A Netflix mergulhou no polêmico e fascinante universo da cannabis com Império de Amsterdã (Amsterdam Empire), novo drama criminal estrelado por Famke Janssen e Jacob Derwig.
A produção, que estreou mundialmente em 30 de outubro de 2025, promete mostrar um lado pouco explorado da cidade holandesa: o império dos famosos coffee shops e a linha tênue entre o legal e o ilegal nesse lucrativo mercado.
Um império construído na fumaça
A trama acompanha Jack van Doorn (Jacob Derwig), o carismático e influente fundador da rede de coffeeshops “The Jackal”, um verdadeiro império do mercado canábico em Amsterdã. Ao longo da carreira, Jack enfrentou criminosos, rivais e a própria lei holandesa para manter seu domínio sobre o negócio — mas seu maior inimigo acaba vindo de dentro de casa.
Quando seu caso extraconjugal com uma jornalista vem à tona, Jack se vê em uma guerra pessoal com sua esposa Betty (Famke Janssen), uma ex-diva pop que conhece todos os seus segredos e fraquezas. Sentindo-se traída, Betty decide destruir tudo o que o marido construiu, usando as próprias armas dele: poder, influência e vingança.
O embate entre o casal move a narrativa de Império de Amsterdã, que combina intrigas familiares com o pano de fundo real do comércio de cannabis na Holanda.

O retrato do submundo da cannabis na Holanda em Império de Amsterdã
Diferente de outras produções do gênero, Império de Amsterdã se destaca por explorar a complexa realidade da política de drogas holandesa. Desde os anos 1970, Amsterdã é conhecida como a capital europeia da cannabis, graças à sua política de tolerância (gedoogbeleid), que permite a venda controlada da planta em coffeeshops licenciados.
Na prática, os estabelecimentos podem vender pequenas quantidades de maconha — até 5 gramas por pessoa — desde que sigam regras rígidas, como proibir o consumo de álcool e o acesso de menores. Contudo, há uma contradição histórica: a venda é tolerada, mas o cultivo e o fornecimento continuam ilegais.
Esse paradoxo é conhecido como o “problema da porta dos fundos”, já que os coffeeshops precisam recorrer ao mercado negro para abastecer seus estoques. É justamente essa brecha que alimenta o enredo da série, mostrando como o tráfico e o crime organizado se infiltram em um sistema aparentemente legalizado.
Um universo real e contraditório
A série não apenas dramatiza a vida de Jack e Betty, mas também reflete o dilema político e econômico que o país enfrenta há décadas. A Holanda abriga cerca de 570 coffeeshops distribuídos por 102 cidades, com a maior concentração em Amsterdã. Esses espaços são um marco da cultura local e atraem milhões de turistas todos os anos.
Mas, nos bastidores, o sistema é frágil. O governo holandês vem tentando resolver o impasse da legalidade com um projeto piloto que permite o fornecimento de cannabis por produtores licenciados, criando uma cadeia de suprimento totalmente regulada. A experiência envolve dez cidades — entre elas Tilburg, Maastricht e Groningen — e cerca de 80 coffeeshops.
Império de Amsterdã usa esse cenário real como base para sua narrativa, expondo como a “porta dos fundos” ainda mantém o submundo do crime vivo, mesmo sob o véu da legalidade.
Famke Janssen e a estreia em uma produção holandesa
Para Famke Janssen, estrela de X-Men e Taken, a série marca um retorno simbólico às origens. Apesar da carreira internacional consolidada, essa é a primeira produção holandesa da atriz, que também atua como produtora executiva da série.
Ao lado de Jacob Derwig (Undercover) e Elise Schaap (Ferry), Janssen traz intensidade à personagem Betty, uma mulher ferida, mas estrategista, que transforma o amor em arma. O elenco ainda conta com Jade Olieberg, Yannick van de Velde, Romana Vrede e Raymond Thiry, todos nomes de destaque na televisão europeia.

O poder, o crime e a contradição
Mais do que uma história de vingança conjugal, Império de Amsterdã pretende ser um retrato sobre poder e corrupção em um país que vive dividido entre a liberdade e o limite da lei. A série mistura o glamour dos canais de Amsterdã com o lado obscuro das alianças criminosas, revelando como o dinheiro e o prestígio podem ser tão viciantes quanto qualquer substância.
A direção de Jonas Govaerts e Max Porcelijn aposta em um visual cinematográfico e sombrio, alternando o luxo das coberturas da elite com os becos onde o verdadeiro tráfico floresce. O resultado é uma produção que promete mostrar a beleza e a hipocrisia de um império erguido sobre um negócio “tolerado”, mas nunca totalmente aceito.
O império por trás da cortina de fumaça
Império de Amsterdã não é apenas mais um drama sobre crime e ambição — é um olhar sobre a dualidade de um sistema que tenta parecer progressista, mas que ainda alimenta a ilegalidade.
Jack van Doorn representa o rosto público do sucesso, enquanto sua esposa Betty encarna a fúria de quem foi deixada para trás em um mundo dominado por homens. E entre eles, Amsterdã surge como o verdadeiro personagem central: linda, perigosa e cheia de segredos escondidos sob a fumaça de seus coffeeshops.