House of Cards – 3×10 – Capítulo 36

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Imagem: Arquivo pessoal

A cada episódio que passa House of Cards ganha mais força, dessa vez particularmente com poder dos coadjuvantes na construção da história. Tanto Frank (Kevin Spacey) quanto os outros personagens evoluíram dos plots iniciais propostos, e hoje brincam longe do marasmo inicial da temporada. Não que tenha havido muita ação no capítulo 36 – o que, mesmo com a ida de Frank para a zona de guerra, realmente não houve. Mesmo assim, os golpes com luva serviram para delinear ainda mais a trama, que cria corpo e cresce cada vez mais interessante.

Fora da trama central, por exemplo, a relação da Jackie (Molly Parker) e Remy (Mahershala Ali) não é exatamente empolgante, o que remete em um desperdício de material, pois são personagens extremamente interessantes. É possível que ainda exista um uso mais prático deles a frente, como houve com Doug (Michael Kelly), mesmo sem Rachel (Rachel Brosnahan).

Os pequenos detalhes do passado resgatam o velho Francis, o que é sempre agradável, além de demonstrar consistência. Hoje, sua posição o faz compartilhar seus planos com muitas pessoas, envolver muitas opiniões alheias, o que dificulta sua irreverência de estrada. Apesar disso, House of Cards consegue surpreender com algumas ideias inusitadas no caminho, como o próprio retrato sádico que o seriado faz da relação entre Rússia e Estados Unidos.

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Os russos, aliás, trabalham em um nível de guerra política muito maior do que Frank havia visto antes. Honra e pecado, lado a lado. Enquanto encontra soluções e apanha sem mostrar os dentes, é divertido ver Viktor Petrov (Lars Mikkelsen) questionando se Frank seria capaz de matar com as próprias mãos um inimigo. A partir desse momento sabemos que tudo fica suspenso, esperando uma grande colisão. Assim como a guerra, a série passou para um terreno interno mais sério.

O jogo continua com o duelo eterno entre diplomacia versus impulsividade, protagonizado por Frank e Claire (Robin Wright). A responsabilidade de cada um com seu lado da balança pesa durante o episódio, o que vai afetar os acontecimentos não de hoje, mas da linha que virá a seguir.  Além disso, os diálogos inteligentes de House of Cards ilustram uma trama muito bem trabalhada, e vemos o resultado dessa dança de falas na cena em que o presidente americano conta para sua esposa as exigências feitas pelo governo russo. É nesse momento em que ele, brilhantemente, resume tudo que aconteceu até agora: “Às vezes eu acho que a presidência é a ilusão da escolha“.

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Imagem: Arquivo pessoal

Essa é a questão: ele é o Presidente, com o poder total, mas suas decisões são limitadas justamente por esse poder. A conversa de Frank e o escritor, Tom Yates (Paul Sparks), reflete isso, no que você consegue quando ainda é invisível: o acesso, as pessoas, os segredos. Quando você se vicia nessas histórias que se conta com portas trancadas, é difícil parar e passar a dividir o domínio público dos seus pensamentos.

Essa relação do Presidente com Tom é um dos melhores pontos paralelos da série, pois tanto ajuda ilustrar os acontecimentos centrais quanto é uma via de escape para trabalhar melhor Frank, Claire e até mesmo os subordinados que o rodeiam.

O Presidente parece preocupado com os sacrifícios impostos à sua mulher. Ele sabe quem está em seu lado e o quanto é difícil conseguir controlar seus monstros depois estão soltos. Mais do que preocupado, ele está irritado com quem o fez tomar decisões injustas (ou não). De qualquer forma, Frank não gosta de estar em uma esquina sem escolhas, e nós sabemos o que isso significa.

Equipe Mix

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