Gotham – 1×01 – Pilot

Gotham 1x01

 

Surpreendente. Este pode ser o adjetivo que qualifica o piloto de Gotham. Indo contra todas as expectativas, a série em 48 minutos consegue fazer uma boa apresentação do que quer, como e quem irá abordar em sua temporada de estreia. Considerada a Smallville do homem morcego, Gotham chega com a intenção de contar a história antes do Batman. Mas é aí que o público se engana. Aquela história tão bem contada recentemente por Christopher Nolan na trilogia O Cavaleiro das Trevas é aqui, uma mera coadjuvante.

A intenção da série é explorar o universo por trás dos personagens que um dia se tornarão icônicos vilões do universo de Batman. Da mesma forma, abordar como James Gordon criou o seu caráter de Comissário enquanto ainda era Detetive se contrapondo a estas figuras. Parece duvidoso, mas acredite vale a pena.

Das cenas iniciais – com o assassinato dos Wayne e uma belíssima homenagem as páginas de Batman Ano Um, de Frank Miller, até as cenas finais, Gotham é pura referência. Com elementos de diversas versões, a série molda aqui a sua própria história do Batman, o que é de certa forma um ponto positivo.

Alguns personagens tiveram pouco destaque como Selina Kyle (Mulher Gato) – que aqui presencia a morte de Thomas e Marta Wayne -, a pequena Pamela Isley (Hera Venenosa), Edward Nygma (que aparece como consultor da Gotham PD, devendo se tornar o Charada mais pra frente), Alfreld Pennyworth – que tem o sotaque mais inglês de todos -, aparecem em no máximo duas cenas.

Entretanto, alguns outros mostraram que vieram para estrelarem Gotham de fato. A começar por Ben Mckienze que está muito bem na pele de Gordon. Firme e sério, o ex-The O.C., usou os tempos que passou interpretando um policial em Southland como base para dar vida a sua própria versão do Detetive “bonzinho”. Suas cenas de drama e ação são excelentes. A sua interação com Harvey Bullock – que pela primeira vez ganha vida em live-action – é também uma das peças-chaves da história.

Gotham 1x01_2Dentre os vilões, Fish Mooney (Jada Smith) – criada especialmente pra série -, deverá ser um dos papéis femininos centrais. A vilã tem ligação com Carmine Falcone, e não mede esforços para comandar a máfia em Gotham City. Junto dela está o desajeitado Oswald Cobblepot. E posso dizer que este sim é o grande trunfo do show. O Pinguim (Rob Lord Taylor) deverá ser bem explorado na trama central de Gotham. As cenas que o vilão aparece são de bater palmas. O legal é que, da forma como esta sendo apresentado, você tende até a torcer pelo personagem. A série se preocupa em dar voz ao passado destes vilões, e assim, questionarem se há uma justificativa para o que eles se tornarão um dia. Cobblepot já demonstrou claramente ter intenção de derrubar Mooney e se tornar um dos chefões da máfia na cidade. Mas para isso, tem muito chão pela frente…

De relance, vale comentar a aparição de Reene Montoya que interagiu pouco com Gordon e Bullock, mas apareceu tempo o bastante para dar a entender que teve um caso com Barbara Ken, nada menos que a noiva de James. Não me lembro desse caso ser retratado nas HQs, e não sei se é algo necessário a trama. Vamos acompanhar para ver o desenvolvimento.

A edição em alguns momentos não é a das melhores, confesso. Alguns cortes ficaram mal feitos, e a cena do Gordon correndo com a câmera em sua cara é meio desnecessária. Mas vai lá, não é pra tanto.

Por fim, Gordon e Bruce estabelecem uma relação. Algumas referências de que o garoto vá se tornar o Batman que todos conhecemos aparecem a todo momento. E Jim parece ver ali, um incentivo para começar a fazer justiça na cidade que parece tão corrupta e marginalizada. O assassinato dos Wayne irá conduzir os próximos episódios, e a caçada pelo verdadeiro assassino promete agitar os episódios (será que manterão Joel Chill nesta versão?). Pela primeira vez, a investigação desta história será adaptada mais a fundo. Bem bacana mesmo.

 

Alguns Easter Eggs que valem ser citados:

  • Quando Bruce está sentado na cena do crime, ele está envolto a um cobertor que parece mais uma capa – uma clara referência a Batman.
  • A versão de Alfreld Pennyworth é claramente inspirada na Terra Um, um pouco mais áspero e um ex-marinheiro. A relação entre ele e Wayne é um pouco convencional, diferente da versão mais harmoniosa do universo Nolan.
  • A segunda esposa de Gordon, Capitã Essen, é aqui sua supervisora.
  • Oswald aparece segurando um guarda-chuvas na cena com Fish Mooney – uma clara referência ao Pinguim.
  • O vidro da janela do apartamento de Barbara Kean lembra muito a Torre do Relógio – local que servirá de quartel general no futuro para sua filha Bárbara Gordon e as Birds of Prey.
  • Ivy aparece mexendo em várias plantas nas suas tomadas – uma clara referência a Hera Venenosa.
  • Harvey Bullock tem uma cena idêntica às HQs, quando segura a arma e mata Mario Pepper.
  • Uma possível referência ao Coringa pode ter sido feita com o Nightclub Comedian. Os produtores prometeram que em cada episódio teríamos uma referência ao personagem. Lembrando que em A Piada Mortal, o vilão é mostrado no início como um comediante fracassado.

 

O episódio vale muito a pena, e confesso que quebrei a cara. Não estava dando nada pela série, e ela me pegou. Bem vinda Gotham. E que o Universo DC na TV continue crescendo! Semana que vem, conheceremos um pouco mais de Selina Kyle. Até lá.

 

 

Relembre nosso texto sobre o piloto exibido na Comic Con AQUI.

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Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.