House of Cards – 3×06 – Chapter 32

HoC review
Imagem: Arquivo pessoal

Vamos começar apenas falando que esse episódio foi incrível. Animal. Impactante e um dos melhores da série. Da terceira temporada, possivelmente, o melhor que teremos. Sinceramente, será difícil superar o que aconteceu nesses 50 minutos.

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Quando a visita da Casa Branca à Rússia foi programada, tudo parecia diplomaticamente aceito. A paranoia de um presidente, que precisava invocar leis medievais, contra o ego de um manifestante preso, porém, fez o Chapter 32 se tornar um espelho de todas as qualidades de House of Cards, além de trazer para a história situações que antes não haviam acontecido – como a briga feroz de Frank (Kevin Spacey) e Claire (Robin Wrigth) na volta para casa.

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A série continua seguindo entre a balança do time Underwood; cada detalhe de cenário, cada frente de batalha dividida. Enquanto todas as decisões políticas até aqui fortaleceram o laço de dois aliados que pareciam ter tudo em acordo, esse episódio resgatou as contínuas pausas de reflexão de Claire. Resgatou, enfim, o casamento do presidente e da primeira-dama, e não o acordo de negócios que a relação deles se tornou.

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HoC review 2
Imagem: Arquivo pessoal

O problema é justamente isso: como parceiros de negócios, eles se entendem. Como marido e mulher, porém, o conformismo parece fazer efeito, até que bate com questões mais profundas que acordos políticos. Claire é a força e a fraqueza do time Underwood, ao mesmo tempo em que ela recompõe Frank, ela é a única que parece ter dúvidas. Frank sempre é certo no que ele procura, mas Claire tem seus altos e baixos durante as decisões mais difíceis. Não por ser uma pessoa fraca – o que ela já provou não ser -, mas por ser mais humana do que seu marido, que está disposto a muito mais que ela para continuar no poder.

Além da questão central da negociação russa sobre a libertação do ativista Michael Corrigan (Christian Camargo), o episódio também teve cenas importantes no paralelo, como as novas informações na procura de Rachel e o bem estar óbvio de Doug (Miachel Kelly), que reflete o novo caminho que ele resolveu seguir. Ainda longe dos olhos de Frank, essa decisão não explodiu como certamente irá acontecer. O que também deixa um mistério sobre qual será a consequência de adicionar Rachel de volta à trama.

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Novamente no oriente do mundo, Claire prova que não tem o sangue de barata necessário para se governar um país. A conversa com o ativista é necessária para reacender isso, e demonstra uma esposa que não está arrependida pelo casamento, mas que teve seus pequenos monstrinhos expostos, antes de voltar a esconde-los.

O acontecimento central do episódio coloca a esposa de Frank frente à algo muito maior do que ela enfrentou até aqui. A sua falta de controle demonstra, de uma vez por todas, que ela não é uma política, Frank é. E na vida que eles decidiram seguir, Claire é o elo fraco do time. Ainda acredito que isso ainda vai se transformar na sua força, agora, no entanto, colocou coisa demais a perder.

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É impressionante como House of Cards consegue demonstrar, visualmente, o que está sendo discutido no roteiro, como pequenas metáforas de imagem: eles juntos, Claire dormindo, eles separados no avião. Além de tudo, a série é feita de falas categóricas, e esse episódio trouxe de uma só vez tudo que fez as pessoas se apaixonarem pelo seriado.

É como se a terceira temporada tivesse começado agora e, enfim, agressiva, sangrenta e desleal. Frank estava certo em dizer que política não se trata de bravura e que, muito menos, bravura se trata de egos e momentos de coragem. Claire precisa entender que essa caminhada não é um conto de fadas, e a pergunta que fica é se o casal Underwood conseguirá sobreviver. Porque, ou eles permanecem juntos, ou se destroem.