Os irmãos Menendez: conheça a história real por trás de Law & Order: True Crime

Imagem: NBC/Divulgação; Nick Ut/AP Photo; Rolling Stones

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Quando People v. O.J. Simpson: American Crime Story estreou no FX em 2016, muitas pessoas sequer sabiam do que se tratava, até porque o “julgamento do século” aconteceu noutra geração e chamou atenção de uma sociedade bem diferente da atual. É verdade que no decorrer da exibição da minissérie, muitos foram buscando e pesquisando a verdadeira história daquele tribunal do júri.

Tal produção foi além de contar o que aconteceu e tocou em temas essenciais para a sociedade da década de 1990 quanto a da de 2010 – machismo, consumo de mídia, racismo e culto exagerado às celebridades. Law & Order: True Crime promete algo similar, apesar da impossibilidade de uma produção da TV aberta ser tão ousada e incisiva como People v. O.J. Simpson foi.

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Para evitar desinformação e deixar nossos leitores em sintonia com a história que a NBC trará na Fall Season, faremos uma síntese do que aconteceu, os principais destaques e como que aqueles personagens estão agora.

O Crime

Na noite de 20 de agosto de 1989, Jose e Kitty Menendez assistiam televisão na sala de estar da sua mansão em Beverly Hills, Los Angeles, estado americano da Califórnia. Foi aí que Lyle e Erik Menendez armaram uma emsboscada e atiraram nos pais, matando-os com 15, repito, 15 ferimentos provocados pelas balas.

Imagem: Youtube/Reprodução

Em razão da riqueza do casal, a polícia primeiramente afirmou que o duplo homocídio se tratava do trabalho de alguma gangue local. O crime foi tão bem feito que eles conseguiram passar ilesos de acusações por alguns dias, até que a polícia começasse a investigar com mais calma e atenção, seguindo as pistas corretas.

Eles forajaram os recibos da compra de duas espingardas de calibre 12, criaram um álibe forte que disse aos investigadores que os irmãos tinham ido ao cinema no horário do assassinato. O cuidado goi tamanho que atiraram nos joelhos dos pais para parecer que tinha realmente sido um crime de gangue.

As autoridades afirmaram à época que eles estavam tentando acelerar o processo e receberem o dinheiro da herança o mais rápido possível. A defesa, entretanto, afirmou que os irmãos  “apenas” finalizaram um processo terrível de abusos sexuais, psicológicos e físicos.

https://www.youtube.com/watch?v=9sBKt6xhmKA

A descoberta

O Departamento de Polícia de Los Angeles tinha realmente comprado a ideia de que os irmãos estavam no cinema no momento do crime. É verdade que o detetive da polícia de Beverly Hills, Les Zoeller, ficou desconfiado com a calma e passividade de Lyle na noite do crime, mas nada que fizesse as investigações mudarem completamente de rumo.

Imagem: Instagram/Reprodução

O erro dos irmãos veio na semanas subsequentes ao crime. Eles copraram condomínios de luxo em Marina del Rey, um dos endereços mais caros de Los Angeles, Lyle adquiriu um Rolex, uma Porsche e até mesmo um restaurante em Princeton, estado americano de Nova Jersey.  Já Erick comprou um Jeep Wrangler, contratou um técnico de tênis cuja mensalidade era de 50 mil dólares por ano, além de ter investido 40 mil dólares num show de rock como um promoter.

Seis meses após o assassinato dos pais, os irmãos gastaram algo em torno de 700 mil dólares. “Eles estavam gastando dinheiro como água,” disse Zoeller. Em março de 1990, sete meses depois do crime, Lyle e Erik Menendez foram presos pelo assassinato de Jose e Kitty Menendez.

O julgamento

Quando o julgamento começou, poucos acreditavam que os irmãos Menendez eram inocentes. A questão que tinha que ser esclarecida, entretanto, era o “porquê” deles terem cometido determinado crime. A defesa, liderada pela excêntrica Leslie Abramson, seguiu com o melhor argumento que tinham – Lyle e Eirk chegaram ao limite depois de uma vida sofrendo os mais diversos dos seus pais.

Leslie Abramson argumentando pela defesa em 1995 Imagem: Michael Owen Baker/AP

A promotoria não teve a vida fácil que imaginavam. O primeiro julgamento em 1993 fez história, já que foi transmitido ao vivo para todo os Estados Unidos pela então Court TV (hoje TruTV). A decisão de exibir o julgamento foi uma grande polêmica, visto que vários advogados acreditam ser uma péssima ideia pelo fato da pressão e do clamor popular que cresceriam dali. Dito e feito. Os Menendez foram responsáveis pela “boa televisão” da época.

Em janeiro de 1994 anunciava-se que o julgamento, feito com dois júris em locais diferentes, não teria resultado. O mistrial declarado pelo juiz não agradou nenhuma das partes em razão do tempo investido, as emoções em torno, as testemunhas ouvidas e todo o esforço colocado no caso. O promotor distrital, Gil Garcetti (pai do atual prefeito de Los Angeles), prometeu um novo julgamento enquanto a defesa alegava a “complexidade do caso” para tal resultado.

O segundo julgamento foi bem menos publicizado pelo fato do juiz Stanley Weisberg ter negado a presença de câmeras na sala. Em 07 de abril de 1996, o segundo e último julgamento recomendou prisão perpétua para os irmãos, sem possibilidade de condicional. No dia 02 de julho de 1996, Weisberg condenou os dois irmãos a prisão perpétua sem possibilidade de condicional pelos crimos de duplo homicídio e conspiração para cometer um homicídio.

Fontes: CNBC, Vanity Fair, Rolling Stone, Time, The New York Times e Rolling Stone

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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