A série IT: Bem-Vindos a Derry estreou mergulhando de cabeça no horror psicológico que tornou o universo de Stephen King tão fascinante. Ambientada nos anos 1960, a produção promete revelar as origens de Pennywise, o palhaço assassino que assombra gerações. O primeiro episódio, porém, já mostrou que a série não pretende poupar ninguém — nem mesmo seus protagonistas iniciais.
Um início brutal e cheio de simbolismo
O episódio de estreia de IT: Bem-Vindos a Derry divide-se em duas narrativas principais. A primeira acompanha o desaparecimento de Matty, um garoto que tenta fugir da cidade de Derry, mas acaba encontrando um destino aterrorizante. Durante sua fuga, ele aceita carona de uma família prestes a ter um bebê — um nascimento que rapidamente se transforma em pesadelo quando a criança nasce como uma criatura demoníaca alada e sequestra o menino, arrastando-o para os esgotos.
Enquanto isso, seus amigos Teddy, Phil, Lilly e Ronnie, atormentados pela culpa de não terem ajudado Matty, passam a ser perseguidos por estranhos sinais ligados à criatura. Uma música do filme The Music Man começa a persegui-los — justamente o último longa que Matty assistiu antes de desaparecer. Em busca de respostas, o grupo vai até o antigo Teatro Capitol, onde o terror finalmente ganha forma.
O massacre no cinema e a força do medo

O ponto alto do episódio 1 de IT: Bem-Vindos a Derry ocorre dentro do teatro, quando os jovens projetam o filme The Music Man e veem Matty dentro da tela. Desesperados, eles o chamam, acreditando que ele possa atravessar o filme e voltar.
Mas, como os fãs de IT já sabem, nada em Derry é o que parece. A projeção se transforma em uma armadilha mortal: um enorme bebê demoníaco — manifestação de Pennywise — rasga a tela e parte para o ataque.
Ronnie tenta socorrer os amigos, mas é impedida pela própria estrutura do cinema, que a prende na sala de projeção. Quando finalmente consegue sair, é tarde demais: Teddy, Phil e Susie estão mortos. Apenas Lilly sobrevive, protegida por um misterioso amuleto em forma de tartaruga, uma clara referência a Maturin, o ser cósmico que representa o oposto de Pennywise.
A cena de IT: Bem-Vindos a Derry é brutal e inesperada, especialmente para quem acreditava que aqueles personagens seriam os protagonistas da série. A sequência também mostra o poder quase ilimitado da criatura — uma entidade que se alimenta do medo e molda sua forma conforme a intensidade das emoções humanas.
Segredos sombrios e conspirações militares
A segunda trama do episódio 1 de IT: Bem-Vindos a Derry foca em Leroy e Pauly, dois militares recém-chegados a Derry. Ao se instalarem na base aérea local, eles percebem que o Exército dos Estados Unidos está envolvido em um projeto secreto.
Quando Leroy é atacado por três homens mascarados, o público inicialmente acredita que o motivo é racismo — mas logo fica claro que os agressores estão atrás de informações confidenciais sobre aviões B-52 e, possivelmente, sobre algo ainda mais misterioso.
Pauly intervém para salvar o amigo, e os dois sobrevivem, mas o ataque levanta novas perguntas. Seriam aqueles homens agentes do governo tentando encobrir experimentos envolvendo Pennywise? A série sugere que o Exército pode estar tentando estudar — ou até controlar — o poder da criatura. Essa linha narrativa lembra produções como Stranger Things, que também misturam elementos sobrenaturais e conspirações científicas inspiradas em King.
Um universo expandido e cheio de conexões
O episódio termina com uma aparição que deixou os fãs atentos: Dick Hallorann, personagem icônico de O Iluminado, surge dirigindo um jipe e trocando olhares com Leroy. Essa ligação entre IT e O Iluminado confirma que IT: Bem-Vindos a Derry pretende construir um universo interligado dentro das obras de Stephen King.
Com atuações sólidas, atmosfera opressiva e um roteiro repleto de referências ao livro original, IT: Bem-Vindos a Derry começa de forma ousada e sangrenta. Se o primeiro episódio já trouxe tantas reviravoltas, é seguro dizer que o terror apenas começou — e que Derry guarda segredos muito mais profundos do que imaginamos.