House of Cards – 3×04 – Chapter 30

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Foto: Arquivo Pessoal/Ana Egídio


 

Em seu quarto capítulo, House of Cards continua desmistificando o personagem de Kevin Spacey. Em um episódio de acontecimentos importantes, Frank não parece mais ter domínio sobre suas decisões – e muito menos das pessoas ao seu redor. Sem poder manipular ou causar medo em todos, sua cultura de comando absoluto é abalada por personagens que interferem seu caminho de maneira perigosa, sem se curvar.

A série continua em um ritmo parado, cercada de momentos de impacto. Sentimos falta do sangue, do sexo e das boas saídas de mestre. Algo natural para um começo de temporada, mas cansativo pelo excesso de simbolismo teatral (ovos, Jesus). Chapter 30, porém, mostra cartas altas no baralho, a começar pela ação desleal de Doug (Michael Kelly).

Mais sólido e ainda em procura de Rachel (Rachel Brosnahan), ele se comporta como um cachorro machucado, doente, que apanhou do dono e agora espera fora de casa para entrar. Perigoso e sozinho, vai balançar o rabo para qualquer um que mostrar o maior osso. Mas não só isso: ele precisa se provar para Frank, de uma maneira ou de outra. Onde a mordida seja maior.

O que é ainda pior por Frank estar longe da sujeira e não deter mais todas as informações. Quando ele cavou com dentes seu caminho à presidência era de se esperar que usaria a mesma habilidade para se manter em jogo, o que não acontece de imediato – diferente de sua primeira real adversária, a advogada-geral e agora candidata, Heather Dunbar (Elizabeth Marvel).

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Foto: Arquivo Pessoal/Ana Egídio

A direção de fotografia e composição de cena continuam sendo os elementos mais fortes do seriado. Apesar da riqueza do roteiro, a única coisa melhor do que as temporadas anteriores é o trabalho feito com os novos cenários: ângulos, luzes, equilíbrio de cores. House of Cards possui uma identidade visual própria que continua impressionando.

A cena dentro da igreja talvez ajude a entender mais os delírios de poder de Frank, e a dúvida que ele mesmo coloca nos ombros. Perdendo a liderança que exercia antes, como conselheiro, Frank patina em conseguir transformar medo em poder. Este episódio reafirma o uso de analogias que a terceira temporada trouxe, martelando em dogmas da sociedade americana e cuspindo – literalmente – em antigas heresias.

O fato é que depois de tudo que Frank fez para chegar até aqui, ele não parece aceitar o fato que outra pessoa pode alcança-lo tão facilmente. Sabemos que ele não vai desistir de sua cadeira de rei, mas o que mais ele estaria disposto a fazer?

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