Hipster em Série: Vicious

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Depois de reviver a Hipster em Série com uma série britânica, meu objetivo para a coluna desta semana era abordar algum programa norte-americano, francês, brasileiro, etc. Mas foi impossível não voltar à Terra da Rainha por um motivo simples: Vicious, uma das melhores comédias dos últimos anos, acabou recentemente, e deixar a despedida passar em branco seria uma lástima. Deixar Vicious como um todo passar em branco é uma tristeza sem tamanho. Assim, se você ainda não viu essa preciosidade protagonizada por Ian McKellen e Derek Jacobi, leia este texto até o fim e, então, pare o que está fazendo e vá assistir.

É incrível, e de certa forma vergonhoso, que uma comédia tão boa e com elenco tão talentoso seja pouco conhecida fora do Reino Unido. Enquanto as discussões ficam sempre no entorno das mesmas sitcoms, algumas joias surgem do nada, sem muito alarde. Vicious, criada por Gary Janneti, acompanha as vidas de Freddie e Stuart, dois velhinhos gays que vivem sob o mesmo teto e, entre declarações de amor e farpas, recebem os mais curiosos amigos em constantes visitas. A trama é absurdamente simples, e a intenção é justamente essa. Se os americanos têm sua fórmula infalível de humor e sitcom, os ingleses têm a deles. Vicious é uma indiscutível comédia inglesa; se você já ouviu comentários sobre o “humor inglês”, mas nunca encontrou um bom exemplo, assista à criação de Janneti.

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Vicious não tem vergonha, não tem medo, não tem maldade. É uma carta aberta ao amor sem preconceitos, às amizades fiéis, à vida bem vivida. São tantos acertos que a série deveria ser reconhecida não como uma das melhores do gênero ou a mais engraçada, mas também como um dos programas mais importantes dos últimos anos. Tente contar nos dedos de duas mãos a quantidade de séries protagonizadas por idosos. Não estou falando de projetos com personagens idosos coadjuvantes, mas sim protagonistas, independentes. Se Grace and Frankie faz sucesso com a amizade de duas senhoras, Vicious já apostou no assunto muito antes e de com mais qualidade. Além disso, ainda que venham ganhando espaço, personagens LGBT não costumam ter suas próprias séries. Caso você ainda esteja contando, aproveite e faça o levantamento de quantas obras possuem protagonistas idosos e gays.

viciousToda a graça e qualidade da série talvez não fosse tão visível sem a presença de McKellen e Jacobi. Os atores são daqueles que não fazem esforço para entregar uma atuação irrepreensível. A química entre os dois (artistas assumidamente homossexuais) é gritante e o humor flui de suas performances da forma mais natural possível. Mas o elenco não se resume à dupla. Frances de la Tour se diverte na pele de Violet, melhor amiga do casal. Amiga fiel, mas muitas vezes inconveniente, Violet garante alguns dos melhores momentos da série. Ainda temos Mason e Penelope. Esta, a mais velha do grupo, volta e meia esquece as coisas ou se perde em seus pensamentos. Para encerrar, temos Ash, único personagem jovem do programa. Ash é vivido por Iwan Rheon, completamente distante do perverso Ramsay Bolton de Game of Thrones.

Vicious tem duas temporadas de sete episódios cada. A series finale foi exibida recentemente e mesclou o precioso e costumeiro humor desenvolvido desde o início com emoção e despedida. A trajetória foi curta, mas inesquecível. Resta rever os capítulos e indicar para quem ainda não viu. Quem ainda não deu uma chance à série, precisa corrigir o erro imediatamente.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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