House of Cards – 3×12 – Capítulo 38

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Imagem: Banco de Séries

Na reta final da temporada, o penúltimo capítulo é uma demonstração específica da força narrativa de House of Cards. Sua história, sua cultura e seus grandes personagens se encontram e, finalmente, juntam um pouco mais dos pedaços quebrados deixados durante toda a terceira temporada.

Talvez os últimos onze capítulos foram os mais sensatos de toda a série, apresentando justamente a construção necessária para a criação de uma grande virada de impacto. Até aqui, vimos uma ponderação de caminho, e não os passos fortes e decididos de antes. O que decididamente não é ruim. Pelo contrário, provou que a série ainda tem muito por onde crescer e trabalhar. Para os fãs, quase se transforma em um mito.

Vemos Frank correr e tropeçar nos próprios projetos: America Works, Claire na ONU, o presidente russo. Cansado de dar socos na parede, o Capítulo 12 mostra uma decisão mais precisa do presidente, e com uma direção incrível, o episódio é feito de detalhes. Mais do que nunca vemos Claire sendo colocada como protagonista, lado a lado de seu marido. A subjetividade quase gritante da série é outro lado interessante, com cortes de Claire deslumbrando o poder que ela exerce fora da sombra do marido e como ela odeia ter que precisar dele para estar no comando.

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Os roteiristas acertaram em cada detalhe, criando um penúltimo capítulo delicado e cheio de situações em potencial, que em conjunto com a fotografia e sonoplastia, é preenchido com apreensão e surpresa. Somos levados a acreditar, mais uma vez na parceria entre Frank e Claire, mas enquanto ele “cortaria gargantas” para protegê-la, a primeira dama cai suavemente para o mesmo poço escuro em que tantas vezes se perdeu nas temporadas passadas. Alguns chamam isso de moral, eu particularmente ainda sou Team Frank demais para nomear assim.

Nesse ritmo, a série amarra perfeitamente todo o foco do episódio, que retrata o que as pessoas se tornam quando buscam algo, e o quanto se afastam daquilo que acreditaram ser. O quanto vale a pena ser sacrificado pelo poder, pela vitória. Para Jackie e Remy, foi o relacionamento deles. Para Heather Dumbar, sua honra feminina. Para Frank… Bem, Frank foi feito para esse jogo. Sacrifício seria não o ter jogado.

E então vemos Claire: potencialmente na linha final de sua consciência, perturbada quando lhe jogam o passado podre que a tornou primeira-dama, entre fazer o sacrifício de continuar no caminho escolhido ou não. Ao mesmo tempo que essa dúvida é interessante por a tornar humana, também é cansativo pela falta de confiança que ela traz. Obviamente digo isso porque gosto da Claire fria e sem escrúpulos, que vence pela estratégia assassina sem sujar as mãos. Me decepciona ver ela caindo nos próprios medos, impotente. Para a série, porém, funciona.

Além de ser fiel na subjetividade tão característica, o episódio 12 desta temporada é um dos melhores de toda a série pela resolução de problemas que apresenta. Fecha plots e define a temporada, abrindo espaço para uma season finale aparentemente maior ainda que as anteriores. Quando Claire se senta no sofá, de frente para o marido, sabemos que a temporada inteira foi feita para terminar ali, nesse momento. Que cada piada do presidente russo, cada frase medida de Tom, cada gesto de Frank, nos trouxe para a afirmação máxima: Claire é a bomba relógio do Time Underwood.

Se Frank conseguirá desarmá-la ou ela vai explodir em seu colo, é outra questão. Para nós, nunca fez tão bem ter todos os episódios liberados – seria extremamente angustiante esperar o relógio correr.

Equipe Mix

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Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

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