Hipster em Série: Thirteen

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À procura de um bom drama, curto e bem escrito, para não atrasar ainda mais a sua grade? Thirteen pode ser uma boa escolha. Dividida em apenas cinco capítulos, esta minissérie (que pode ou não retornar nos próximos anos) tem um arco completo e bem definido. Representa, portanto, a típica experiência completa que agrada por não brincar com a paciência e o tempo do espectador. Embora a série possa seguir desenvolvendo a história de Ivy Moxan, ou outra personagem inédita, o primeiro ano de Thirteen é pacote fechado repleto de momentos dramáticos, ótima trilha sonora e elenco excelente.

A história começa com Ivy, a protagonista, fugindo do cativeiro onde esteve presa pelos últimos treze anos. Agora adulta e pouco habituada ao mundo moderno, Ivy corre desesperada pelas ruas. Ela então é resgatada e volta para casa. Sua família já não é mais a mesma: os pais tentam esconder, mas estão separados, a irmã, agora uma jovem mulher, é praticamente outra pessoa. Os amigos de outrora vivem suas vidas distantes. E Thirteen é, em suma, sobre Ivy tentando se adequar à nova realidade, tentando voltar aos eixos e seguir uma vida que, no fim, nunca será normal novamente.

Thirteen, portanto, não é sobre os anos em cativeiro, quando viveu sob as ameaças de um homem que a levara quando ela ainda era criança. É sobre o retorno, a saída do pesadelo, a busca para retomar a vida que fora interrompida mais uma década antes. Assim, Thirteen adentra uma área pouco explorada. Enquanto vários livros, filmes e séries explorem o período do sequestro, seja acompanhando a vítima ou a equipe de procura e resgate, a minissérie de Marnie Dickens vai por outro caminho e desenvolve algo pouco visto. Se a maioria das histórias do tipo terminam com a fuga ou resgate, sendo basicamente um final feliz, Thirteen começa com a fuga e mostra que, o final feliz, enfim, pode não ser tão feliz.

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Em partes, Thirteen lembra O Quarto de Jack, um dos principais concorrentes do último Oscar.

O show acaba explorando temas interessantíssimos e pouco trabalhados na TV ou no cinema. Além de se aprofundar nos traumas de Ivy, o programa ainda explora as dificuldades da família e as tentativas dos pais em tentarem transformar tudo muito semelhante ao que era antes do sequestro. Ainda há tempo de desenvolver a história paralelas da dupla de detetives encarregados do caso de Ivy. Aqui, há uma interessante subtrama envolvendo a relação pessoal e profissional entre os policiais e a vítima. Permeando tudo isso, há a busca pelo homem que manteve Moxam presa por treze anos e está foragido.

Parece muito para desenvolver, mas Thirteen abraça tudo muito bem. De quebra, ainda propõe debates pertinentes sobre a relação entre Ivy e o sequestrador e vai além ao discutir a passagem do tempo: para quem segue a vida normalmente, pouco parece ter mudado na última decada. No universo interrompido de Ivy, contudo, treze anos bastam para provocar um choque cultural e social gigantesco. Toda essa carga dramática é encarada com coragem e talento por Jodie Comer, em uma das melhores atuações do ano. Some a tudo uma direção competente e um roteiro bem amarrado e temos outra grande minissérie que 2016 nos proporcionou.

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