Game of Thrones estreia última temporada: entenda como ela virou uma obsessão

Game of Thrones foi de um simples drama épico para uma das maiores obsessões mundiais

O mundo vai parar hoje (14) para assistir à estreia da 8ª e última temporada de Game of Thrones. E talvez, essa seja uma das melhores histórias de azarões na televisão nos últimos anos.

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Se você vai lançar uma série de TV, ou vai a um encontro pela primeira vez – para citar um exemplo, você precisa ter uma estratégia. E ela é: mantenha as expectativas baixas! Podemos dizer que essa série começou assim. Entretanto, foi ganhando confiança aos poucos e chegou onde chegou por méritos próprios. Dessa forma, quando Game of Thrones chega à sua corrida final, vale tentarmos compreender o “truque de mágica” que ela usou para fazer o sucesso que faz. Mas qual seria esse truque?

Raízes na ficção

Game of Thrones poderia ser apenas uma série sobre uma idade medieval. Mas a medida que ela não abandonou suas raízes na ficção, ela angariou mais e mais fãs ao redor do mundo. Vamos refletir, pois logo no piloto sabíamos que estávamos assistindo algo estranho. “O inverno está chegando”, homens da Patrulha da Noite procurando para além da Muralha, criaturas zumbis – que posteriormente seriam conhecidas como Caminhantes Brancos… É, definitivamente essa série é maluca.

No entanto, após a primeira aparição dos zumbis de olhos azuis, o impulso da narrativa de Thrones focou não na ameaça mágica. Porém, nas complicadas batalhas interpessoais pelo poder que ocorrem entre as diferentes facções de Westeros.

Reforçando o primeiro episódio, no dia do retorno da série, o que se destaca é a maneira habilidosa em que os personagem foram definidos. Nenhum deles foi de forma fácil. E isso vem de uma série que introduziu mais de uma dúzia de personagens importantes logo na sua primeira hora. Ao longo dele, os personagens “vão se mostrando”, e não é até o final que os produtores exibem uma das melhores cenas da atração – Daenerys Targaryen entrando nas chamas da Pira funerária de seu marido e chocando três dragões bebês em um mundo onde teoricamente estão extintos há anos.

Mas não vamos esquecer: o episódio termina com um garoto sendo jogado de uma torre. Tudo isso, por ter flagrado a esposa do Rei transando com o seu irmão. Pois bem, o que tornou a série tão atrativa para o público não fora batalhas de escalas épicas. Ou, ainda, a própria “magia” em si. Porém, os momentos aterrorizantes, que ficaram marcados na memória de quem se propôs assistir à história de George RR Martin.

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O jogo dos tronos iniciado na primeira temporada foi o grande atrativo para a série. Imagem: HBO/Divulgação.

Foco nos personagens

Sendo assim, o segredo de Game of Thrones talvez seja o foco nos personagens. Aliás, esse é o grande ingrediente secreto de qualquer série de sucesso. Game of Thrones poderia ter o DNA da fantasia, mas ela sempre se importou em trabalhar o drama real enraizado em cada um de seus personagens.

A produção também seguiu os passos de um título que, alguns anos antes, conquistara o público da mesma forma. Sem dúvidas, a maior inspiração para Game of Thrones é a saga de O Senhor dos Anéis. Mas há uma diferença crucial entre os dois. O Senhor dos Anéis ficou apenas em um drama épico do “bem contra o mal”, não tendo uma consideração válida para dramas reais. Enquanto isso, Thrones deixam seus mundos paralelos aos nossos problemas, uma vez que tem algumas horas por temporada para realizá-los.

Dessa forma, o público ficou ao longo das temporadas esperando as reviravoltas mais mirabolantes que a série poderia lhe render. A série não ficou presa em utilizar algo apelativo, como apresentar um grande evento de efeitos especiais a cada episódio. Até porque, no início, a atração não tinha lá todo esse orçamento. Mas sim, os conflitos interpessoais, a sede de poder, e a forma como que cada personagem lidava com essas questões, é que contribuíram para Game of Thrones ser o que é hoje: um fenômeno.

Último grande sucesso de uma era

Muitos críticos, inclusive eu, acham que Game of Thrones é a última grande série que reunirá o público na frente da televisão, em um mesmo horário. A era dos streamings acabou com essa tradição, infelizmente. É triste pensar que essa tradição está morrendo.

Mas o fato de Thrones ainda fazer isso é excitante para os fãs destas grandes narrativas. É, talvez, uma vitória dos nerds que passaram sua infância e adolescência com livros de bolso, jogando RPG, fugindo de valentões. Vivemos hoje em um mundo que a aceitação mainstream de Game of Thrones representa uma justificativa. Vejam: não é só porque a história tem um dragão nela que ela não terá nada para dizer ao mundo. Game of Thrones teve e ainda tem muito a dizer. Esse é o grande resultado de quando a televisão abraça a magia, a ficção, e traz para o mundo mensagens necessárias.

Bem vinda de volta uma última vez, Game of Thrones. Deixe sua marca eternizada na história da TV.

Leia também: 10 coisas que precisamos ver na temporada final de Game of Thrones

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

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