Hipster em Série: Victoria

Victoria

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Com o término de Downton Abbey um espaço foi aberto. Faltava na TV uma série britânica nos moldes clássicos que fosse, ao mesmo tempo de época e épica. Mais importante: que fosse sucesso de público, crítica e dialogasse com a audiência moderna. Surgiu, então, Victoria, um programa que exploraria a vida e o reinado da Rainha Victoria. Adentra-se mais ao passado, retira-se a abordagem novelesca e insere-se as intrigas palacianas quase nos moldes de House of Cards. O resultado é mais uma surpreendente produção britânica que envolve o público com seu roteiro, excelentes atuações e produção do mais alto nível. Não só é uma notável substituta de Abbey como pode alçar voos ainda mais altos.

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Victoria começa logo após a morte do rei Guilherme IV. Victoria, a sucessora do trono, ainda é uma jovem de dezoito ano e recebe a mensagem com surpresa: dali em diante, ela é a rainha do Reino Unido. Começa aí a jornada da monarca. Não temos um visão ampla da sociedade. A série não está preocupada em ir às ruas e analisar o povo daquela época. Victoria é um show feito para acompanhar sua protagonista de perto, em um nível pessoal. Até mesmo suas decisões políticas são observadas e destrinchadas pelos roteiristas sob uma ótica íntima. De maneira esperta, a produção investiga importantes feitos do governo vitoriano relacionando-os ao cotidiano de Victoria.

É de se admirar, portanto, que Victoria seja uma série tão ágil sendo que sua trama se desenvolve majoritariamente na mansão real. Os dramas, romances e intrigas, se resumem a um espaço específico, variando pouco entre outras casas e ambientes externos. Nisso, o programa se assemelha e muito a Downton Abbey, que se consolidou entre as paredes de uma única residência. O projeto soa muitos vezes como um peça teatral, o que é ressaltado pelas atuações memoráveis do elenco.

E para falar do elenco é preciso dedicar a maior parte de nossa atenção e elogios a Jenna Coleman e Rufus Sewell. Este, aliás, tem uma das melhores atuações de sua subestimada carreira. Lord Melbourne rouba a cena principalmente nos primeiros capítulos, quando divide a tela com Victoria. Sewell é hábil ao empregar um olhar gentil e uma postura ética a Melbourne. Sua presença, contudo, é imponente e, logo, tanto a rainha quanto a audiência adotam sua imagem como uma das mais importantes da história.

Coleman abraça o papel de protagonista com garra e, no processo, faz valer o slogan da série: every inch a queen. Funcionando como jovem afoita e inexperiente e como mulher decidida e independente, Jenna encarna as várias facetas da Rainha Victoria com talento. É preciso, contudo, dar uma brecha à atriz e à série, que dramatizam e adaptam diversos momentos históricos. Pegue o romance que quase se concretiza entre Victoria e Melbourne; esse relacionamento entre os dois nunca foi confirmado nesse nível. Historiadores e muitos outros apontam a relação da dupla como pai e filha, e não como casal apaixonado.

É claro que na série, para fins dramáticos, um romance seria muito mais interessante. E é uma decisão que funciona. A química entre Coleman e Sewell é grande, fazendo com que o público torça pelo amor dos dois, mesmo que a história nos mostre que o destino é completamente diferente. Assim, é importante assistir Victoria como uma interpretação da realidade, e não um retrato. E essa é um das maiores qualidade do programa: não se busca ser didático, ensinando a audiência; o objetivo é entreter, e isso Victoria faz admiravelmente bem.

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