Hipster em Série: Lights Out

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Imagem: Nova Temporada

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A Hipster em Série está de volta, e a série de hoje é Lights Out, drama do FX lançado em 2011 e cancelado ainda em sua primeira temporada. É o típico programa que tinha potencial e foi injustamente deixado de lado pelo canal. O show, criado por Justin Zackham, veio na mesma época que Terriers, outro ótimo projeto do FX que fora cancelado sem merecer. A desculpa dos executivos: audiência. E só isso pode explicar o término dessas produções. Com tramas bem amarradas e personagens carismáticos, ambas as séries viram seu fim chegar rápido e o esquecimento acometer como uma bomba. Hoje, pouquíssimos são os que lembram Terriers e, principalmente, Lights Out. Você pode fazer a sua parte e dar uma chance às séries que se encontram na íntegra na Netflix.

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Pra começar, Lights Out é uma série sobre um (ex) lutador de boxe. Assim, o título faz um trocadilho com o apelido do protagonista, Patrick “Lights” Leary, que está aposentado (out) e com o fato dos lutadores que literalmente apagam com os violentos nocautes do esporte. Na história, Lights perde o título de campeão e se aposenta. A idade já está avançada e a atividade já se mostra perigosa demais. A família prefere que ele largue o boxe, e é isso que ele faz, embora acredite que sua última luta tenha sido forjada. Assim, acompanhamos Lights lutando do lado de fora do ringue: lutando contra o temperamento explosivo, contra os problemas da família, contra a falta de dinheiro e até mesmo contra uma doença que põe tudo em xeque. Lights Out, portanto, não é sobre os bastidores do boxe, treinamentos e lutas, é sobre um sujeito aposentado que precisa lutar no mundo real com problemas reais e pouco gloriosos.

Mas não se engane: há muita emoção e boas doses de luta em Lights Out. Se há um bom exemplo de ritmo e roteiro ágil e esperto, este é Lights Out. As cenas nos ringues, por exemplo, deixariam vários filmes envergonhados, tamanho o realismo e qualidade das sequências. O grande barato da série é que sempre temos diferentes empecilhos e metas no caminho de Leary. Em um momento o sujeito resolve fazer trabalhos escusos para um ricaço, em outro precisa treinar um aprendiz que pode trazer o brilho e a glória de volta à academia de sua família. Assim, Lights Out não perde muito tempo em contemplações. Embora encontremos momentos em que a poeira baixa e os personagens passam por certas introspecções, a maior parte do tempo é dedicada ao desenvolvimento rápido, sem tempo perdido.

Muito da qualidade da série pode ser vista logo no piloto, um exemplo de como iniciar uma série com boa direção e roteiro. Zackham brinca com as vontades do público ao cortar diversas sequências antes do fim. Assistindo ao episódio, a impressão é de que as cenas não foram totalmente editadas, e que algumas peças ficaram faltando. De forma esperta, contudo, o roteirista volta a algumas partes em momentos chave, amarrando as pontas soltas. É elogiável a forma como o piloto trabalha com a narrativa não linear de forma a criar um clímax interessante. Ao fim do capítulo de estreia, o público já está fisgado e pronto para retomar ao cotidiano de Lights.

Ainda vale apontar o elenco, com destaque para o protagonista, Holt McCallany. O ator, geralmente coadjuvante em filmes e séries, tem a oportunidade de carregar uma produção como o principal nome do elenco. E ele faz um ótimo trabalho. McCallany não deixa a peteca cair e muito menos é ofuscado pelos colegas de elenco. Outro que se destaca é Pablo Schreiber (Orange is the New Black), como o irmão de Leary que faz de tudo para conseguir o que quer. Vale apontar ainda o núcleo familiar do protagonista que, diferente de outras séries e filmes, não torna a narrativa arrastada: tanto a esposa quanto as filhas de Lights são vitais para a história e garantem bons momentos.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=pX5jm-SHh6A[/youtube]

Ainda na dúvida? Os treze episódios de Lights Out estão disponíveis na Netflix, esperando para serem prestigiados.

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