House of Cards – 3×03 – Chapter 29

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Foto: Arquivo Pessoal/Ana Egídio

 

Depois de administrar seu retorno com paciência, House of Cards continua resgatando suas velhas glórias aos poucos, o que resulta em um terceiro capítulo mais fraco, teatral e, mesmo assim, muito importante para a história que se cria.

Algo que essa terceira temporada acertou na balança foram as comparações sádicas com a realidade – sejam elas em um núcleo político ou não. No caso do Chapter 29, as “cutucadas” livres ao governo russo são hilárias. Ao mesmo tempo, elas demonstram vícios internos dentro da sala do presidente, o que leva a ser um dos pontos interessantes das mudanças de cenário: tudo é mais detalhado, jornalístico, histórico e com segredos cobertos em ouro e guardanapos bem dobrados.

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Nem é preciso comentar que a semelhança e a comparação com o governo russo assusta. Mesmo sendo uma série adaptada de um livro de 1980, House of Cards forma sua própria mitologia dentro de um cenário atual e espinhoso. Com classe.

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Foto: Arquivo Pessoal/Ana Egídio

O fato de ter tomado o poder de forma tão rápida também não favorece Frank, algo que parece só piorar com o tempo, e o número de inimigos que ele fez no congresso quando passou por cima de outros políticos também não ajuda. Nesse ritmo de combates, o seriado desconstroi nosso presidente repetidamente para que possamos analisar seu perfil de maneira sincera, mesmo que nossa fé permaneça ao seu lado. Um tanto quanto abalados depois do beijo do presidente russo em Claire, seguimos esperando ressurgir feito fênix o, então, Underwood de “guerra”.

É nesse ponto que a série também começa a reforçar a preocupação de Claire (Robin Wright) em não ser apenas a primeira dama, e o resultado é uma interpretação empolgante de Robin, que demonstra as estratégias sutis de sua personagem em pesquisar e conquistar aliados. Aqui, novamente, a tela se divide (metaforicamente) entre o casal da Casa Branca enfrentando problemas em combates individuais.

Os personagens secundários falham em chamar tanta a atenção quanto Zoe conseguiu na primeira temporada; o roteiro traz as estórias paralelas de maneira arrastada, e o que devia virar mistério se torna um pouco tedioso. No entanto, nada que não possa ser resolvido com mais ação a partir da metade da temporada.

Os pontos altos do episódio são a conversa de Claire com o presidente russo, e a participação de Pussy Riot nos créditos – com lançamento de música. Podemos adicionar aqui também o discurso final de Frank e sua mudança de atitude. Ao mesmo tempo que vemos essa questão teatral e medrosa dele, ele retoma ao seu estado de habitual predador  no final. Até aqui, tudo se forma como um grande prelúdio do que irá acontecer – sem pressa, mas muito mais difícil de contornar.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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