Grey’s Anatomy imitando Chicago Fire? Até onde vai a cópia e a originalidade das séries

Imagem: NBC (1)/ABC (2)/Divulgação
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Neste tumulto das renovações e cancelamentos das séries de TV, me peguei na surpresa de ver que Grey’s Anatomy vai ganhar um spin-off. Mais surpreso ainda fiquei ao saber que será uma série centrada em bombeiros e paramédicos de Seattle, e sua integração com o hospital mais famoso das séries atualmente. Aí me perguntei… “Hum, série que integra hospital e bombeiros, já existe uma franquia de séries que faz isso, não?”. Pois é. Ao mesmo tempo, vi uma imensidão de gente acusando Grey’s Anatomy por estar imitando Chicago Fire e querendo pegar carona nesse “casamento”.

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Apesar deste ter sido o meu primeiro pensamento, parei para refletir sobre e cheguei a conclusão de que a coisa não é bem assim. Vamos por partes: Primeiro de tudo, tanto Grey’s Anatomy quanto Chicago Fire estão bem longe de serem originais. Cada vez mais perdendo espaço para as produções de streaming e de canais fechados – adquirindo um status nunca alcançado – a TV aberta tem começado a apresentar sinais de desgaste, sobrevivendo de revivais ou de programas que resgatam a essência de outrora. Os próprios canais tem se firmado cada vez mais nos seus perfis que abordam em nichos esta estratégia: a CBS produzindo os seus procedurais para pessoas mais velhas, a CW para os mais jovens, a ABC para um público feminino, a FOX para um público variado e a NBC para um público masculino. Dentre esses grupos, as séries dentro de tais emissoras tendem a seguir um formato, e raras são as exceções.

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Pensando onde e para quem é produzida, Chicago Fire não é original. Já tivemos shows anteriores que mostravam essa rotina turbulenta de bombeiros e paramédicos, inclusive casada com uma série médica, e na NBC: você pode não lembrar, mas Third Watch (aqui no Brasil, Parceiros da Vida) era um spin-off de E.R. – Plantão Médico e servia justamente para complementar a história do drama médico mais premiado da TV. No mesmo passo, a própria Grey’s Anatomy não é nem um pouco original, ao construir eventos bem parecidos com o que Plantão Médico ou Chicago Hope já haviam trabalhado antes na TV.

A grande verdade é que a televisão aberta se tornou uma terra de ninguém, e repaginar ou refazer algo tem virado palavra de ordem dentro dessas emissoras, que lutam cada vez mais pelo resto de audiência que lhe sobra.

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Mas isso não diminui em nada a qualidade destes programas! 

“Na TV nada se cria, tudo se copia”. Você já deve ter ouvido essa frase do velho guerreiro Chacrinha e ela nunca esteve tão representativa para o cenário da programação de séries lá fora. É muito difícil termos dentre as séries de TV aberta algo original como This Is Us fez na temporada passada. Isso, atualmente, tem ficado à cargo de produções da Netflix, por exemplo… Porém, “copiar” não é sinônimo de perda de qualidade. Inclusive, copiar é um termo muito forte. Não existe uma série que seja dona daquele gênero, muito menos do formato. E isso dá liberdade para as séries se recriarem e reinventarem em cima dessas histórias.

Ou seja, não é porque E.R. teve um episódio com um tiroteio em um hospital que isso impede de Grey’s Anatomy ir e fazer o mesmo. Não vejo como cópia, mas sim inspiração. E aí entra a fala do ator Taylor Kinney, que estrela Chicago Fire, ao comentar sobre o assunto: “quanto mais melhor”, disse ele. É este o sentimento que precisamos ter quando vemos que teremos duas franquias de bombeiros e médicos no ar – simultaneamente. Claro que veremos suas grandezas e fraquezas, porque tudo é comparável. Mas isso não é motivo para desacordo nem descréditos, tanto das produções quanto por parte dos fãs.

Apesar de séries no mesmo formato ou nada muito de novo, temos é que celebrar o investimento nessas atrações, enquanto a TV ainda luta para respirar frente as plataformas de streaming e internet. Porque a originalidade hoje está cada vez mais escassa. Então, frente a isso, que tal a gente apenas… aproveitar?