House of Cards – 3×09 – Capítulo 35

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Foto: Arquivo Pessoal/Ana Egídio

 

Tanto o final do episódio passado quanto o início do Capítulo 35 mostram que, a partir desse momento, essa terceira temporada entra em uma nova etapa. Uma nova linha é traçada quase que como uma divisão, onde primeiramente fomos apresentados à debates e construções de personagem, e agora somos introduzidos à movimentação da história que cresce por si só, com base em tudo que foi – tão bem – feito.

Ao chegar aqui, em um episódio que divide águas, vemos como foi importante a descaracterização de Frank, os duros golpes de Claire e a importância de Doug.

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Enquanto o episódio 8 falou de “confiança”, esse trabalha o limite humano que existe em House of Cards. Não estamos acostumados a ver além das máscaras políticas, mas se tem algo que a terceira temporada soube trabalhar melhor foi na complexidade do seu time. Antes vimos um ponto único na câmera, e agora, com tanto em jogo, essa perspectiva se divide na emoção crua por trás das apostas ao mesmo tempo em que consegue equilibrar a continuidade da história.

Em paralelo, a construção de Frank é mais complicada, já que seu próprio personagem se tornou mais complexo. Como presidente, ele não tem só mais poder em mãos, mas também câmeras na escada e peso nos ombros. O que é interessante para a trama, pois a torna mais rápida e com mais pontos de impacto.

Além de nos apresentar essas conclusões, o episódio é empolgante por si por trazer um Frank discursando em busca de votos. Ele chegou até aqui com sua maior arma: manipulação de fatos. Será que é possível controlar tantas pessoas para ser eleito? Apesar dessa mascaração óbvia, o presidente está obstinado em fazer um bom trabalho. Em ser lembrado pela sua capacidade e não pelas glórias de se estar na Casa Branca.

Porém, o que começou com um episódio que parecia ser focado em angariar votos, demonstra que o caminho para as eleições ainda é grande – o presidente tem muitos problemas para cuidar em seu próprio jardim e nos jardins vizinhos, antes de se preocupar com patrocínios e forçar complementares. Dessa forma, seus concorrentes crescem em cima de seus pontos fracos.

Enquanto a confusão na mesa de Frank se espalha, outros personagens aparecem na tela de maneira única: Remy e Jackie, por exemplo, em um espelho do caminho que os trouxe aqui. Jackie tem grande potencial, mas sua presença ainda parece deslocada, sem muito onde chegar. Remy parece não saber onde se encaixar. Não tem a concentração de antes, não tem o entusiasmo. Parece querer mais. Do jeito que o jogo segue, Frank precisa de alguém forte ao seu lado, e não com ressalvas.

O ponto alto, sem dúvidas, foi enfim o reencontro de Doug e Frank. Pessoalmente apostei fichas de que Doug havia realmente mudado de lado, mas agora vemos um homem com mentalidade totalmente abalada que tentou buscar “balas de prata” para provar a si e ao seu chefe o quanto ainda é útil. Ao que parece, sua sanidade merece mais dúvidas do que sua lealdade.

Em uma atuação incrível, Michael Kelly traz um personagem quebrado, disfarçado de obsessão. Enquanto parecia reconstruído, com seu pequeno romance e seus conselhos de campanha, Doug na verdade guardava os cacos que ainda sobraram de seu acidente. Ao saber de Rachel, ele finalmente se quebra e aparece como um homem sem objetivos, sem ter porque resistir mais. Apesar de esperar um grande confronto entre Frank e Doug, a série surpreende com a linha tomada para essa história – e a cena de Doug com o irmão realmente emociona pela carga do personagem até aqui.

O tédio que muitas vezes correu nossas esperanças parece não ter data para voltar, e House of Cards cresce para escrever mais um capítulo brilhante de sua história.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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