Jessica Jones – 1×08 – AKA WWJD?

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“You’re not all hard edges, Jessica Jones.”

Um episódio de jogos mentais. É exatamente isso que “AKA WWJD?” é. Seja na trama entre Wendy e Hogarth, o “desaparecimento” e mentiras de Simpson para Trish, ou simplesmente nas ações de Killgrave e Jessica (towards one another and to others.), manipulações foram usadas como nunca antes.

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Vamos pegar esse último caso, por exemplo. Killgrave tem – aparente e hipoteticamente – todo o poder para controlar Jessica. Independente de sua declaração de amor, de seu otimismo, ou de qualquer uma das muitas coisas que ele disse, é um fato que, em teoria, seria fácil para ele controlar a Srta. Jones. Mas é claro que ele não faria isso, porque não seria… divertido. Brincar com as emoções e memórias dela, destruir o mecanismo que ela usou na terapia para tentar quebrar os resquícios do controle dele foi uma jogada de mestre de Killgrave. Cada pequeno flashback, cada pesadelo, cada recordação dos pais e do irmão, coisas que afetarão Jessica de maneiras imprevisíveis só amplificam a crueldade da situação.

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É claro que esse núcleo da história não se sustentou só com isso. A insatisfação mútua de Jessica e Killgrave com a maneira que as coisas estão é inegável, e enquanto ele se lamenta por ter que se sujeitar a vontade de outra pessoa – How do you people live like this? Day after day, just hoping people are gonna do what you want. It’s unbearable. – ela alfineta o estilo (e a cor) característico dele – “Purple’s not really my color.”.

Foi surpreendente descobrir que a primeira opção de Simpson ao invadir a casa era capture and not kill Jessica. Que eu não gosto do soldier boy não é segredo para ninguém – o arquétipo de broken sidekick masculino já está gasto demais – mas esperava que ele estivesse planejando só explodir a casa, sem se preocupar com os civis ou com tirar Jones de lá.

É claro que a aparição de Simpson deu uma vantagem inesperada à Jessica, permitindo que ela pudesse assumir parte da manipulação. Revelar a existência da bomba, oferecer um tipo de “retribuição” a Killgrave, fazê-lo duvidar de sua própria equipe. Nice work Jones, nice work. É claro que, por ser a heroína, a determinação dela vacila por um momento, e ela acaba por deixar – mesmo tendo acabado como acabou, acho que em algum momento ela se questionou, se ajudar Killgrave não seria uma opção válida – a manipulação de lado para tentar fazer exatamente aquilo que um herói faria: ajudar Killgrave a superar, a ver o outro lado das coisas, a sentir a katharsis da bondade.

Mas enquanto tudo isso acontecia, Trish estava sendo enganada por todos. Eu até entendo a ideia de protegê-la de Killgrave, principalmente depois da tentativa de assassinato mais cedo na temporada, mas acho que mantê-la “no escuro” talvez tenha sido a pior coisa que Jessica e Will poderiam fazer com ela.

De volta à perfectville (yes, I’m running out of jokes), temos uma cena realmente cruel com Kathleen Doyle. Certo, a Sra. De Luca não parece ser uma pessoa muito boa, mas temi que Killgrave fosse obrigá-la a se matar por ter ofendido Jessica. Foi como a cena com a garotinha em “AKA 99 Friends”, só que menos dramática. Certo, ela acaba morrendo, mais isso já é outra história.

Mais uma vez, a série surpreende por discutir questões tão comuns à pós-modernidade. Mais cedo na temporada, já tínhamos nos deparado com uma discussão sobre a questão de identidade e formação – questionando até que ponto quem você é, o tipo de influências que você recebe (ou que lhe são impostas) e o quão sugestionável a essas influências você é alteram a pessoa que você se torna. Agora, a série resgata esses argumentos, joga a questão do estupro na cara de Killgrave. E como resposta, recebemos o retorno do pen drive amarelo de Reva, que parece guardar mais segredos do imaginávamos.

No fim das contas, “What Would Jessica Do?” não foi uma pergunta com uma resposta muito boa. Ela enganou Killgrave, quando ele havia começado a confiar nela, e isso com toda certeza terá repercussões. Will também não acabou ficando numa situação muito boa, depois de tentar responder essa mesma pergunta – e considerem que ele só tentou matar o vilão duas vezes e foi recompensado com uma bomba; imagine o que Killgrave não reservará para Jessica? “AKA WWJD?” nos deixou com um cliffhanger cruel, e “AKA Bin Sin” pode ter todas as respostas que esperamos. Então, #partiu assistir o próximo episódio e, claro, voltar para conferir a próxima review aqui no Mix. Até logo!

 

P.S.: Menção honrosa aos pôsteres do Nirvana, do Red Hot Chili Peppers e do Green Day na parede do antigo quarto de Jessica.

P.S.2.: O departamento de easter eggs foi reforçado pela menção a WHIH, a emissora de TV “padrão” do MCU, mencionada também em Daredevil mais cedo, neste ano.