House of Cards – 4×10 – Chapter 49

houseofcardschapter49

Imagem: Arquivo pessoal/Matheus Pereira

 

A estratégia deu errado. O tiro saiu pela culatra. A convenção aberta dos democratas acabou prejudicando Frank. O que era para ser apenas uma ferramenta, uma forma de colocar Claire como vice-presidente, acabou se tornando um monstro perigoso que colocou até mesmo a candidatura de Francis em risco. Mas não duvide de House of Cards e nem dos Underwood, pois muito pode acontecer em um episódio.

Para começar, um dos principais pontos deste décimo episódio é a despedida entre Claire e sua mãe. A difícil relação entre mãe e filha chega a um final interessante: a Sra. Hale escolhe parar de sofrer e morrer, ajudando, de tabela, a filha conseguir o que deseja. Afinal, perder a mãe faria a população se sensibilizar com Claire. E não duvide que a Sra. Hale-Underwood se aproveite disso. É uma decisão arriscada dos roteiristas, mas faz sentido com o que vinha sendo construído até então. E espere para ver Ellen Burstyn indicada ao Emmy por sua brilhante atuação nestes poucos episódios que apareceu.

Continua após a publicidade

O episódio 10 ainda traz algo que vem ficado claro nesta quarta temporada: os Underwood podem não deixar rastros e fazer tudo minuciosamente certo, mas o casal sempre comete um erro, que é subestimar os adversários. Cathy, Jackie, Remy, etc., etc. Os Underwood sempre acabam eliminando uma carta do baralho, mas esquecendo de realmente descartá-la ou então apenas vistoriar. Frank manipula, deixa de lado e acha que nada voltará para perturbá-lo. E mais uma vez preciso elogiar os roteiristas da série por saberem amarrar pontas e retomar plots com sabedoria invejável.

Outra qualidade do roteiro – e também do inegável talento de Robin Wright – é que Claire talvez seja o personagem melhor desenvolvido. O arco narrativo da personagem é lindo e ver velhas nuances de sua personalidade voltarem apenas confirma a qualidade da série. Vimos no episódio Claire sendo sensata, como já demonstrara mais de uma vez durante o programa. Enquanto Frank muitas vezes é impulsivo e aposta tudo sem medo, Claire questiona se o casal não deu “um passo maior que a perna”, ou que pensaram muito grande e não cuidaram dos detalhes. É algo que colocar Claire, inclusive, em um patamar de poder e controle acima de Frank.

Vale apontar, também, o cuidado com a construção da imagem de Claire. Repare em seus figurinos, por exemplo. Claire começa vestindo roupas claras, sempre brancas ou cinzas (lembre-se que sua mãe pediu que ela vestisse um vestido preto em um evento alguns episódios atrás). Tom Yates, por outro lado, sempre veste escuro, predominantemente preto. Quando reencontra Tom, Claire veste branco. Conforme vai se relacionando com o escritor, a primeira-dama veste uma saia preta e uma blusa clara. Quando enfim se entrega ao relacionamento e transa com Yates, vemos Claire completamente de preto. É claro que não podemos descartar o fato de que ela veste preto por luto à morte da mãe. Mas é interessante perceber que Claire foi mudando os hábitos conforme ia saindo do mundo de Frank e se envolvendo em outros universos.

Mas todo episódio de House of Cards possui o seu próprio clímax. Seja ela no início, meio ou fim do capítulo, a série sempre traz uma sequência bombástica para deixar a audiência de queixo caído. E desta vez devemos reservar um espaço para comentar aquela que talvez seja uma das cenas mais assustadoras que a televisão nos proporcionou: Frank Underwood confessando todos os seus crimes apenas para afugentar um adversário. Neste caso, Frank precisava dobrar Cathy Durant, e não mediu palavras para atingir seus objetivos.

Assim, vê-lo falar sobre Zoe, Peter e até mesmo sobre as terríveis visões que teve no hospital nos faz pensar: devemos realmente torcer para Frank Underwood? Sim, vamos parar para pensar sobre isso. Ele é um assassino. Ponto. Ele mata, manipula, coage, rouba, mente, tudo para conseguir o que quer. Tudo bem, o sujeito é carismático e inteligentíssimo, mas ele merece a nossa simpatia ou mesmo nossa torcida? É praticamente o mesmo caso que passamos com Walter White ou Tony Soprano. Como podemos gostar destes caras?

É por isso que Breaking Bad, The Sopranos e House of Cards são obras-primas.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

No comments

Add yours