Jessica Jones – 1×04 – AKA 99 Friends

Imagem: Arquivo Pessoal

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

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Depois de três episódios de grande intensidade, Jessica Jones agora decide trilhar um pouco do caminho num passo diferente. “AKA 99 Friends” é talvez o episódio da série mais “afastado” da trama central. Toda a paranoia com relação à espionagem de Killgrave, às desculpas de Trish e aos “progressos” – se é que podemos chamá-los assim – que Hogarth fez influenciam a trama diretamente, mas o que move a trama, o resquício procedural do que seria o “caso do episódio”, vai se ligar ao MCU em outros níveis, trazendo sim um “Q” do que Hell’s Kitchen realmente esconde. Mas, ao mesmo tempo, reciclando uma relação de causa e consequência que já foi amplamente gasta por outras produções.

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A persistência do little soldier boy foi intrigante. Trazer o personagem de volta ainda claramente abalado pelos efeitos do controle de Killgrave e tentando descobrir se ele realmente havia matado Trish serve para reforçar aquilo que já vimos no episódio passado, tentando assegurar que nenhum dos acontecimentos fique desconexo com o resto da trama. Mesmo assim, foi só em sua segunda aparição que ele realmente “desempenhou” um papel. Toda a coisa de “redimir” serviu não só para ele, mas para ajudar Trish a se recuperar do que aconteceu.

Mas enquanto todas essas coisas acontecem, Jessica submeteu Trish ao que provavelmente foi a pior coisa – fora tudo o que aconteceu no episódio passado – que ela já teve que fazer: se retratar com Killgrave. Embora o desprezo estivesse em cada uma das palavras que ela disse, é inegável que ela odiou dizer cada uma daquelas palavras, e se odiou por ter que dizê-las. Entretanto, ela conseguiu se sair melhor do que o esperado nessa trama, e ainda alfinetou um pouquinho a sociedade. Afinal, “Men and power, it’s seriously a disease.” seja talvez uma das quotes mais acertadas do episódio.

Noutra parte da cidade, o divórcio de Jeri e Wendy começa a tomar proporções bem tensas. Enquanto Carrie-Anne Moss continua comprometida a nos provar que ela pode ser tão cínica quanto possível, é impossível não imaginar se toda essa trama só foi inserida para aprofundar a personagem ou se existem outros propósitos envolvidos.

E já que falei em Hogarth, foi ao mesmo tempo cômico e intrigante tentar descobrir quais dos depoimentos realmente eram de vítimas de Killgrave e quais eram só… qual é o adjetivo politicamente correto para “gente estúpida”? mais um álibi qualquer.

É claro que, depois de ser caçado e quase pego, Killgrave iria levar os jogos a um novo nível. Entretanto, não esperava que ele usasse uma garotinha para isso. Foi uma das cenas mais terríveis da série. A morbidez sádica da maldade dele é imensa, mas também faz com que seja difícil não reconhecer o quão temível ele é.

De volta a “Patrulha Jones”, Audrey, mesmo que não tenha sido por influência de Killgrave – discutiremos isso já já – é realmente uma figura estranha. A jornada de vendetta dela, a cena com a garotinha e o plot twist do final talvez sejam os maiores méritos do episódio, porque simplesmente se tornou impossível não suspeitar da riquinha, quando ela começou a praticar tiro em manequins.

O showdown do episódio ficou a critério de Audrey e seu marido. Confesso que foi uma sequência interessante, porque depois de todo o comportamento suspeito dela, parecia claro que Killgrave tinha algo planejado e que ela era só mais uma ferramenta. Qual não foi a minha surpresa quando Audrey e o marido quiseram dar uma de Bonnie e Clyde pra cima de Jessica, mais ainda quando ficou provado que eles não tinham nada a ver com Killgrave?!

Não me entendam mal! Foi sim uma sequência excelente e eu entendo a importância do “Incidente” e das repercussões dele em Nova York e no mundo; aquele momento foi o game changer da história, e ele não pode ser esquecido ou deixar de ser referenciado. Mas usá-lo como motivação numa trama que acontece tanto tempo depois é um tanto… desinteressante. Pelo menos tivemos outra menção ao big green guy – agora incluindo o flag waver – e uma quote espetacular de Jessica para temperar a trama:

“If you shot at me, I’ll pull the bullet out of my ruined jacket and shoved up your ass with my pinky finger, and who do you think that’s gonna hurt more?”

Imagem: Banco de Séries

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

E já que estamos falando desta sequência, como não mencionar a destruição do quarto e a visão do lado mais sombrio de Jessica Jones? Depois de se controlar e tentar evitar ser aquilo que ela era com Killgrave, vimos todo o ressentimento, todo o terror, toda a mágoa, todo o medo que ela carrega se transformar em um ódio sombrio e visceral, numa cena tão sombria quanto as de Matt Murdock mais cedo neste ano.

Mais uma vez, a série nos deixa com um killer cliffhanger. Revelar que Malcolm era o espião de Killgrave todo esse tempo, acrescentando mais essa parcela de culpa ao todo que Jessica já carrega, enquanto demanda, ao mesmo tempo, uma resposta de Jessica foi cruelmente espetacular. E mais uma vez, temos que agradecer à Netflix por não nos fazer esperar para descobrir o que acontece em seguida. Vejo vocês na próxima review. Até lá!