Infinito (Infinite), longa de ficção científica dirigido por Antoine Fuqua e estrelado por Mark Wahlberg, já é sucesso a Netflix. Baseado no romance The Reincarnationist Papers, o filme mistura ação e filosofia espiritual ao explorar o conceito de reencarnação com uma pitada de blockbuster hollywoodiano — e o resultado é uma jornada movimentada, que já está dando o que falar entre os assinantes da plataforma.
Na trama, Wahlberg interpreta Evan McCauley, um homem diagnosticado como esquizofrênico devido a memórias que não consegue explicar — flashes de vidas que não viveu, ou pelo menos não nesta existência. A revelação vem cedo: Evan é, na verdade, um “infinito”, parte de um grupo de pessoas que se lembram com perfeição de todas as suas vidas passadas. Mas há uma guerra dentro desse seleto grupo: enquanto os “bons infinitos” querem usar suas memórias acumuladas para o bem da humanidade, os “niilistas” acreditam que a reencarnação é uma maldição — e querem colocar fim à vida no planeta.
Herói sem memória, vilão sem limites
O principal antagonista é Bathurst, vivido por Chiwetel Ejiofor, um ex-aliado de Evan em vidas passadas. Cansado de séculos de reencarnações, ele busca uma maneira de destruir toda a vida na Terra, impedindo assim o ciclo eterno. Seu plano envolve um dispositivo conhecido como “o ovo”, capaz de atacar o DNA humano em nível genético, eliminando a possibilidade de renascimento.
Evan, aos poucos, descobre que foi, em uma vida anterior, o lendário Treadway — antigo parceiro de Bathurst e aquele que escondeu o perigoso artefato antes de morrer. O filme avança com cenas de ação, treinamento físico, batalhas com espadas em aviões e revelações impactantes até o clímax, em que Evan enfrenta Bathurst em pleno voo e consegue impedir a catástrofe, mesmo à custa da própria vida.
Recomeço com memória

O grande desfecho acontece quando Evan, já reencarnado como um garoto asiático (sugerindo a continuidade da linhagem de Treadway), demonstra lembrar perfeitamente de todas as suas vidas. Dessa vez, diferente de como começou, ele está pronto — e consciente — para continuar a missão dos infinitos com sabedoria acumulada.
O discurso final do personagem enfatiza o legado e a responsabilidade intergeracional. Infinito sugere que cada ação de uma vida ecoa nas próximas, dialogando com crenças das religiões orientais, como o hinduísmo e o budismo, que enxergam a reencarnação como um ciclo de aprendizado e karma. O filme não aborda diretamente o conceito de moksha (a libertação final), mas planta a semente para uma reflexão sobre o propósito da existência.
Potencial para continuação?
Com um universo promissor, personagens intensos e muitas perguntas em aberto — como a possível redenção de Bathurst ou a busca por uma saída pacífica do ciclo de reencarnação — Infinito deixa margem clara para uma sequência. E com Wahlberg já se mostrando à vontade no papel de herói filosófico de ação, não seria surpresa ver uma franquia nascer.
Em um cenário em que filmes de ação tentam se diferenciar com mensagens mais profundas, Infinito entrega uma proposta ousada: um thriller sci-fi com alma espiritual, questionando o que realmente significa viver — e viver de novo. Infinito está disponível na Netflix.