Jessica Jones – 1×02 – AKA Crush Syndrome

Imagem: Arquivo Pessoal

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

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“My greatest weakness? Ocasionally I give a damn.”

Depois de um piloto que introduziu intensamente tudo – e mais um pouco – do que podemos esperar da temporada, “AKA Crush Syndrome” chega com um tom “diferenciado”. Era de se esperar que o piloto da série tivesse toda aquela cara de premiere, carregado de informações e sequências intensas para se refletir. Mas o segundo episódio decide (sabiamente) trilhar um caminho que não envolve necessariamente dar continuidade a atmosfera do episódio anterior.

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“Consequências” talvez seja a palavra que melhor define o episódio, porque embora ele vá sim avançar exponencialmente certos pontos da trama, ele faz isso enquanto nos apresenta as repercussões de tudo aquilo que vimos em “AKA Ladies Night”.

Temos as consequências a serem enfrentadas por Jessica. Primeiro, ter sua privacidade – e seu hobby (AKA stalkear Luke Cage) – exposto da pior maneira possível, temporariamente, arruinando a relação dela com Luke. Depois, temos Hope, agora confinada a uma prisão para os mentalmente insanos (yes, I couldn’t resist the joke), outra culpa para pesar na consciência da nossa Srtª. Jones. E, como se isso não fosse suficiente, Hope ainda joga uma culpa maior na cara dela. Embora “You should had stayed to make sure” carregue parte do ódio residual do controle de Killgrave, é impossível negar que toda a história poderia ser evitada, se Jessica realmente tivesse ficado para garantir o fim do Homem Púrpura.

Ainda no departamento de quotes excelentes deste começo do episódio, não poderíamos esquecer de “The only thing that you can charge me with is trying to make a goddamn living in this goddamn city”, que estranhamente retrata bem toda a atmosfera de Hell’s Kitchen.

Citações a parte, gostei da maneira como as coisas foram feitas. Depois de ter ido a grandes extremos para tentar escapar dele, Jessica agora parece não só ter aceitado que precisará enfrentar Killgrave novamente, como também começou a se questionar sobre as motivações dele, sobre o real objetivo dele; e, é claro, sobre a pergunta mais urgente: como Killgrave escapou da morte?

A relação entre Trish e Jessica está sendo inserida de maneira bem gradativa, nos deixando curiosos o suficiente para querer saber mais, sem precisar recorrer a plot twists ou flashbacks abruptos, e sem precisar desviar o foco da caçada por Killgrave.

Cá entre nós, só sou eu que não queria ser o alvo daquele olhar de fúria que Jessica estava usando quando subiu para brigar com os vizinhos? Mais um standing ovation para Krysten Ritter, por sua atuação de arrepiar e, é claro, por outra quote espetacular: “People distract me”.

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

O humor não deixou de aparecer. Quando você acha que as referências não podem te surpreender mais, Jessica Jones se disfarça de interna e diz ter vindo do Seatlle Grace (Shonda Rhimes and her empire truly are everywhere). Mas uma coisa que me incomodou é que, se Jessica é tão fã da turma do Seatlle Grace, como ela não reconheceu Trish na sétima temporada?! (just kidding)

Talvez “repetição” seja outra palavra que possa definir bem o episódio. Não no sentido negativo de uma redundância frívola, mas porque, quanto mais Jessica investiga o mistério de como Killgrave sobreviveu, mais a monstruosidade do vilão fica clara. Jack Denton é um exemplo (bem deprimente) disso. Ao mesmo tempo, essa repetição também parece fortalecer a vontade de Jessica de caçar e enfrentar Killgrave. Quotes como “God didn’t do this. The Devil did. And I’m gonna find him” são um exemplo disso.

É claro que, para a maioria das séries, tudo o que já relatei acima provavelmente já seria o suficiente para fazer um episódio inteiro. Mas não estamos falando de qualquer série, estamos falando de Jessica Jones. A trama de Luke chegou a um ponto crítico, e somos presenteados com uma cena simplesmente espetacular! Afinal, não é todo dia que temos Jessica Jones e Luke Cage esmagando todo um time de rugby numa briga que só pode ser definida com o mais novo clássico da internet. Sim, porque quando acabou, eu – e muita gente, considerando a enquete no Banco de Séries – só consegui dizer: “Já acabou, Jessica?”.

Não satisfeita com o que ela já conseguiu até aqui, Jessica ainda se envolve numa perseguição pelo Dr. Kurata, o médico que Killgrave forçou a transplantar os rins de Denton. Agora, a nossa garota conhece o que ela acredita ser a fraqueza que a ajudará a derrotar o Homem Púrpura e, como bônus, conseguiu convencer, pelo menos temporariamente, Hogarth a ajudar Hope.

Mas o que realmente fez do episódio excelente foi o seu final. Seja pelo passatempo macabro de Trish, ou pelo verdadeiro show-off de Luke Cage (“I saw you and you saw me”), ou pelas reflexões sombrias de Jessica, ou ainda, pela entrada realmente assustadora (e definitiva) de Tennant como Killgrave na trama – com direito a sua própria quote macabra:“Children should be seen and not heard. Or better still; not seen and not heard.”. O episódio termina nos assegurando que a maravilha que é Jessica Jones só está no começo.