Jessica Jones – 1×13 – AKA Smile

Imagem: Arquivo Pessoal

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

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Nada de introduções. Jessica Jones chegou a sua finale, e “AKA Smile” já começa garantindo que o episódio não fará desvios desnecessários, e vai retomar cuidadosamente cada característica, cada mínimo detalhe já usado antes, de modo concluir, não só a trama, mas abrir um universo de possibilidades para as produções que ainda estão por vir.

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E se o assunto é criar uma conexão, existe alguém que é perfeita para o trabalho. Sim, depois de doze episódios, a série trouxe a melhor participação possível – sim, melhor que o próprio Murdock –, diretamente de uma outra parte de Hell’s Kitchen, Rosario Dawson, a mesma Claire Temple/Night Nurse que ajudou Matt Murdock mais cedo neste ano, agora chegou, com direito a múltiplas piadinhas, para ajudar Luke Cage e Jessica Jones, e trouxe com ela uma avalanche de referências à Daredevil.

Ainda no hospital – cenário do encontro de Claire e Jessica –, Killgrave decide que vai se exibir. Afinal, mesmo não podendo controlar Jessica, conseguir controlar um hospital inteiro (médio porte, mesmo assim, impressionante) é um senhor show-off. Em sua insanidade, ele queria não só retomar o controle sobre Jessica, mas fazê-la sofrer, destruí-la antes de matá-la. Racionalizações à parte, é maravilhoso poder dizer que o personagem morreu tendo atingido (e superado) cada uma das expectativas construídas para ele. Seja estética ou narratologicamente falando, não posso deixar de elogiar a série por isso. Por alguns segundos, depois da “última dose”, quando traços de roxo tomaram conta da pele dele, que a série fosse jogar o bom senso fora. Felizmente, Killgrave viveu e morreu sem que sua pele ficasse púrpura.

De volta à Alias Investigations, a dinâmica entre Claire e Malcolm é algo que precisa ser mencionado. Afinal, embora a moça namore – pelo menos nos quadrinhos – Luke por um tempo, o que se destaca na participação dela (besides being there, obviously) são as reflexões sobre a natureza do papel que ela, Malcolm e tantos outros ocupam. São as mesmas coisas que ela disse a si mesma enquanto tentava lidar com tudo o que ela passou com Matt em Daredevil que fazem a diferença. O discurso dela sobre como pessoas como Luke e Jessica (e claro, Matt) precisam de pessoas normais para estabelecerem vínculos lembra o discurso de Peter Capaldi no episódio “The Woman Who Lived” de Doctor Who. Da mesma forma que o Doctor precisa dos mayflies, daqueles para quem o tempo é uma força inexorável, pessoas com as habilidades que Jessica, Luke, Matt e tantos outros têm precisam daqueles cujo superpoder é ajudar os outros, aqueles que só podem imaginar, temer, racionalizar o fardo que os poderes carregados pelos outros são. Balanceia as coisas, faz delas justas outra vez.

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O final showdown entre Killgrave e Jones foi tudo  o que qualquer um de nós poderia querer. A moça usou seus poderes mais livremente, deu a Trish a oportunidade de também ser um heroína e, acima de tudo, terminou com o dia sendo salvo – e foi graças às nossas duas Meninas Superpoderosas. A série nos levou a acreditar, até o último segundo possível – pode até ser um clichê, mas ainda é um clichê eficiente – que, no fim, Killgrave tinha conseguido expandir seus poderes a ponto de controlar até mesmo Jessica, só para fazê-la usar as code words (“eu te amo”e, da maneira mais Jones – um desenrolar simples e rápido de uma sequência tensa – possível, derrotar definitivamente o seu nemesis.

É óbvio que simplesmente matar Killgrave não seria o verdadeiro “encerramento” da série. Depois de se encontrar o seu lower point, a jornada exige que o herói ascenda novamente. E nesse caso, a regra vai além dos heróis. Hogarth conseguiu – parcialmente – se redimir, salvando Jessica de uma possível prisão perpétua. Malcolm decidiu ficar, para ser a ajuda que Jones precisa numa Alias Investigations que já começa a receber casos dignos de uma heroína. Trish… bom, Trish parece interessada em cruzar linhas que precisariam de mais alguns episódios para se discutir (quem sabe em Luke Cage ou Iron Fist?). Claire – que roubou a cena do início ao fim – deve ter retornado para as partes de Hell’s Kitchen, onde o Homem Sem Medo precisa dela.

Chame de redenção, repetição ou de encerramento, Jessica Jones termina como começou – e, pela primeira vez, isso não é um defeito. Enquanto a câmera se afasta e o plano final é substituído pelos créditos, o mesmo tom soturno, a mesma atmosfera, as mesmas questões morais do herói moderno – cheia de falhas e que, acima de tudo, não se aceita como um herói – estão lá, como se sussurrando para nós não um “adeus”, mas um mero aviso de que logo as veremos de novo, mesmo que não em Jessica Jones.

É assim que a nossa jornada chega ao fim. Depois de treze reviews, acho que podemos concordar que a parceira Marvel-Netflix conseguiu não só igualar o seu feito anterior, mas provar que, a cada novo capítulo, as coisas só ficarão melhores. E, como não acho que vá existir uma linha final melhor que “Alias Investigations, how can we help?” (and, as I hate goodbyes) é assim que deixo vocês.

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