House of Cards – 3×05 – Chapter 31

HoC

Imagem: Arquivo pessoal

Após dois episódios um tanto quanto cansativos, House of Cards retorna aos trilhos que nos fizeram começar essa viagem louca. Não que a série estivesse em baixa qualidade, mas sentimos falta de elementos mais ácidos e cruéis, em uma narrativa com mais ação. Talvez o impacto da morte de Zoe (Kate Mara), logo após o caso de Russo (Corey Stoll), tenha nos acostumado mal. A terceira temporada estreou e ficamos esperando que Frank fosse capaz de resolver tudo, sem se importar com as consequências. Naturalmente, isso não aconteceu.

Essa é a questão: ele não pode resolver tudo. Câmeras, congresso e pressão em seus ombros limitam um velho gladiador à uma posição de liderança engravatada, o que tira certo carisma tanto do personagem quanto da série em si. Para compensar, Claire (Robin Wright) toma o lugar das estratégias pessoais e do jogo de interesse, caminhando para o lado de Frank (Kevin Spacey) e se mostrando não uma aliada qualquer, mas uma peça vital para a sobrevivência do time.

Outro ponto de glória que House of Cards trouxe é justamente o crescimento da personagem: desde suas pequenas tramas, o corte do amante na segunda temporada, suas corridas no cemitério: tudo foi feito para estruturar a transformação de uma mulher ambiciosa e assustada em uma pessoa obcecada pelo poder e pelo reconhecimento de sua capacidade. Ela está certa, ninguém devia a ignorar. Muito menos humilha-la.

Continua após a publicidade

O que, novamente, torna esse episódio o melhor da temporada até agora: Claire lida com machismo e prepotência com suas armas – mesmo que com o apoio do marido. A série acerta em trazer para a temática do episódio dois grandes assuntos em pauta: homofobia e desigualdade de gêneros. Ao mesmo tempo em que enaltece a liberdade de expressão e cutuca a Rússia por suas leis medievais, demonstra a hipocrisia no tratamento feminino interno da política. Claro, por parte da Rússia, ninguém vai querer ficar cuspindo na bandeira americana assim – a censura já permitiu Frank desrespeitar Jesus e o congresso, o que mais você espera?

Novamente, a conexão de uma história própria com fatos rotineiros do noticiário enriquecem a trama. Ainda caminhamos entre “pequenos grandes” pontos de impacto, enquanto histórias paralelas ganham forças nas margens do texto, o que pode se resumir em duas opções: ou a série irá ter uma grande virada ou vamos morrer na praia. No caso, no Jordão.

hoc

Imagem: Arquivo pessoal

House of Cards é uma ótima metáfora de situações e, sua força maior, acima de tudo, é personificar o significado pleno da palavra “política”. Os ajustes, as batalhas silenciosas, os papéis em cima da mesa. Prova disso é o valor dado à questão lealdade, e como isso transforma meninos em homens engravatados (o que vale para Claire também, aliás).

Vemos esse exemplo quando Seth (Derek Cecil) entrega o diário do médico que participou do aborto de Claire, na segunda temporada, e usa o mesmo material para transferir a lealdade de Doug (Michael Kelly) à nova candidata é, acima de tudo, uma representação artística da filosofia de House of Cards. Um lembrete de que, sim, estamos jogando e a narrativa precisa dessa inversão de caráter, mas não é por isso que não podemos fazer com classe.

O episódio resgatou nossa velha admiração pelo presidente e a lembrança de que há muita história pela frente para ser escrita. Por isso, esperamos que os apertos de mão voltem a estar sujos de sangue.

Equipe Mix

Equipe Mix

Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

No comments

Add yours