House of Cards – 3×08 – Capítulo 34

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Foto: Arquivo Pessoal/Ana Egídio

É difícil analisar essa terceira temporada por só um ângulo, julgando sua qualidade por uma recorte único. Por isso, episódios como o capítulo passado se tornam questionáveis e tediosos – adjetivos que definitivamente não cabem para o Capítulo 34.

Aqui a proposta gira em torno do fator “confiança”; sobre as pessoas que Frank deixou pelo caminho, sobre quem ainda está ao seu lado e sobre como as outras relações existentes se desenrolam fora de seu controle. Pequenos detalhes, como a conversa de Freddy com seu sobrinho, exemplificam isso.

Dessa forma, House of Cards prova que uma lente de 50 minutos não avalia seu qualidade, e sim que a nomenclatura de seus episódios como “capítulos” fazem parte da mitologia da série: é um todo, dividido em grandes momentos de méritos e outros de águas baixas. Além disso, essa pequena fração de história contou com ingredientes que o seriado não via há tempo: foco na política em vez do casal, tramas paralelas trabalhando em simultaneidade e personagens marcantes e saudosos.

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Outra parte positiva foi a reafirmação da personalidade de velhos conhecidos, como o próprio Frank com Remy. A falta de respeito de Remy demonstra um líder de estado longe de sua própria disciplina mental, como o respeito com o presidente que ele tanto exigia. Mesmo assim, ele parece mais forte e consciente do que já esteve antes, e podemos voltar a confiar em suas decisões. Por enquanto.

Sua adversária de campanha, Heather Dunbar, é realmente poderosa e firme em seu curso político, mesmo que até esse ponto ainda não havia sido decidido se Frank iria ou não concorrer como próximo presidente. Esse entusiasmo fez forma, e diferente de outros episódios, aqui já é introduzido mais os pontos que interessam de maneira direita, sem tantas analogias desvirtuadas.

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Arquivo Pessoal/Ana Egídio

Mesmo que o universo de jornalistas não seja tão forte quanto antes, sua prática ainda é um dos núcleos mais interessantes – ou vocês sentiram faltam do hacker e da ex-garota de programa? Exato. Com os escritores, aliás, a série faz uma jogada extremamente inteligente: ao assumir um Frank observado pelo olhos da crítica, a locução off do escritor e da jornalista funciona como um charme no roteiro, sem fugir de sua essência primária nem desviar a história do seu curso principal.

Está claro o que a terceira temporada quer contar: a construção de um time dentro da política, balanceado a força destrutiva de Frank com a emoção friamente objetiva de Claire: os passos, os buracos e as manchas que o casal acumula, envoltos no próprio arame político. Para isso, claro, é preciso que alguns episódios demonstrem mais as nuances dessa relação, com ou sem os ovos quebrados por baixo dos pés de Frank. Mas o desequilíbrio na proporção desse raciocínio em cena pode cansar.

O Capítulo 34 propõe e termina seu próprio caos, o Furacão. Ele cresce em torno dessa trama central, especula posições de narrativas paralelas e determina qual será o curso a seguir para Frank, completando sua missão e se “resolvendo” no final. Diferente de qualquer suposição antes feita,  ele fecha um conto e amplia a história com classe, deixando apenas a ansiedade em voltar para assistir mais. Você sabe o quanto é difícil levar uma vida profissional e pessoal com uma conta da Netflix disponível, mas por episódios de House of Cards como esse, vale a pena.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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