House of Cards – 4×08 – Chapter 47

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Imagem: Arquivo Pessoal/Matheus Pereira

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Uma das melhores coisas sobre House of Cards é que os roteiristas nunca esquecem o passado da série. Tudo o que foi dito ou feito não é deixado para trás. Uma hora tudo volta e é realmente elogiável o controle que a produção tem sobre a história como um todo. A quarta temporada parece destinada a ressuscitar assuntos do passado e até mesmo personagens. As aparições de Zoe e Russo nos capítulos anteriores provam isso. E o retorno de Tom Yates neste oitavo episódio vem para confirmar que em House of Cards as feridas nunca curam.

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O escritor reaparece logo no início do episódio em uma conversa com Conway, rival de Frank na corrida presidencial. Para quem não lembra, Yates passou um tempo ao lado de Frank e Claire para escrever um livro sobre o presidente. No final, as coisas não deram tão certo e o livro acabou virando ficção. Uma ficção com vários fundos de verdade, é claro. Agora, Conway quer que o livro seja publicado antes da eleição, pois ele sabe que o romance pode revelar diversos segredos obscuros sobre os Underwood.

A grande sacada do encontro entre Yates e Conway é que ambos estão em lados opostos da política. O escritor se autoproclama um “democrata marxista”, enquanto o candidato à presidência é um republicano neoliberal convicto. Aqui, House of Cards brinca com os espectros políticos sem medo de errar. É uma abordagem perigosa; ter Yates ajudando Conway seria uma contradição para com o personagem do escritor. Os dois parecem tão distantes em suas convicções políticas que uma aliança parece demasiado absurda.

Mas todos sabem que posições políticas não são tão definidoras em House of Cards. Basta olharmos para o próprio protagonista, Frank Underwood, um candidato originalmente democrata, mas que se camufla e passeia por qualquer lado apenas para conseguir o que quer. De todo modo, é ótimo ver Yates se aliando novamente aos Underwood; isso é bom não só porque deixa Frank e Claire em posições mais confortáveis, mas porque o escritor é um grande personagem, e vê-lo ao lado do casal protagonista é excelente. O que pode surgir dessa relação entre os três é promissor, e na ausência de Meechum, Tom pode ser um ótimo parceiro de campanha.

Mas o episódio não tratou apenas de Tom Yates. House of Cards segue fazendo um ótimo trabalho ao abordar questões pertinentes e atuais. É de se elogiar, portanto, que a série aborde temas como o controle de armas de fogo e as polêmicas práticas de vigilância, usando a NSA diretamente como ferramenta narrativa. E não pude deixar de imaginar o presidente Obama, fã de House of Cards, acompanhando esse plot sobre vigilância e uso de dados pessoais.

Para finalizar, é ótimo ver Frank e Claire alinhados novamente. Como nada é gratuito na série, é notável o momento em que Frank pede para que a porta da sala de reuniões fique aberta. O pedido, claro, faz parte de algo combinado com Claire, que passa em frente à sala revelando a outra personagem quem estava dentro do recinto. Outra dupla, porém, parece completamente desalinhada: LeAnn e Doug seguem divergindo e o que pode surgir daí é empolgante. Fora da Casa Branca, Tom Hammerschmidt começa uma investigação mais aprofundada acerca da relação de Frank com Zoe. E isso, meus amigos, pode garantir duas coisas: ou os Underwood estão sob ameaça ou mais alguém irá perecer frente ao poder de Frank e Claire.

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