Jessica Jones – 1×05 – AKA The Sandwich Saved Me

Imagem: Arquivo Pessoal
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Imagem: Captura de Tela/Reprodução

 

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“Just Jessica Jones”

Como não amar flashbacks que não têm cara de flashback? É provavelmente o começo mais estranho de uma review em nossa jornada por Jessica Jones, mas é o mais apropriado para a ocasião. “AKA The Sandwich Saved Me” já começa ganhando pontos justamente por isso: ser um episódio de flashbacks que não precisa de uma estética específica para tal.

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A chantagem para ser demitida com benefícios e sair derrubando armários com estilo (isso para não mencionar a cena do bar) foi o retorno do humor ácido que é outra das marcas registradas da série, com direito até mesmo a uma punchline excelente: “Would you put day drinking under ‘Experience’ or ‘Special Skills’?”. Não satisfeita com isso, a série ainda nos leva para mais um show off da força de Jessica, enquanto ela humilha um idiota e discute com Trish a possibilidade de se juntar ao hall dos heróis.

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Mostrar todas essas coisas só para criar um padrão para comparação, um before and after da influência de Killgrave é talvez um dos melhores – e mais pesados – jeitos da série usar os flashbacks. Não só como um recurso marcador da culpa, ou das ações de Jessica, mas sim como um recurso que estabelece o quão devastadora é a influência do vilão, é algo para a produção se orgulhar.

Ver Jessica seguir Malcolm serviu como um lembrete do que ela fez com ele em “AKA Crush Syndrome”. Esteja ela planejando usar novamente o viciado como um meio para a sua cruzada contra Killgrave, ou simplesmente entender (e se vingar), vemos mais um personagem ser afetado diretamente pela obsessão que Killgrave tem por Jessica. A completa destruição da pessoa que Malcolm era antes, meramente para obter fotografias, deixa bem claro que não há limites para aquilo que o nosso vilão está disposto a fazer.

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Na verdade, a atuação de Tennant continua impecável. Seja pela crueldade inabalável, ou pela frieza com que ele usa seus poderes, a cada episódio que passa, a figura do Homem Púrpura se consolida mais. E essa transição sutil também está marcada no figurino dele e todos os que o cercam. Já que fazê-lo realmente púrpura seria extremamente caricato, a série incorpora essa tonalidade nas roupas do personagem, deixando-o cada dia mais “completo” para os confrontos que ainda nos aguardam.

Confesso que foi impossível não rir do timing de Jessica para ir até a casa de Trish. A relação dela com Will foi uma surpresa inesperada para nós e para Jessica, e foi bem hilário ver os três tentando acertar os detalhes desse ataque improvisado, enquanto tentam achar um jeito de trabalharem juntos. A cena da sala hermética foi ótima, porque ambos falaram aquilo que queriam, não para o outro – já que eles sabiam que era impossível ouvir – mas para si mesmos.

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A sua forma, a série procura sempre fazer dos títulos um momento a ser notado na trama do episódio. Mas desta vez, abandonamos as referências discretas e temos Jessica vestida de sanduíche realmente salvando alguém. Mesmo que tenha sido numa época melhor, antes da influência de Killgrave se apoderar dela, ainda sim foi um momento considerável.

Para os caçadores de easter eggs de plantão, o episódio nos contemplou, em mais um dos flashbacks, com um traje muito similar ao usado por Jessica nos quadrinhos da série The Pulse. Seja numa referência a todo o material da série, ou simplesmente à capa do The Pulse #14 (onde Jessica aparece usando o traje), referências não faltam.

De volta a trama central, e apesar dos esforços do trio improvável, o plano para capturar Killgrave quase funcionou. É claro, enfatiza-se o quase. Não acho que ele estivesse esperando um ataque direto de Jessica, mas era óbvio que tendo o gosto particular pelo caos que ele tem, seria tolice não ter seu próprio time de black ops pronto para o resgate.

Gostei da casualidade que a série usou para apresentar o primeiro encontro de Jessica e Killgrave, mais ainda porque a série fez isso amarrando outra ponta solta na trama – o início da relação Killgrave-Malcolm-Jessica. Além disso, o flashback também serviu para criar uma base para comparação, já que mostrou a visão que Jessica tinha daquilo que ela fazia antes de ser vitimada por Killgrave.

Numa combinação de casualidade e timing, a série mais uma vez inseriu um momento consideravelmente brutal – a desintoxicação de Malcolm – na hora mais pontual possível. Expor a consciência que Jessica tem (de que ela é a responsável pelas ações de Killgrave) de uma maneira tão direta, ao mesmo tempo questionando e renovando toda a personagem, foi brilhante. Este episódio talvez seja o que melhor resuma a série: uma combinação de sofrimentos (que chegam a ser viscerais), uma busca (que parece já ter começado falha) por redenção, humor (às vezes negro), ação e suspense, tudo isso embrulhado numa estética que envolve cores bem extremas, uma trilha sonora bem pontual e atuações espetaculares.

“Dualidade” talvez seja a palavra que melhor resume o episódio, porque enquanto começamos nos divertindo com o “antes de Killgrave”, quando chegamos aos dez minutos finais, somos levados aos lugares mais sombrios possíveis. Seja Hope sendo espancada na prisão, a dor de Malcolm e da própria Jessica, ou até mesmo na racionalização das suas ações que Killgrave apresentou, o episódio trouxe o melhor e o pior, colocados juntos numa receita assustadoramente excelente.

É claro que repercussões são esperadas, e por si só, elas já são o maior cliffhanger possível. Jessica abriu mão de uma parte de sua liberdade para tentar ajudar Malcolm, e essa satisfação que Killgrave obteve promete ser só o começo do seu grande plano.