de volta para casa. Anderson, comovido, decide abandonar sua busca obsessiva pelo horizonte — um reflexo do próprio aprendizado que Victor não teve em vida.

A cena final de Frankenstein mostra a Criatura sozinha no Ártico, banhada pela luz do sol. Ele ergue os braços e deixa uma lágrima congelar no rosto. Não há morte para ele — mas há aceitação. O monstro que nasceu da negação da morte finalmente compreende a beleza da vida.

Guillermo del Toro encerra sua versão de Frankenstein com uma mensagem de esperança: o verdadeiro triunfo da Criatura não está em sobreviver, mas em aprender a viver. Ele não morre — pelo contrário, renasce espiritualmente. Ao aceitar seu destino e perdoar o homem que o criou, a Criatura encontra aquilo que Victor jamais pôde alcançar: a paz.



Frankenstein final explicado: a Criatura morre?
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.