FUBAR 2ª temporada | História é boa, mas poderia ir além na Netflix

Arnold Schwarzenegger voltou com tudo na 2ª temporada de FUBAR, e os novos episódios já estão disponíveis na Netflix desde esta quinta-feira, 12 de junho. A série de comédia de espionagem segue apostando alto em humor ácido, ação frenética e no carisma da dupla de protagonistas formada por Schwarzenegger e Monica Barbaro. Mas será que a história continua boa ou a fórmula começa a se desgastar?

A resposta, para quem já está com o dedo pronto no botão do play, é: sim, FUBAR ainda é uma boa pedida. Mas há ressalvas. A nova temporada mantém o ritmo divertido e entrega momentos memoráveis, mas também mostra sinais de saturação — principalmente quando se trata de administrar tantos personagens e subtramas de uma só vez.

A trama da 2ª temporada de FUBAR: espionagem com toque familiar (literalmente)

A nova temporada de FUBAR parte diretamente das consequências do final da anterior: Luke (Schwarzenegger) e sua filha Emma (Barbaro) tiveram suas identidades expostas e agora estão confinados com toda a equipe em uma casa de proteção a testemunhas. Isso inclui figuras como o hilário “Tio” Barry (Milan Carter), os agentes Roo (Fortune Feimster) e Aldon (Travis Van Winkle), a mãe de Emma, Tally (Fabiana Udenio), e até os ex-namorados Carter (Jay Baruchel) e Donnie (Andy Buckley). Ou seja: o clima mistura família, espionagem e um reality show improvisado.

Logo nos primeiros episódios, uma nova ameaça surge — um plano para colapsar a rede elétrica dos EUA, com ligações diretas ao passado de Luke e à sua antiga paixão, Greta (vivida por Carrie-Anne Moss). O vilão da vez, Theodore Chips (Guy Burnet), é ex-agente do MI6 e ainda por cima está de olho em Emma, o que só aumenta o conflito.

2ª temporadsa de FUBAR
Imagem: Netflix.

História ainda divertida, mas um pouco inchada

A estrutura de FUBAR continua sólida e aposta em um equilíbrio entre ação e comédia que funciona bem. As piadas seguem afiadas — ainda que nem todas acertem o alvo —, e o roteiro brinca com absurdos, como mafiosos suecos cercando a casa da equipe, marionetes e até uma coreografia de tango estilo 007. As cenas de luta, mesmo que majoritariamente em espaços fechados, são bem coreografadas e mantêm a adrenalina em alta.

O grande trunfo da série ainda é o carisma dos protagonistas. Arnold entrega com naturalidade o veterano durão que precisa lidar com dilemas familiares enquanto salva o mundo. Já Monica Barbaro continua como o motor emocional da trama, entregando não só cenas de ação impecáveis, mas também camadas emocionais à sua personagem, que cresce consideravelmente ao longo da temporada.

Entretanto, a quantidade de personagens começa a pesar. São tantos núcleos, dramas e dinâmicas paralelas que a série, por vezes, se perde ao tentar equilibrar todas essas histórias. O núcleo de Donnie, por exemplo, só encontra propósito quando é jogado em uma missão ao lado de Carter. A sensação é de que parte do elenco poderia ser reduzido para que a trama ganhasse mais foco e impacto.

Vilões, tensão e potencial não totalmente aproveitado

Outro destaque positivo é o elenco de vilões. Carrie-Anne Moss e Guy Burnet entregam performances convincentes, elevando o nível da ameaça e criando uma tensão interessante. Burnet, em especial, rouba algumas cenas e se mostra um adversário à altura — tanto no campo da espionagem quanto na disputa romântica.

No entanto, há um certo desperdício de potencial em termos de escala. A série poderia abraçar mais seu lado “missão impossível”, com cenários grandiosos e cenas de ação mais elaboradas fora do ambiente doméstico. O confinamento dos personagens é um bom gatilho para o humor e para os conflitos interpessoais, mas restringe o que poderia ser uma aventura global cheia de reviravoltas e adrenalina.



Vale a pena assistir à 2ª temporada de FUBAR?

Apesar dos pequenos tropeços, FUBAR ainda acerta mais do que erra. A segunda temporada mantém a energia elevada, sustenta a química entre os personagens centrais e entrega um entretenimento leve, com ritmo ágil e repleto de momentos inesperados. A série não tem a pretensão de reinventar o gênero, mas cumpre bem sua proposta de ser uma comédia de ação descompromissada.

Quem gostou da primeira temporada encontrará aqui mais do mesmo — o que, nesse caso, não é uma crítica. E embora a série ainda precise aprender a dosar melhor o número de personagens e a ousar mais em suas sequências de ação, ela continua sendo uma das apostas mais divertidas da Netflix no gênero.

Veredito: FUBAR continua firme em sua missão de divertir, mesmo que precise fazer algumas concessões no caminho. Com ajustes no elenco e mais ousadia nas missões, a série tem tudo para crescer ainda mais se seguir para uma eventual terceira temporada. Até lá, vale a pena se jogar no sofá e curtir a montanha-russa de absurdos — porque com Arnold no comando, a viagem dificilmente será entediante.



FUBAR 2ª temporada | História é boa, mas poderia ir além na Netflix
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.