House of Cards – 3×01 – Chapter 27

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Foto: Arquivo Pessoal/Ana Egídio

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Enfim, ele voltou.

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Com o peso de um Globo de Ouro em mãos, Kevin Spacey retorna para o papel que concedeu mais alguns pontos de glória em sua carreira. Diferente da imagem de um Frank Underwood forte e recém vitorioso, o Chapter 27 nos lança no meio de uma turbulência de decisões, em uma pequena amostra do que provavelmente iremos ver daqui em diante.

Como de costume, House of Cards volta com sua típica delicadeza bruta, narrando-se pela fotografia de detalhes e beleza, indo além de diálogos simples. Vemos Frank, rodeado pela imprensa, sendo prepotente e embriagado pelo poder. Não ingênuo, porém. Mais suave que o início da 2ª temporada, a história tem um retorno calmo, firme e (um pouco) esclarecedor. O clima, no entanto, reflete uma tranquilidade pré-guerra, como se estivéssemos esperando a próxima rodada de disparos.

O foco do episódio ficou com Doug (Michael Kelly), que está vivo e tenta se recuperar do acidente. Em um paralelo às próprios deficiências que Frank enfreta no poder, vemos a incrível atuação de Michael, demonstrando um outro lado do “Doug humano”: devoto, confuso e dependente da atenção de seu chefe para conseguir manter o equilíbrio. É assustador a excelência em reproduzir o caos mental que o personagem passa, de certa forma lembrando o próprio Russo (Corey Stoll) em seus últimos dias. É ele o responsável por uma das cenas mais fortes de todo o seriado. Novamente, vemos que o nível do jogo aumentou.

Sem ser a atenção principal, a única visão que temos de Frank é de um presidente deslumbrado com o poder perante sua equipe, tentando manter a ordem através da voz, e não mais com contatos estratégicos. Diferente, mas ainda não é justo dizer que ele perdeu a clareza. No outro lado da balança aparece Claire (Robin Wright), sabiamente contrapondo o golpe de lorde de Frank com sua delicadeza firme e fria.

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Foto: Arquivo Pessoal/Ana Egídio

A diferença é que, pela primeira vez desde sua súbita consciência na segunda temporada, os dois parecem jogar em ritmos diferentes. O presidente não demonstra sua habitual maestria, enquanto Claire é quase um mito. Sua figura, quando entra em cena de verdade, impressiona. Ela cresce para se tornar mais do que a sombra estratégia de Frank, e essa questão fica clara em sua obstinação em não ser somente a primeira dama, mas já contatar possíveis aliados que, atualmente, não habitam a lista de amizade de seu marido.

O primeiro episódio não demora para introduzir pequenos elementos que evidenciarão a história daqui para frente, mas deixa claro que ainda há muito o que se discutir. O ponto alto, porém, fica com o final consistente e quase sarcástico, onde todas as dúvidas da parceria de Frank e Claire, tão bem estruturadas, são varridas da mesa em simples trinta segundos.

O presidente e a primeira-dama: um time. Perfeitos e aliados, em batalha, acima de todos. Juntos, mas até quando? A única certeza é que incrivelmente difícil assistir apenas um episódio, e devemos agradecer a Netflix pelo seu sistema. Com ou sem vida social, não deixe o presidente esperando.

 

2 comentários

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    Edney Raulino 3 março, 2015 at 13:48 Responder

    Tinha prometido pra mim mesmo assistir apenas um episódio por semana, e se eu me comportasse bem, talvez ganhasse um outro. Mas bem, esse começo da terceira temporada me deu uma rasteira, e eu já estou no quarto episódio. Apesar dessa temporada não explodir a cabeça como o começo da segunda temporada, ela nos mostra algo que não estávamos acostumados a ver. O que nos pegou de surpresa foi justamente o fato de ver o Frank numa posição difícil depois de duas batidas na mesa e um final de segunda temporada muito foda.
    Muito bom o texto Ana.

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      Ana. 3 março, 2015 at 21:40 Responder

      Obrigada, Edney! Teu comentário resume bem meu pensamento. A vontade de esperar e ver com calma os episódio versus a incapacidade em pausar Frank no meio de sua atuação. Voltou calmo, diferente, mas tem uns pontos que, vish… é um orgulho.

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